Um grande troféu do Tâmega …

Um grande troféu do Tâmega …

No final de Março, resolvi realizar uma visita a um dos meus locais favoritos no rio Tâmega. Com os dias a aquecer e os caudais a diminuir, achei que estava na altura certa para mais uma expedição. Como tal arranquei do Porto eram 6 da manhã, e por volta das 7h20 já estava a chegar ao meu destino. Tal como esperado, a madrugada estava ainda relativamente fria e o caudal do rio era o esperado para a época do ano; correntes sustentadas e água suficiente para por as amostras a rolar.

Para a faina, resolvi apostar a 100% no black minnow de 7 centímetros côr kaki, montado numa cana de 2,70 cm (Daiwa Ninja a estrear), com carreto Daiwa Exceler e fio 0,18 da Trabucco. Como a Grauvell Teklon de 2,7 cm que tinha partiu na base de forma ridícula durante uma pescaria aos lúcios, fui ao Cerdeira e comprei uma Daiwa Ninja de 2,70 cm, muito mais barata!! Estava na altura de a por à prova!!

Comecei a malhar na parte de cima de um açude pouco profundo. A amostra a evoluir de forma perfeita na água e nem sinal de peixe. Depois passei para uma zona com uma corrente sustentada e relativamente profunda. Em ambos os locais, já tinha realizado boas capturas em anos transactos, mas desta vez nem sinal de truta. Era claramente coar água sem qualquer gratificação. À medida que o tempo ia passando e eu me ia movimentando mais para montante, ficava cada vez mais com a sensação de que não ia ter muita sorte. Não se via qualquer sinal de peixe, apesar de o rio estar com as condições que me pareciam adequadas. Parecia impossível não estarem por ali trutas!! É que nem escalos e nem barbos se viam. Comecei a desmoralizar e a pensar que tinha escolhido o dia errado!!

Com mais de 3 horas de pesca em cima, cheguei ao final de uma corrente que desembocava numa série de pedras grandes que se erguiam fora de água no centro do rio. Estamos a falar de pedras de 3 a 4 metros de altura. Para conseguir pesca nesta zona, subi a um rochedo da margem e posicionei-me a pelo menos dois metros de altura. Conseguia ver tudo o que se passava à minha frente. Vários lançamentos para montante, nada. Dois lançamentos perpendiculares e a passarem em frente às ditas pedras e nada. Nem sinal de qualquer peixe. Mais um lançamento para montante … mais um perpendicular, e nada de nada. Já nas últimas faço mais um lançamento perpendicular, deixo o minnow afundar em frente às perdas e início uma recuperação mais lenta. O minnow vem a evoluir normalmente e mesmo à minha frente, vejo sair, o que me pareceu uma pequena cabeça, debaixo de uma pedra. O minnow passa-lhe mesmo por cima, e há um arranque debaixo para cima, e vejo uma cabeça gigante a engolir o minnow e a fazê-lo desaparecer completamente. Fiquei estupefacto a olhar para aquilo, mas não hesitei e cravei automaticamente. Aquilo que parecia uma truta pequena, transformou-se num lombo que arrancou vertiginosamente para montante, levando o fio que queria. Lá a tentei travei como podia, e valeu-me o facto de ela estar contra corrente. Fui apertando o carreto e trabalhando o peixe dentro das possibilidades. Entre corridas e cabeçadas, o meu maior medo era que os dentes traçassem o fio, por isso apressei-me a tirar o camaroeiro. Mas mesmo com o camaroeiro de fora, as coisas estavam complicadas, pois não conseguia chegar bem à borda de água. Lá fui apertando e cansando a truta, até que depois de mais de 10 passagens, consegui introduzi-la na malha. Uma grande truta do Tâmega!! Fez-me suar, mas não me conseguiu vencer. 70 centímetros e 3,5 kilos. O único exemplar de truta que vi e a única captura que realizei.

Depois desta captura, como imaginam, a pesca naquele troço terminou. Atendendo ao tamanho do exemplar e à escassez de peixe, não me parece que valesse a pena continuar. Já tinha tido a minha conta de emoções, e sobretudo de descarga de adrenalina, numa zona que continua a ser uma referência todos os anos. Aquela truta tinha feito o meu dia e portanto, às 11h30, dei a faina por terminada.

No global, fiquei satisfeito com o facto de se comprovar a fama do Tâmega na produção de grandes exemplares. Era algo que eu já tinha visto e ouvido, mas que nunca tinha a oportunidade de comprovar na ponta da linha. Desta vez, correu bem e ficou-me a vontade de voltar a repetir rapidamente a façanha neste grande rio. A ver se ainda consigo fazer mais uma expedição antes do final da temporada 🙂 🙂 … às grandes trutas do Tâmega!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.