Águas salmonídeas – versão de 2018

Águas salmonídeas – versão de 2018

Com tantas alterações a decorrem ao nível da pesca lúdica em águas interiores na passagem de 2017 para 2018, só faltava mesmo mexer na classificação de águas salmonídeas. Assim, e para ajudar à confusão que já está instalada e que ainda se vai instalar mais, segue aqui informação sobre a nova lista de águas salmonídeas publicada pelo ICNF em documento de 11 de Janeiro de 2018:


Para quem tiver dificuldades, podem sempre clickar no link abaixo para verem o documento em plena página do ICNF:

Lista de águas salmonídeas – 2018

Apesar de não me parecer que tenham existido muitas alterações ao nível da listagem, mesmo assim, recomendo uma leitura atenta e o máximo de cuidado para evitar chatices mais tarde. Como as coisas andam, convém ter todos os cuidados!!

Também convém relembrar que as regras básicas do exercício da pesca lúdica nas águas salmonídeas são agora as que constam da lista abaixo:

  • Apenas é permitido o uso de uma cana
  • Durante o período em que é proibida a pesca da truta-de-rio ou truta-fário é também proibida a pesca de todas as restantes espécies existentes nessas águas
  • Durante o período de pesca da truta-de-rio ou truta-fário, cumprem-se os respetivos períodos de defeso das restantes espécies existentes nessas águas
  • É proibida a pesca profissional

Como podem ver, mais uma alteração!! Anteriormente, não havia períodos de defeso para a pesca de outras espécies durante o período de pesca à truta, mas agora a situação alterou-se! Isto poderá significar que nalguns casos, a pesca de outras espécies fica reduzida a poucos dias úteis em águas salmonídeas.

Tenho pena que a visão do legislador seja muito curta. A restrição da pesca de outras espécies em águas salmonídeas, vai levar muito pescador lúdico a focalizar-se na truta, quando antes apenas ia aos barbos, escalos e bogas nestes cursos de água. Assim, e perante a possibilidade de um ano péssimo para as trutas, vamos ter ainda mais gente a pescar as poucas trutas que conseguiram sobreviver aos incêndios e às más desovas dos anos anteriores. Será que o ICNF acautelou isto tudo com um forte investimento em viveiros e repovoamentos de trutas???!!!

Enfim, mais do mesmo. À medida que passa o tempo, aumenta a lista de restrições à pesca lúdica. Não vai ser nada fácil começarmos a seguir estas novas regras e certamente que as entidades sabem disso e se devem estar a preparar para começar a carimbar em força neste novo ano. Aliás, nada como um aumento de burocracia para melhorarmos a qualidade dos nossos rios e da sua fauna piscícola. É uma receita que bem conhecemos de outros sectores da nossa vida e que tem levado aos resultados que bem sabemos!! Se tudo correr bem, e de acordo com os planos do ICNF, devemos começar a ter reduções significativas no número de pescadores lúdicos nos próximos anos, ficando ainda tudo mais ao abandono e dando assim azo ao trabalho dos furtivos que acabarão por dizimar o pouco que ainda vai sobrando … Isto sem falar em mais verbas para os ambientalistas que depois irão propor grandes planos de recuperação com total proibição da pesca em várias massas e cursos de água!! Todos ganham, excepto o pescador lúdico!

Se acham que estou a exagerar, então coloquem-se esta questão: “Quantos salmões já saíram desde Novembro do ano passado em Portugal??” Certamente, muitos mais do que aqueles que vocês possam pensar!! Se querem ver, vão hoje até à margem do rio Minho e contem o povo que lá anda a pescar à colher nas melhoras zonas! Isto já para não falar dos barcos, porque o que está a dar é a pesca profissional!! Em país de cegos …

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.