Manhã de sol no Lindoso …

Manhã de sol no Lindoso …


Já há muito tempo que não tinha oportunidade de pescar na Barragem do Lindoso e quando surgiu o desafio para voltar a realizar uma pescaria na saída do rio Cabril não podia dizer que não. Assim, eu e o Bruno resolvemos realizar uma pequena expedição a este local em inícios de Abril. A ideia era sobretudo pescar ao heavy spinning e tentar comprovar qual o estado actual da densidade de trutas nesta área, que sempre me deixou boas recordações.

Para pescar nesta zona, que é concessionada, tivemos que tirar a licença num café antes do Lindoso e só depois é que nos pudemos dirigir ao local pretendido. Atendendo às previsões de dia com bastante sol e quente, achamos que não valia a pena acordar muito cedo e portanto só chegamos ao local de destino por volta das 8h15. Aliás, a abertura desta concessão já tinha sido há muito tempo e, no dia em concreto, já tínhamos pelo menos dois pescadores à nossa frente, isto de acordo com a senhora que nos passou as licenças. Não valia a pena entrar em grandes correrias!!

De qualquer forma, e sem perder muito tempo, até porque estávamos unicamente fixados nas trutas, avançamos directamente para a foz do Cabril, à procura de águas mais limpas e de um ou outro exemplar que por ali andasse. Depois de cerca de 25 minutos a fazer caminho, entramos mesmo junto à saída do Cabril na barragem do Lindoso. Água limpa qb, apenas marcada por uma concentração anormal de sementes e outros resíduos orgânicos das árvores que dificultavam, por vezes, a recuperação das amostras. Começamos a malhar pesado. Eu iniciei as hostilidades com um minnow de 9 centímetros e o Bruno começou, se não me engano, com uma tanger. Os primeiros lançamentos foram saindo, mas sem novidades. Não se via sinal de peixe, nem dentro, nem fora de água e muito menos na amostra. Fomos andando, até que passados 10 minutos tenho o primeiro toque no minnow, junto a uma entrada de um pequeno rego na barragem. Perdi tensão na linha de forma estranha, mas não cravei nada. Parecia-me peixe, mas não tinha certezas absolutas. Voltei a insistir e troquei de amostra, mas sem resultado.

Entretanto, do lado do Bruno as coisas também estavam paradas. Lá tentou meter um powertail, mas nem sinal de peixe. Da minha parte, fui insistindo no minnow. Durante duas horas, andamos a coar água. Ainda vimos um pescador de canoa, mas tudo estava muito parado. Céu limpo, dia a aquecer e parecia que estávamos em pleno deserto. A situação era tão grave que quando chegamos à ponte da nacional, achamos que não valia a pena continuar.

Voltamos para trás e eu resolvi mudar para uma colher Mepps Aglia nº1 e para um fio 0,12. Ia voltar a bater o sítio onde tive o toque. Fui lá direitinho e lancei para a outra margem. Comecei a recuperar, a amostra foi evoluindo dentro de água e quando chegou perto de mim, vejo um brilho metálico dentro de água e uma truta cravada a saltar fora de água. Levantei a cana e procurei evitar uma situação de ruptura do fio. Com calma, deixei-a dar as primeiras pancadas e quando vi que estava a parar, deitei-lhe a mão e tirei-a para fora de água. Uma linda truta de 28 centímetros da concessão do Cabril. Um exemplar único!!

Com esta captura, demos a pescaria por terminada. O dia não tinha as condições ideais e aquela captura tinha sido quase um milagre, especialmente atendendo ao facto de que já tinha sido picada há duas horas atrás. Há a lamentar a falta de visualização de trutas, mas também o dia não era o melhor. Para avaliar bem a situação, há que voltar num dia de chuva e com o Cabril a aumentar de caudal … Espero que esse dia chegue e quanto mais depressa melhor!!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.