Coura a duas velocidades – trutas

Coura a duas velocidades – trutas


Termina hoje mais uma temporada geral da pesca às trutas em território nacional. Para terminar em beleza, apresento aqui uma história de pesca que de certa forma caracteriza bem o contraste que encontramos durante esta época na grande maioria dos nossos rios. Foi patente durante a temporada um grande contraste entre boas e más pescarias com alterações drásticas da densidade de trutas em vários troços dos nossos rios. Na maioria esmagadora, o que se verificou foi uma tendência dramática para o decréscimo justificada pelos incêndios e pela seca.

No rio Coura, onde realizei a última pescaria da temporada geral, o cenário manteve-se fiel à média nacional. Comecei a pescar em zonas que normalmente têm boa densidade de trutas, mas durante mais de 3 horas andei praticamente a coar água. Em zonas que no ano passado davam boas trutas e tinham densidades significativas, verifiquei quebras acentuadas de densidade de trutas. Levei dois toques e pouco mais do que isso. Muito, muito fraco. Tentei heavy spinning, light spinning e nem sinal de peixe.

Depois de muito malhar e passar já definitivamente para o light spinning com Mepps Aglia nº1, lá consegui fazer uma truta. Um lançamento para jusante numa zona de corrente, a colher começou a rolar e passados 5 metros, entra uma brava truta no centro do rio. Saltos fora de água, arranques para montante e finalmente lá a consegui encostar à margem. Uma captura de 28 centímetros, numa zona onde eu já tinha perdido completamente a esperança. Mesmo no final do troço!!

Depois desta captura, que me safou a grade, resolvi mudar de sítio. Foi a melhor decisão que podia ter tomado. No troço do Coura onde entrei a situação alterou-se dramaticamente. Passei de uma zona com uma densidade reduzida de trutas para uma zona com uma excelente densidade. Durante duas horas, em zona de corrente sustentada e de profundidade média, foi sempre a tirar e a desfrutar de emoções com as nossas trutas. Parecia a pescaria ideal. Em cada lançamento, viam-se duas a três trutas a mexer e em cada três lançamentos, tinha sempre um toque e lá se iam cravando.

Das 7 trutas que tirei, apenas fotografei duas. Tinham um tamanho razoável, com algumas a estarem claramente acima da medida mínima. Ainda cheguei a ver uma de mais de meio kilo, mas não chegou a atacar. Apenas se deslocou para jusante de forma despreocupada. Claramente que não faltava acção … e tudo contido num troço relativamente curto, já que para montante e jusante o cenário voltava à desgraça que eu já tinha experienciado durante a parte da manhã.

Depois da boa experiência conseguida neste último troço, resolvi fechar a pescaria. Para aquilo que eram as minhas expectativas, já tinha tido mais do que a minha conta. Atendendo ao que vi, parece-me que alguém do ICNF deveria realizar um levantamento das zonas livres do Coura para propor uma acção de reabilitação dos troços com menores densidades. Era isso que deveria acontecer num país desenvolvido, mas em Portugal, resta mesmo esperar pela descida das trutas da concessão durante as chuvadas do Inverno. Terão que ser essas a restabelecer o equilíbrio … ou seja, fica tudo nas mãos do divino!! O que é preciso é que para o ano ainda sobrem algumas trutas no Coura para podermos lá passar e tirar mais alguns exemplares 🙂 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.