Revisitando a Barragem de Covas em 2012

Revisitando a Barragem de Covas em 2012


Segundo fim de semana após a abertura da pesca às trutas em 2012. Depois de um inicio de temporada em beleza, recebi uma chamada do meu grande amigo Eng. Zé Pintalhão a perguntar quando é que íamos ver dumas trutas. Tradicional aficionado destas andanças, o Sr. Eng. este ano falhou a abertura, porque tinha que atender a compromissos familiares em Angola. Como tal, vicio não faltava para atacar um rio truteiro assim que possível.

Assim, e depois de um ou dois dias a pensar sobre os cenários de pesca actuais, resolvi que valia a pena voltarmos a visitar o rio Coura perto da zona onde fiz a abertura, mais concretamente na Barragem de Covas. Atendendo ao elevado número de pescadores que por ali passaram na abertura e ao barulho que se fez nas margens, a minha impressão é que possivelmente muitas das trutas nem chegaram a ver as amostras, pois fugiram muito antes. Havia que comprovar.

Arrancamos da Maia por volta das 6h00 e chegamos a Covas por volta das 7 horas. A temperatura na zona litoral andava na ordem dos 14 graus, enquanto que na zona onde paramos o carro estava nos 4 graus … até pasmei .. 10 graus de diferença. Ainda pensei que isso fosse influenciar decisivamente o comportamento das trutas, mas nada disso. Mal entrei, comprovei que a temperatura da água estava muito mais alta do que na abertura e portanto as trutas deveriam estar mais activas.

Lá nos preparamos para arrancar. Eu equipei-me com cana de 1,8 metros, fio 0,18 da Fendreel e X-Rap de 7cm RT. O amigo Zé também alinhou por algo parecido e começamos a bater para jusante, desde as últimas correntes até ao muro da Barragem.

Inicialmente, o trabalhar do X-Rap foi sendo favorecido pelo facto da Barragem a montante estar a descarregar e como tal havia uma corrente razoável na zona onde começamos a pescar. No entanto, passado meia hora de pesca a comporta fechou-se e o nível da água veio para metade do habitual.

As primeiras duas horas de pesca foram totalmente infrutíferas. Não visualizei qualquer truta nas correntes. Até parecia que não existia lá nenhuma. Ainda troquei o X-Rap pelo Rapala CD-3 RT, mas sem resultados práticos. Só quando comecei a chegar à zona mais calma é que comecei a ver as primeiras trutas de jeito. Estamos a falar de trutas com tamanhos médios superiores a 23 cm e todas encostadas à margem esquerda. Ainda visualizei 6 a 7 trutas destas. Mal a amostra caía na água, já estavam a arrancar. Viam-me a milhas!!

Lá fui insistindo em conjunto com o Zé até chegarmos à ponte antes do muro da Barragem, mas nada. O nível de água estava tão baixo que existiam zonas onde eu nem conseguia trabalhar o rapala CD-3 como deve ser. Resolvi meter a Mepps Aglia nº1 para fazer o último troço até ao muro da Barragem. No dia da abertura, o Dr. Sousa Rodrigues tinha passado por ali e falou-me de uma truta que fugiu na margem direita. Como tal, resolvi passar para a margem direita.

Fui lançando a uma certa distância da margem e batendo a zona a milímetro. Entrei na curva e vi um borbulhar de truta à superfície. Lancei para lá … desviado cerca de 1 metro do local, para não assustar a truta. A colher passou pelo sítio, vejo um vulto em perseguição, mesmo colado à colher … afrouxo a recuperação e trás!! A truta abre a boca e eu cravo!! Sentindo-se ferrada, a truta arranca para montante com força, dá duas voltas, um salto fora de água e volta a nadar para montante. Eu levanto a cana e procuro segurar a truta … neste momento já estava com fio 0,12 … Canso-a durante um minuto e quando sinto que ela já está bem cansada, arrasto-a lentamente para a margem e deito-lhe a mão.

Uma excelente truta com umas cores espectaculares e a medir 27cm. Pareceu-me claramente a truta que fugiu ao Dr. Sousa Rodrigues 🙂

Com esta captura, o dia começou a animar. Até o amigo Zé ganhou algum alento, porque nos parece que por ali estava a iniciar-se alguma actividade mosqueira. Víamos vários peixes a comer a mosca em zonas muito específicas, mas não sabíamos se eram trutas ou escalos. Após mais de uma hora de faina e de tentativas infrutíferas, verificamos que se tratavam de escalos.

Batemos o final do troço até ao muro da barragem. Não vi mais nenhuma truta, mas o Zé ainda teve uma a dar-lhe baile, mas nada de morder.

Admirei-me de não ver qualquer pescador naquela zona, mas acredito que a maior parte esteja desanimada pela falta de chuva e sobretudo pelo reduzido número de capturas dos primeiros dias. O que me pareceu foi que as trutas já estão com níveis de actividade bastante bons, atendendo ao facto de que a temperatura já está a níveis elevados para esta época do ano. Agora só falta mesmo a chuva para animar as nossas trutas. Porque boas trutas nesta zona, não faltam.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.