Abertura às trutas – Serra da Estrela

Abertura às trutas – Serra da Estrela




Depois de uma viagem épica até à Guarda para tirar as licenças de pesca para a abertura da pesca à truta nas lagoas da Serra da Estrela, nomeadamente na Lagoa Comprida, eu e o Bruno estávamos bastante ansiosos sobre aquilo que se iria passar no dia 1 de Maio. Com uma viagem de mais seis horas, espera de três horas na fila, que já tinha começado a ser formada desde o dia anterior, tivemos a sorte de nos calharem as últimas licenças nacionais. Mesmo no limite!! Faltava saber se tanto esforço tinha valido a pena!!

Chegou o dia tão esperado. Às quatro da manhã, chegou o Bruno a minha casa, mudamos as tralhas e arrancamos para a aventura. A expectativa era enorme, porque já há muito tempo que não fazia a abertura naquela zona e não tinha o mínimo de noção sobre a quantidade e qualidade das trutas que iríamos encontrar. Sabíamos que tinham sido realizados alguns repovoamentos, mas as certezas eram nenhumas.

Felizmente, a meteorologia tinha-se composto e depois de alguma chuva e frio, a noite estava relativamente amena no litoral, se bem que mal começamos a subir para a Serra as temperaturas foram descendo rapidamente até chegar aos 4 graus, já muito próximo do nosso destino. Quando chegamos eram seis da manhã e a visibilidade ainda estava bastante reduzida. Mesmo assim, não faltavam carros e sobretudo pescadores já em plena acção no muro da barragem. Viam-se várias luzes a brilhar e gente a lançar as canas!! Não me pareceu que estivessem muito legais, mas o que se há-de fazer …

Toca a preparar, a vestir bem, porque o frio estava bem presente, e com a primeira luz decente da alvorada, resolvemos fazer-nos lentamente ao local de pesca. Íamos começar junto ao muro, pois parecia-nos sempre o melhor local para o repovoamento das trutas. Para começar, escolhi uma Tanger nº3 prateada de 12 gramas. A ideia era tirar a primeira truta com esta amostra, para limpar a grade, antes de começar a experimentar iscos mais duvidosos.

Mal chegamos perto da superfície, começou-se a ver os primeiros sinais de trutas à superfície. A adrenalina começou a subir e os primeiros lançamentos começaram a sair. A amostra passava, mas parece que não havia trutas. Por alguma razão, não estavam a picar. Lá fomos insistindo e quando a claridade começou a incidir sobre a água, sinto o primeiro toque, mas não cravou. Volto a insistir, sem sair do sítio. Lanço uma vez. Lanço duas vezes. À terceira, a amostra começa a rodar e de repente a linha arranca para a direita, levanto a ponteira da cana de 2,7 metros e cravo um bom peixe. O carreto começa a chiar e vejo logo que tenho assunto. Dois saltos fora de água e sinto logo que era um bom exemplar. Lá a seguro como posso durante cerca de dois minutos e entretanto, peço ajuda ao Bruno, porque o camaroeiro, não me estava a sair do colete. Com calma, consigo manter a tensão na linha, e depois de duas ou três tentativas, consigo meter uma linda fario dentro da rede. Um digno exemplar de 53 centímetros, a marcar em grande a arrancada da pesca na lagoa comprida.

Depois desta captura, mudei logo para o Black Minnow de 7 centímetros com cabeçote de 6 gramas. Comecei a trabalhá-lo no limite e aí sim, começou o espectáculo que eu queria. As arco-íris não resistiam à evolução desta amostra dentro de água e as capturas, e sobretudo os toques, começaram a suceder-se de forma contínua, sem sair do mesmo local. Em pouco menos de 10 minutos, já tinha mais duas trutas muito acima da medida dentro do saco. Era impressionante!! Por sua vez, o Bruno estava ainda às aranhas, preocupado com a grade e sobretudo sem perceber como é que eu estava a tirar trutas. A situação ficou ainda mais problemática quando lancei no local onde ele tinha estado a pescar na última meia hora e, logo ao primeiro lançamento, cravei um excelente exemplar de arco-íris. Uma brava truta que não parou de saltar fora de água e que levou a linha ao limite antes de se deixar capturar. Mal o Black Minnow caiu na água e lhe dei o primeiro toque de cana, a truta entrou logo …

Com as coisas a correrem bem demais, estabilizei a pescaria, até porque o limite de capturas já estava à bica e eu não queria ir já embora. Assim, resolvemos avançar para montante e tentar fazer um pouco de margem à medida que o dia ia aquecendo. Pelo caminho, fui entrevistado pelo ICNF, que resolveu realizar uma visita relaxada ao local, mas sem novidade. O Bruno safou-se de os aturar, porque já estava mais à frente e aproveitando o meu descanso, conseguiu tirar a primeira truta.

Eram 8h30 da manhã. Tínhamos que gerir a pescaria até pelo menos às 3 horas da tarde e foi isso que fizemos. Tivemos sequências e cenas de pesca verdadeiramente inesquecíveis. Trutas atrás de trutas, a serem quase todas libertadas, mas a colaborarem numa jornada em que as emoções estiveram ao rubro. Num canto da lagoa, cheguei a tirar e devolver mais de 10 trutas seguidas em 5 minutos, todas com a medida. Enfim, espectáculo!!

Depois de muita ansiedade, a aposta na abertura da pesca à truta na lagoa comprida, acabou por se tornar uma escolha de primeira qualidade. Um dia bem passado, com boas trutas, muitas capturas e sobretudo muita emoção. Só a muito custo é que conseguimos cumprir a lei, porque as trutas estavam a colaborar em demasia. Uma situação única que deixa marcas e que pretendemos repetir no próximo ano…

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.