Algumas trutas no Rio Ovelha!

Algumas trutas no Rio Ovelha!




Aproveitando a altura da Páscoa, resolvi dar uma escapadela até à zona de Amarante para verificar como andariam as coisas pelo Rio Ovelha. Já há algum tempo que não passava por lá, e a curiosidade era grande, especialmente no que respeitava à densidade de trutas nalguns troços mais difíceis deste rio. Sem grandes preocupações com chegar cedo, parei carro na zona de pesca já eram 7h30. O céu estava limpo e prometia ser mais um dia de calor intenso. Felizmente, o troço escolhido por mim tinha uma boa cobertura arbórea e como tal tudo apontava para que as trutas estivessem bem protegidas e portanto, talvez se dignassem mexer atrás da amostra.

O único senão a apontar relativamente a todo este cenário, era o facto de o rio estar com um caudal baixo. Claramente o resultado da falta de chuva dos últimos tempos que começa a assumir proporções muito acima do normal, mesmo para as regiões norte e centro.

Com caudais baixos, optei por seleccionar um material de light spinning com cana de 1,8 metros, fio 0,12 e amostra Mepps Aglia nº1. Uma selecção clássica adaptada às condições difíceis que eu antecipava encontrar.

Para começar a pescar, desloquei-me a pé dois quilómetros para jusante. A entrada teria que ser realizada num local cheio de mato e com muitas silvas, onde só existia um pequeno buraco onde se podia passar. Os primeiros lançamentos saíram numa zona de açude. A zona tinha profundidade, mas não apresentava grande corrente. Fiz múltiplos lançamentos, mas nem sinal de peixe. Nem sequer escalos, barbos ou bogas. Perante isto fui avançando lentamente para montante. Lançamento atrás de lançamento, e tive um primeiro toque de uma truta muito pequena numa corrente. Foi o primeiro sinal de que havia por ali alguma coisa. Voltei a insistir, mas sem resultado…

Entretanto, cheguei a uma corrente mais profunda que desembocava num açude. Lançamento para jusante, sinto um pequeno toque. Volto a insistir, deixo a colher derivar com a corrente, e de repente, uma pancada forte. A cana dobra e do outro lado vejo uma boa truta a rodar incessantemente na água. Levanto a ponteira e começo a trabalhar o peixe. Tento puxá-lo para a minha margem, sem levar a linha ao limite, e em pouco tempo consigo cansá-la. Mantendo a calma, aproveitei um momento mais favorável e deitei a mão à primeira truta de 2017 do Rio Ovelha. Um lindo exemplar de 28 centímetros!!

Com esta primeira captura conseguida, a pescaria passou a ter contornos mais calmos. Fui batendo de forma mais pormenorizada as sequências de correntes seguintes e insistindo nos sítios mais promissores, que eram aqueles onde simultaneamente era possível encontrar mais corrente e profundidade. Assim, e depois de passar uma zona de muita baixa profundidade, onde só senti um toque de uma pequena truta, entrei num poço com 3 a 4 metros de profundidade que tinha uma boa entrada de corrente. Lançamento para a corrente, começo a recuperar e sinto uma boa pancada na amostra, mas não consigo cravar a truta. Repito a façanha, com o lançamento a cair no mesmo local e quando a colher vem a meio caminho, a cana dobra. A truta entrou com tal força que se cravou sozinha. Foi só levantar a ponteira da cana e deixá-la dar luta, até chegar ao ponto em que se começou a cansar. Aí deitei-lhe a mão … Mais uma linda truta do Rio Ovelha, desta vez com 27 centímetros.

Terminada esta captura, avancei para o troço superior, já perto da zona onde estava o carro. Mais uma corrente com dois poços de boa dimensão. Sem hesitar, lanço para a outra margem e começo a recuperar. Quando a amostra passa perto de uma zona com uma pedra grande sinto um toque e cravo imediatamente. Só vejo uma truta a saltar fora de água continuamente e a tentar libertar-se do anzol. Temendo que ela fugisse, aumentei a tracção e atendendo ao seu pequeno tamanho levantei-a no ar. Uma truta arco-íris de 23 centímetros!! Certamente fugida do Posto do Torno …

Esta última captura acabou por colocar um ponto final na pescaria realizada no Ovelha. Já pouco mais espaço tinha para pescar, mas mesmo assim, os lançamentos seguintes não se transformaram em resultados práticos. Apenas tive dois toques e não consegui tirar mais nada.

No global, fiquei satisfeito com a minha passagem pelo Rio Ovelha. Já tive anos com maiores densidades de trutas no troço em questão, mas de qualquer maneira a densidade observada no ano corrente não é demasiado má. Acredito que com melhores condições a pescaria poderia ter sido mais produtiva, mas também é preciso ter em conta que a temporada não tem sido nada fácil no Ovelha, pois era notória a elevada pressão de pesca neste rio, com muitas margens calcadas e há não muito tempo …

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.