Espécies exóticas … Que futuro??

Espécies exóticas … Que futuro??


Ultimamente, têm sidos vários os rumores sobre a introdução em Portugal de uma nova legislação europeia que visa a total erradicação de espécies exóticas invasoras em termos de cursos e massas de água interiores. À semelhança do que já foi feito em Espanha, a ideia passa por simplesmente eliminar estas espécies independentemente do seu valor económico e turístico. Estamos a falar de carpas, achigãs, luciopercas, lúcios, trutas arco-íris, etc. A lista é bem longa e põe em causa muitas modalidades de pesca desportiva praticadas no nosso país, quer na versão lúdica, quer na versão competição.

No meu ponto de vista, esta é uma grande e brilhante ideia dos nossos políticos de Bruxelas que compram taxativamente uma ideologia ambientalista radical à custa dos nossos impostos!! Como são gente extremamente iluminada ainda não compreenderam que a principal espécie invasora em todos os habitats, incluindo as águas interiores, é a humana, e portanto para se constatar o ridículo da situação, só tenho pena é que esta mentalidade também não se aplique a essa espécie na mesma medida, pois gente exótica invasora não falta, a ameaçar os habitats locais e sobretudo a pureza do património genético de cada um dos países que constituem a UE!!! É este o princípio genérico que querem defender?? Ao menos assumam e não se escondam com o rabo de fora. Fundamentalismo é fundamentalismo, qualquer que seja a espécie e eu estou completamente contra!!

Truta arco-iris Serra da Estrela

O argumento de espécie exótica invasora parece-me completamente ridículo e roça a falta de senso. Neste momento, os pescadores de truta em grande maioria aprovam esta política de erradicação, sobretudo aqueles que pescam sem morte. Compreendo o argumento das águas salmonídeas, mas não fica mal aos fundamentalistas da pesca sem morte defender pura e simplesmente a total matança de todas as outras espécies para que fique só a truta?? A hipocrisia é assim tão grande?? Num caso é crime e no outro não é?? Muito bem!! Mas para aquecer ainda mais as hostes, pensemos nas águas salmonídeas e nas populações de trutas comuns, ditas selvagens que as habitam!! Qual a pureza dessas ditas populações selvagens? Quantos repovoamentos foram realizadas com estirpes estrangeiras? O ICNF tem os registos. Quantos foram e quais os rios completamente contaminados? Afinal, o que é que iremos preservar com esta matança defendida pelos pescadores de trutas sem morte no nosso país????

Tudo isto serve para dizer que temos que ter cuidado com aquilo que hoje estamos a fazer, porque amanhã teremos uma factura para pagar. A subserviência a Bruxelas tem que acabar e a máquina política, sobretudo o ICNF, tem que ganhar competência para saber o que anda a fazer ou então entregar a gestão das águas interiores a uma instituição privada ou associativa, fortemente constituída pela classe dos pescadores desportivos. O exemplo de Espanha é claro e já se viu que essa política de extermínio não funcionou. Então agora ia-se matar todos os siluros do Ebro ou acabar com o salmão do Danúbio do Tormes que são enormes fontes de receitas turística para essas regiões?? Só de doidos!!

Enfim, nós acordamos tarde para esta realidade, mas é pena que o ICNF não se saiba impor e que lance esta confusão. Acho que a fazer-se alguma coisa, passa por ter bom senso, estudar bem os nossos rios e massas de águas, e depois propor um plano de acção. Acho que o simples extermínio de espécies invasoras não é a solução, até porque os pescadores não o vão fazer e o ICNF não tem capacidade, nem financeira, nem logística para isso. Acho que as águas salmonídeas devem ser redefinidas e que se deve tentar minimizar o impacto das espécies exóticas invasoras nestas zonas. Nas outras, as espécies invasoras devem ser geridas e protegidas de forma normal. Há espaço para mantermos todas as espécies que existem no nosso país actualmente desde que seja feita uma gestão conscienciosa. Os exemplos da truta arco-íris na Serra de Estrela, a carpa no Douro, os achigãs no Alqueva são paradigmáticos de abordagens de sucesso em termos de pesca desportiva. Faz sentido eliminar tudo??

Fica aqui este desabafo sobre esta questão que nada mais é do que um pedrada no charco. Com tantos assuntos importantes para discutir e tratar em termos de pesca desportiva (incluindo as portarias que nunca mais saem), é pena que o ICNF dê sempre relevância às coisas menos prioritárias para gerar confusão e mostrar trabalho. Também com uma classe tão pouco organizada como os pescadores, não há melhor política do que dividir para reinar. Mais uma vez, isto só veio mostrar que não nos conseguimos pôr de acordo e elaborar uma posição conjunta. Acho que se queremos alguma coisa para a pesca neste país, temos que começar a funcionar de outra forma. Não sei se a solução passa pela criação de uma plataforma ou de outro qualquer instrumento de lobby, agora a verdade é que as coisas não se podem manter como estão. A cada dia que passa é metido mais um prego no caixão da pesca desportiva em Portugal e convém que não se esqueçam que o objectivo último de tudo isto é acabar totalmente com a pesca desportiva de todos os tipos em Portugal. É para isso que trabalha o lobby ambientalista de Bruxelas e também o nacional. Se tiverem dúvidas, falem com eles!! A caça primeiro e depois a pesca! Se acham que a pesca sem morte fica, esqueçam!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.