Poluição no Rio Mondego – Porto da Carne

Poluição no Rio Mondego – Porto da Carne




Aproveitando o tempo nublado e a descida de temperatura com trovoada desta semana, resolvi realizar uma pequena visita ao rio Mondego para comprovar se por lá andavam algumas trutas mais ariscas e com vontade de atacar as minhas amostras. Tudo estava preparado para uma jornada agradável até que cheguei à margem do rio e comecei a estranhar a cor do mesmo. Parei na praia fluvial de Porto da Carne, que é um sítio com alguma profundidade, e fiquei com algumas dúvidas sérias sobre a qualidade da água.

Preocupado com a situação, resolvi suspender a pescaria, antes mesmo de a começar, e comecei a caminhar para montante à procura da causa daquele fenómeno estranho. Eis que quando chego aos pilares da ponte da estrada nacional que atravessa o Porto da Carne e passa por cima do Mondego, me deparo com um cenário verdadeiramente macabro. Cheiro nauseabundo, saída de detritos e lamas acumuladas junto à saída de uma conduta!! Sinal claro de uma poluição continuada, com a agravante de nesta altura estar a ocorrer num cenário de águas bastante baixas e com elevada falta de oxigenação. Nas proximidades nem sinal de peixe!!!

Curioso sobre esta situação, resolvi tentar perceber de onde é que o tubo vinha e verifico que a cerca de 200 metros afastada da margem, está uma instalação de tratamento de águas de pequeno tamanho. Possivelmente esse será o início deste problema, mas só uma análise técnica pode permitir aferir com objectividade o que se passa.

Nas fotos abaixo, podem ter uma perspectiva da sequência e implicações do problema:

Olhando a tudo isto, escusado será dizer que nada de pescaria. O cenário é verdadeiramente desolador e não percebo como é que não há um aviso a impedir a população de frequentar a praia fluvial que se encontra 500 metros a jusante. Este assunto levanta sérios problemas de saúde pública, isto já para não falar dos impactos que está a ter sobre a fauna piscícola. Numa deslocação lenta até ao carro que se encontrava junto à praia, não vi qualquer sinal de peixe, muito menos trutas!!

Fica aqui o alerta para esta situação. É natural que os efeitos demorem tempo a fazerem-se notar mais a jusante, mas certamente vamos ter sérios problemas se esta situação se prolongar no médio e longo prazo. Há que agir quanto antes!!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.