De volta ao Rio Tâmega em 2018

De volta ao Rio Tâmega em 2018




Com as boas chuvadas do início de temporada e com o avanço das obras das barragens do Tâmega, não podia falhar mais uma visita a este grande rio que tem vindo a dar sempre bons resultados em todas as temporadas. Assim, e com a memória bem fresca relativamente ao que se passou no ano passado, resolvi planear uma visita a um dos meus locais favoritos neste curso de água para ver como as coisas andavam.

O dia escolhido não aparentava qualquer hipótese de chuva e portanto era de esperar alguma acalmia no débito do Tâmega, que tinha sido bastante elevado desde o início da temporada. Aliás, uma das principais razões pela qual adiei a minha visita a este rio, foi o facto de que as correntes serem demasiado fortes para o spinning, logo nos primeiros dias da temporada. Sintoma de que as trutas estariam possivelmente coladas ao fundo, longe do alcance das amostras.

Mesmo assim, quando cheguei ao rio e olhei para as condições do caudal, não fiquei muito animado. Caudal já reduzido relativamente ao pico das chuvas, mas ainda com alguma força, a dificultar a evolução das amostras, e sobretudo daquelas que funcionam melhor com pouca corrente, como por exemplo, o Black Minnow. Assim, e depois de dois ou três testes iniciais com diferentes amostras, resolvi aplicar a Tanger nº3 de 12 gramas. Parecia ser o isco ideal para tentar mexer algum peixe mais afoito.

Logo nos primeiros minutos, comecei a tentar cobrir o máximo de extensão possível. As alterações de margem não era muito significativas, mas era natural que a força da corrente tivesse alterado a configuração do fundo e a localização das trutas. Havia que procurá-las em zonas diferentes, e efectivamente era aí que elas estavam. Numa zona onde nunca tirei nenhuma, tirei a primeira do dia. Lançamento de mais de 50 metros para uma zona de forte corrente, a colher entra na corrente, começa a descrever um arco e de repente um pancada forte a vergar a ponta da cana. A truta cravou-se imediatamente e começou a levar alguma linha. Tentei ao máximo tirá-la do centro da corrente e com calma ela dá foi dando alguns sinais de cansaço e saiu da zona mais problemática. Depois foi só arrastá-la até aos meus pés e deitar-lhe a mão. Uma linda truta do Tâmega com 39 centímetros. A primeira do dia!!

Com a grade safa logo na primeira meia hora de pesca, relaxei e fui desfrutando mais dos lances. Havia zonas de mais difícil acesso, enquanto que em locais onde tinha tirado trutas no passado, não se via nada a mexer. Lá fui peneirando a água, até que cheguei a uma zona de corrente mais lenta. Ainda meti o Black Minnow, mas só tive um toque ligeiro. Mudei para a tanger, e logo no primeiro lançamento tiro outra truta. Mesmo quando estava a levantar a amostra fora de água!! A truta atacou e foi só levantar a ponta da cana com força e puxá-la para a margem. Outra boa truta com 37 centímetros.

Depois desta captura, entrei numa fase menos intensiva. Fui trocando de isco de forma mais regular e insistindo nos poços mais fundos, mas as trutas desapareceram como por magia. Durante mais de 3 horas, andei a coar água e cheguei a um ponto em que tive que mudar de sítio. Não me parecia que conseguisse tirar mais nada ali!!

Meia hora para entrar na nova zona. Cheguei, entrei e comecei a fazer o caminho até a um açude. Lançamentos longos, mas nem sinal de peixe. A margem era muito difícil de andar e o calor começou a apertar. Sinal de que não valia a pena insistir mais. Fui directo ao açude. Ali, com profundidades médias de 0,5 a 1 metro, comecei a lançar contínuo com a tanger. Nem sinal de truta, nem toque, mas também não sentia a amostra a ficar presa. Enfim, 20 minutos sempre no mesmo sítio, até que já estava a ficar farto. Resolvi lançar para uma entrada de corrente de meio metro aos meus pés, antes de me ir embora. Talvez ali estivesse uma truta pequena! Lançamento, a amostra cai junto a uma pedra, dá duas voltas e vejo um vulto negro a surgir do nada!! A colher desaparece e vejo uma explosão de saltos fora de água. Uma truta de bom tamanho tinha entrado numa zona de muito pouca profundidade!! Nada me fazia antecipar aquela situação. Lá a tentei segurar como podia, mas a força da corrente, obrigou-me a avançar para jusante e acompanhar a fuga da truta. O que me valeu foi que ela não avançou para o centro da corrente e em vez disso, entrou numa zona de fraca profundidade. Já não tinha hipótese!! Foi só deixá-la lutar mais um pouco e arrastá-la até à areia. Uma truta de 43 centímetros do lado de cá!!

Com esta última captura totalmente inesperada, fechei o tasco. Já tinha mais do que a minha conta de emoções e o calor não ajudava em nada a pescaria. Isso, já para não falar de alguns assuntos pendentes que eu tinha que tratar!! Com tudo isto, só fazia mesmo sentido abandonar o rio e deixar descansar as trutas. Oportunidades para voltar não irão faltar!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.