Dia na Concessão do Alfusqueiro.

Dia na Concessão do Alfusqueiro.






Quarto fim de semana de Março de 2009.  Fim de semana de pesca programado para Tábua, pensando em dois destinos fundamentais: sábado – Alvoco e domingo – Alfusqueiro.  Depois de uma incursão solitária no Alvoco no sabado, que rendeu duas boas trutas (uma de 35 e outra de 26 cm), arranquei no dia seguinte para a Concessão de Pesca Desportiva do Alfusqueiro, onde iria disfrutar de uma jornada na companhia de dois tradicionais amigos destas andanças. Chegamos às 8h30 ao local de encontro com o responsável pela gestão da concessão, o Sr. Eng. Rui Ladeira. O dia apresentou-se nublado com algumas abertas e os lotes já tinham sido objecto de alguma pesca desde a abertura, à amostra, minhoca e à pluma. Portanto, não se antecipavam condições de pesca fáceis, até porque o rio já apresentava um caudal baixo. Os lotes atribuidos foram dois: um no rio Couto para a pesca à minhoca e um no rio Alfusqueiro, nas proximidades da foz do rio Couto, mais vocacionado para a amostra. Obviamente que este último era o que me interessava e foi para aí que fui destacado juntamente com um dos meus companheiros de pesca.

Esta não era a minha primeira vez no rio Alfusqueiro, pois já há uns anos, antes de existir a concessão de pesca, tinha realizado uma pescaria neste rio com o meu irmão. O lote atribuido não me pareceu ideal para a pesca com amostra devido ao baixo caudal e portanto comecei logo a sondar a possibilidade de poder mudar para o lote imediatamente a montante da EN. 333-2, onde eu sabia que existiam poços fundos e boas sequências de correntes com caudal razoável. Essa pretensão foi concedida e portanto decidimos avaliar a situação após uma hora de pesca. 

Mal chegamos ao lote que nos estava destinado, o meu companheiro de pesca resolveu mudar de botas e eu comecei a realizar os meus primeiros lançamentos com uma Mepps Aglia dourada com pintas vermelhas. Pescando à contra corrente, tirei logo uma truta de 23 cm no canto mais fundo de uma entrada de água. Esta abertura de hostilidades levantou os ânimos e começamos a pescar para montante. Pescando o rio a milimetro, fomos constatando que as boas trutas estavam localizadas nos poços com pouca corrente e demonstravam alguma passividade na abordagem à amostra. O baixo caudal apenas nos permitia tirar algumas trutas muito abaixo da medida nas correntes mais vivas. Trutas essas que foram imediatamente devolvidas à àgua. Só a montante da foz do rio Couto, numa zona de açude circundada por salgueiros, consegui fazer a minha segunda truta: 21 cm. Já tinha passado uma hora e meia de pesca. Pedi a mudança de local e avançamos para o lote que eu já conhecia de outras andanças!

Mal cheguei, verifiquei que os poços lá estavam e que o caudal estava muito mais apropriado para a amostra. As condições estavam tão boas que resolvi mudar de isco; troquei a Mepps Aglia pelo Rapala. Claramente uma boa aposta, pois as trutas começaram a sair. Em pouco mais de 2,30 horas, tirei 7 trutas, das quais 5 acima da medida e uma de 27 cm. O rapala estava a fazer grandes estragos e tirou duas trutas mesmo em frente ao meu colega que continuava a insistir na colher. Isto obviamente que aqueceu o ambiente de pesca e a competição, sempre saúdavel, começou!! Nos grandes poços, nas quedas de água e nas correntes mais profundas as trutas estavam à espera e atacavam fortemente o rapala. Tive pelo menos 20 mordidelas. Mais de metade não cravaram, mas as emoções eram fortes. O meu colega de pesca continuou a insistir na colher, atingindo quase o desespero pela falta de mordidelas. No final, tirei 7 boas trutas contra uma do meu parceiro. Enfim, um dia de alguma sorte, em que o prévio conhecimento do rio e a adaptação do isco às condições de pesca foram factores cruciais nos bons resultados da pescaria.

Depois desta excelente jornada de pesca e com o estomago a pedir conforto, decidimos avançar para um restaurante muito tipico no centro de Cambra (A Taberna do Lavrador) onde nos foram servidos uns suculentos e tenros nacos de vitela de Lafões. Uma autêntica delicia e especialidade que nos permitiu assentar ainda melhor as emoções da manhã.

No global, esta concessão de pesca desportiva recomenda-se fortemente. A quantidade de peixes e o nível de dificuldade de pesca são os ideais para o verdadeiro pescador de truta que gosta de um bom desafio. Tem lotes para todos os tipos de pesca e denota-se algum cuidado com a limpeza e manutenção das margens. Vale a pena visitar e disfrutar. Para reconfortar o estomago, visitem “A Taberna do Lavrador” – não ficarão desapontados – palavra de pescador!

Para mais informações sobre o rio Alfusqueiro, ver: http://www.trutas.com.pt/rio-alfusqueiro.html

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.