Uma boa truta de Páscoa no rio Côa …

Uma boa truta de Páscoa no rio Côa …


Depois de muito tempo alheado da pesca à truta na zona raiana da Guarda, resolvi voltar à acção, aproveitando a época da Páscoa. Tradicionalmente, a Páscoa é caracterizada por bom tempo, mas este ano, o cenário foi de chuva e muito frio. Antes de avançar, ainda falei com o meu amigo Mota, que me comentou que o cenário de pesca estava complicado e que, à partida, não ia ter disponibilidade para me acompanhar. Como amigo não empata amigo, toca a preparar mais uma investida no rio Côa. Um rio muito batido, e onde a pesca não é nada fácil, mas onde existem bons exemplares de trutas. Aliás, já me tinham chegado aos ouvidos alguns relatos de boas capturas realizadas desde a abertura e, como tal, convinha investigar.

Assim, na manhã do dia após a minha chegada a Figueira de Castelo Rodrigo, já estava a caminho da zona do Côa, tentando perceber onde é que poderia fazer a diferença. Conhecedor deste rio, resolvi tentar as zonas menos procuradas, menos batidas e também aquelas que normalmente proporcionam bons exemplares. Atendendo à dimensão da seca do ano passado, procurei sobretudo focalizar a minha acção de pesca em zonas com açudes mais largos e profundos, que para mim eram uma garantia de alimento e de água para albergar boas trutas, mesmo em situações difíceis.

O cenário do dia era bastante complicado; céu escuro, muito frio, algum vento forte e chuva qb (quase a tornar-se neve). Mesmo com luvas era difícil suportar o frio. De qualquer forma, como o vício era maior do que o homem naquele dia, toca a pescar!! Durante várias horas, fui batendo algumas das zonas mais promissoras. Lançamento atrás de lançamento, fui tentando vários iscos e várias abordagens, apostando sobretudo no black minnow. Cheguei a ver uma ou duas silhuetas de peixe, mas pareceu-me tudo muito deserto. Parecia que não existiam quaisquer trutas no rio. Assim, passei o tempo até à hora de almoço. A correr margem, a lançar continuamente, a trocar de isco e sem qualquer toque decente. Felizmente, era o único que por ali andava e portanto ia aproveitando para testar algum material mais esquecido!!

Chegado à hora do almoço, fui à procura de um novo local com um bom açude. Eram já cerca de 14h00 e o tempo parecia estar a piorar. Comi qualquer coisa, e resolvi atacar a cabeça do açude, pois o caudal parecia estar a aumentar devido à chuva que estava a cair. Parecia lógico que as trutas começassem a subir para as zonas de mais corrente e menor profundidade. Lá fui malhando certinho, mas mais do mesmo!! Nem toque!! Avancei para o açude seguinte, mas a profundidade já era muito baixa. Mesmo assim, resolvi lançar. Um lançamento no início. Outro lançamento a meio. Outro lançamento, já a caminho da corrente seguinte. Neste último, e durante a recuperação do minnow, pareceu-me ter sentido um ligeiro toque na linha. Voltei a insistir e prolonguei o trabalho da amostra. Eis que de repente a amostra fica presa, eu cravo e sinto algo a mexer do outro lado. A truta cravou delicadamente e pareceu-me pequena num primeiro momento, no entanto, ao sentir-se verdadeiramente presa, começou a puxar fio e a por o carreto a cantar!! Sentindo que podia perder a truta, afrouxei o carreto, levantei a cana e preparei-me para o que aí vinha. Apesar de estar em pouca água, a truta estava a enrolar-se bastante e fazer muita força para arrancar. A situação era complicada, até porque a minha confiança na linha já era reduzida. Lá fui negociando a situação com calma para tentar levar a truta a bom porto. Ela foi-se cansando, e eu tirei o camaroeiro para fora. Cheguei-me mais perto da margem, tentei encostá-la o máximo possível e só à oitava ou nona passagem é que a consegui meter dentro da rede. Uma grande truta do Côa com 56 centímetros e com um porte imponente, demonstrando estar bem alimentada. Um lindo troféu que safou imediatamente o dia!!

Depois desta captura, a pescaria já estava mais do que feita. Ainda tentei atacar mais dois açudes, mas o panorama manteve-se exactamente o mesmo. Nem sinal de trutas e o pessoal com que me cruzei no caminho andava todo a coar água. Ainda me falaram de capturas realizadas em dias anteriores, mas naquele dia específico tudo muito parado. Apenas eu tinha tido alguma sorte com uma truta de Páscoa que costumam ser sempre boas no Côa. O que é preciso é colocá-las a morder e depois tirá-las para fora!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.