Lagoa comprida – versão 2018

Lagoa comprida – versão 2018




Não tendo conseguido realizar a deslocação a Viseu ou à Guarda para tirar a licença para a abertura, vi-me forçado a ter que escolher o melhor dia seguinte. No meu caso, teve que ser o Domingo, já que na quinta-feira havia que trabalhar. Basicamente, só ia mesmo conseguir meter as amostras a funcionar na Lagoa Comprida no terceiro dia de pesca …Enfim, não se pode ter sorte em todos anos!!

Ao contrário do ano passado, este ano não arranjei ninguém para me acompanhar nesta incursão, mas isso tão pouco era um problema, porque a vontade de pescar era elevada e assim iria ter mais tempo para me concentrar e pescar a sério.

Depois de uma viagem de cerca de duas horas, cheguei à Lagoa Comprida pelas 6h15 da manhã. Não era o primeiro, pois já eram notórios os carros parados na zona circundante da Lagoa. Não me pareciam tantos como em anos anteriores, mas também ainda era cedo e já estávamos no terceiro dia de pesca. O dia apresentava-se razoável: céu limpo, vento com alguma intensidade e o frio notava-se sobretudo nas zonas que ainda tinham neve. Como de costume, avancei para a margem esquerda, porque o vento ali corria menos e também porque costuma ser uma margem onde as trutas encostam. Gente não faltava por ali, mas estavam quase todos a pescar ao fundo ou à bóia. Equipado com um minnow de 7 centímetros, comecei a malhar certinho. À superfície nem sinal de peixe, e o pessoal que estava a pescar também parecia bastante desanimado!! Lá fui malhando o melhor que sabia e passada a primeira hora sem nenhum toque, cheguei logo à primeira conclusão do dia: a situação era muito diferente do ano passado. Não se via nenhum indício de repovoamentos realizados com trutas arco-íris de tamanho médio. A coisa não ia estar fácil!!!

Perante isto, resolvi deixar as zonas mais batidas e avançar para os locais de difícil progressão, ainda com neve. Talvez ali as coisas funcionassem melhor … E efectivamente foi uma aposta correcta. Lançamento largo, começo a recuperar, tenho uma cravadela forte, mas a truta não se aguentou e cuspiu o anzol. Não satisfeito, voltei a insistir, mas durante 10 minutos tudo parado. Já a preparar para trocar de sítio, realizo um último lançamento largo, dois toques de cana e de repente prisão, e eu cravo com força. Desta vez, a truta fica presa e começa a fugir para baixo. Lá a seguro como posso e com calma trago-a até aos meus pés. Uma arco-íris com 38 centímetros a abrir as hostilidades e a libertar-me do síndroma da grade!!

Depois desta captura, mudei mesmo de sítio e entrei numa pequena baía com muito bom aspecto. Logo no primeiro lançamento, tenho um toque tímido mas não consigo cravar. Depois volto a insistir, mas nada. A pensar já noutro poiso, realizo um último lançamento transversal, a amostra começa a evoluir e sinto uma prisão firme. Cravo e uma truta arranca com força para o fundo e depois começa a enrolar-se. O carreto ainda cantou um pouco, mas a truta enrolou-se de tal maneira no fio que deixou quase de nadar. Ainda temi pela segurança do fio e portanto, baixei o nível de força, mas quanto mais desenrolava, mais ela se enrolava. De qualquer forma, enquanto estávamos nisto, ia-se aproximando da margem. Preparei o camaroeiro e quando chegou perto de mim, foi só encostá-la à rede. Uma boa truta de 57 centímetros muito bem alimentada. Um bom exemplar!!

Com o peso das capturas a aumentar, preparei um saco mais forte para continuar com a festa. Viam-se muito poucas trutas, os toques eram raros, mas cada toque indiciava bons exemplares. Nem sinal de trutas pequenas.

Enquanto ia pensando na situação que tinha diante de mim, avancei mais um pouco para uma zona mais funda. Primeiro lançamento deu logo um toque muito longe e não me permitiu cravar. Fui insistindo e ao sexto ou sétimo lançamento, olho para a amostra a chegar aos meus pés e de repente aparece um vulto a engoli-la. Até saltou fora de água!! A truta vinha a perseguir a amostra até ao último minuto, antes de se decidir a atacar!! Foi só cravar e tirar!! Mais uma bonita arco-íris de 39 centímetros!!

Depois desta captura e com a profundidade a aumentar, resolvi meter uma amostra maior e mais pesada. Ia tentar cobrir mais território à procura de toques e caso aparecesse alguma coisa, então metia um isco mais pequeno. Lá fui malhando seguido, mas sem sinal. Parecia que o peixe tinha desaparecido. Ou a amostra não era a adequada ou então não havia nada por ali. Assim, fui insistindo até que cheguei à saída de uma linha de água. Local com muito bom aspecto. Coloquei-me o melhor possível e realizo um lançamento mesmo para a saída da água. Um toque na amostra, dois toques e sinto uma leve prisão junto a uma pedra. Pareceu-me peixe, mas o toque era frágil demais para ser algo grande. Mais outro toque, vejo uma sombra a evoluir na lateral e de repente a amostra desaparece e eu cravo!! Então é que realmente vejo um “tronco” a passar à minha frente!! Uma grande truta arranca com o minnow na boca e começa a levar fio. Fiquei em estado de choque!! Era uma grande truta e muita coisa podia correr mal!! Enfim, felizmente as coisas correram pelo melhor. A truta lutou sobretudo com a cabeça e não conseguiu enrodilhar o fio em nada, porque eu estava numa zona de muita profundidade e bem desimpedida. Só me custou mesmo foi colocá-la no camaroeiro. Com 70 centímetros e mais de 3 kilos de peso, qualquer movimentação brusca comprometia a força de linha. Só depois de mais de 10 passagens é que a consegui colocar ao fresco!!

Depois de faturar esta truta, o peso das capturas tornou-se insuportável para continuar a pescar e eram apenas 10h30 da manhã. Não tinha grande vontade de voltar logo para o carro, até porque me faltava uma truta para o limite. Assim, tive que procurar um local para esconder as trutas. Fiz um buraco na neve junto a um rochedo escarpado e deixei-as no congelador, enquanto ia fazer mais uma zona com muito bom aspecto, mas menos profunda. Como tal, reduzi o tamanho da amostra.

Lá comecei a malhar com calma. Nem sinal de peixe, mas também estava a pescar a 7 metros de altura. Convinha descer e foi isso que fiz à procura do melhor lançamento numa pequena baía com zona de árvores dentro de água. Ali era o sítio ideal para estar uma truta. Lancei paralelamente ás árvores e mal a amostra andou 10 metros, senti um toque ligeiro. Fiquei na dúvida se era truta ou ramalho e continuei a malhar, mas focalizando-me noutras direcções. Depois de 6 ou 7 lançamentos, voltei a insistir no mesmo local. Mesma recuperação e quando a amostra vinha a sair das árvores, sinto uma forte prisão e cravo. Do outro lado, vejo uma truta a arrancar com força e a levar-me linha. Lá a tento segurar e puxar para fora das árvores e consigo. Entretanto, ela começa a enrolar-se e eu abrando um pouco o ritmo, e aproveito para sacar o camaroeiro. Mais dois minutos de luta, ela ainda tenta voltar ao arvoredo, mas já lhe começam a faltar as forças. Foi só deixá-la acalmar mais um pouco e metê-la dentro do camaroeiro. Uma linda truta de 61 centímetros a fechar o tasco!!

Com esta captura, terminei a pescaria e iniciei a árdua tarefa de transportar as trutas até ao carro. O peso era relativamente elevado e vi-me e desejei-me para conseguir levar tudo a bom porto. O saco rebentou, mas ainda bem que eu tinha um suplente! Depois, ainda tive que aturar toda a turistada que queria ver o peixe … Enfim, tudo bem. Quanto a capturas de outros pescadores, tudo muito fraco. Pelo menos até às 12 horas, que foi a hora a que cheguei ao carro!!

No global, uma pescaria épica na Lagoa Comprida!! Não foi a emoção de capturas ininterruptas do ano passado, mas foi sobretudo a captura de grandes exemplares. As trutas grandes eram todas fario e depois vim a saber que tinha havido um repovoamento com alguns exemplares de trutas grandes. Seja como for não deixou de ser um dia muito bem passado e que valeu bem a pena!! A repetir assim que possível …

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.