Rios truteiros e a seca

Rios truteiros e a seca


Depois de muito já ter sido dito sobre o actual estado de seca extrema que temos vindo a atravessar, a verdade é que muita da retórica se tem centrado nos impactos de curto prazo, não havendo uma preocupação em antecipar consequências estruturais sobre a fauna piscícola e nomeadamente sobre as populações de trutas. Com as perspectivas de pluviosidade a revelarem-se bastante incipientes, começa a surgir claramente a possibilidade de a seca se vir a agravar e de se começar a fazer sentir cada vez mais próximo do litoral.

Neste momento, é verdadeiramente dramática a situação no interior. Os rios truteiros estão a níveis bastante baixos e nalguns casos existem mesmo troços de várias dezenas de metros que estão completamente sem qualquer gota de água, como por exemplo no caso do Rabaçal. Isto é uma situação totalmente atípica e põe claramente em cima da mesa a possibilidade de virmos a ter uma redução bastante significativa da população de trutas selvagens nos nossos rios na temporada de 2018. A mortandade por falta de oxigénio já começou há muito e mais ainda está a caminho, à medida que mais cinzas de incêndios em conjunto com falta de água criam um cenário bastante propício a este tipo de fenómenos.

No global, parece-nos que a manter-se este estado de coisas por tempo indeterminado, faz sentido começar a pensar num novo paradigma de preservação e exploração dos salmonídeos durante os próximos anos. Efectivamente, as perspectivas que temos é de uma forte redução da densidade populacional durante este ano que não deverá ser fácil de recuperar nos próximos. Os defensores das soluções fáceis podem já estar a ponderar uma introdução maciça de exemplares via repovoamento, no entanto, não nos parece que a capacidade instalada permita satisfazer as perdas em causa, e mesmo que permitisse, essa não seria a solução mais adequada, por várias razões que já discutimos anteriormente em outros artigos sobre os malefícios dos repovoamentos.

Dito isto, para já, pouco mais nos resta do que ter fé e esperar que chova rapidamente o suficiente para resolver este problema. Quanto mais tempo tardar, maiores serão as possibilidades de termos uma péssima temporada de 2018.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.