Abertura na Lagoa Comprida …

Abertura na Lagoa Comprida …

Depois de muito esperar, chegou finalmente o dia mágico da abertura da pesca à truta na Lagoa Comprida na Serra da Estrela. Como de costume, foi preciso um planeamento apurado e bastante esforço para se conseguir tirar as licenças, mas o grande Ivo esteve à altura do desafio e depois de algumas horas de espera na fila na delegação do ICNF de Viseu teve a possibilidade de deitar as mãos a duas licenças para a abertura. Portanto, íamos ter a oportunidade de ser dos primeiros a pescar nesta lagoa.

Antevendo que o pessoal ia estar em cima do assunto desde muito cedo, arrancamos do Porto por volta das 3h30 da manhã e às 6h00 já estávamos a pegar no material para começar a faina. Surpreendentemente, a temperatura até estava bastante quente para aquilo que eram as nossas expectativas, e em vez de vestir, foi necessário tirar roupa. Só mesmo a neve que se fazia sentir nas margens da Lagoa é que permitia que existisse algum frio. Quanto à água da Lagoa, super-fria. Havia muita neve a derreter nas margens e o isco quando chegava às mãos transmitia uma sensação de bastante frio.

Quando chegamos, já lá estava bastante gente com o fio esticado. Muita gente no muro da barragem a pescar à bóia ou ao fundo … sabe-se lá com o quê!! Já nas margens, bastante gente ao spinning a deixar muito pouco espaço disponível para começarmos a malhar. De qualquer forma, encontramos um espaço mesmo junto ao início do muro na margem direita e começamos a malhar. Isco de eleição: Black Minnow.

Com os primeiros lançamento a sair da cana, fui olhando à minha volta e verifiquei que ninguém estava a tirar peixe, nem havia qualquer aspecto de peixe. Comecei logo a ficar com a pulga atrás da orelha. Entretanto, mais um lançamento e depois de um primeiro toque de cana, tenho um ataque e consigo cravar. A truta arranca com força, mas seguro-a com calma e consigo arrastá-la até à margem e para fora de água. Uma arco-íris com cerca de 42 centimetros e a dar alguma luta, mas não demasiada. Talvez sintoma do frio. Primeira para o saco e surgem os primeiros comentários do resto do pessoal que estava já a desanimar. O Ivo, entretanto, chega ao mesmo local que eu e encosta-se a mim. Altura ideal para eu conseguir mais uma captura em moldes quase totalmente idênticos à primeira, Ainda nem tinha saído do sítio.

Com esta captura, comecei a pensar que íamos ter uma boa pescaria, mas bem que me enganei. O sol começou a levantar-se e os toques cessaram completamente. Só o Ivo teve um toque súbito e depois de uma primeira hesitação, a truta entrou em força e cravou no Black Minnow que ele estava utilizar. Uma boa truta de 2kg, que não deu grande luta, mas que animou o panorama e que nos motivou para o resto do dia. Quanto ao resto dos pescadores, nada!! Nada de nada!!

Sentindo que a nossa sorte estava arrumada naquele local, fomos à procura de outras hipóteses, mas foi tempo totalmente perdido. Ainda não sei o que se passou, mas desde que o sol apareceu, terminaram completamente os toques. Desde as 7 da manhã até às 16h00 foi sempre a coar água. Mudamos de isco, mudamos de local, mudamos de roupa, fomos aos locais mais inacessíveis e de nada adiantou. Ao mesmo tempo, não se viam trutas a evoluir na água, nem a seguir as amostras. Os restantes pescadores começaram a abandonar a lagoa e isso era sinal de que não éramos os únicos com este problema. As trutas tinham parado de se mexer. Ainda falamos com um ou dois pescadores e todos se queixavam. Não havia peixe. Segundo eles, o ICNF tinha deitado apenas 350 kg de trutas arco-íris de má qualidade! Enfim, verdade seja dita que ainda consegui visualizar dois exemplares de arco-íris em mau estado a evoluir junto à margem que de certa forma, até confirmava a tese dos pescadores.

No global, foi uma abertura muito fraca relativamente aquilo que se passou em anos anteriores. A temperatura da água pode explicar algo do que se sucedeu, mas também a falta de uma política de repovoamento eficaz parece ter condicionado grandemente os resultados desta abertura. A falta de trutas de tamanho médio é gritante e notou-se no dia da abertura, bem como nos dias que entretanto já se têm seguido. Quanto a trutas grandes, ainda lá há algumas, mas é preciso alguma sorte, e também saber, para as tirar. Aliás, o grande Mota está de parabéns pelo grande troféu que lá tirou ontem! Era para ter ido com ele, mas a coisa correu mal, pois fui intimado a estar na Expocaça durante todo o dia!!! Bem que já me arrependi 🙂 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.