Trutas de Abril no rio Minho.

Trutas de Abril no rio Minho.

Meados de Abril de 2009, segunda ou terceira semana. Altura de atacar o rio Minho, já com mais de um mês depois da abertura oficial à truta. Com a confusão da nova legislação de pesca do Minho (tipica de Engenheiros que tiram cursos por fax), perdi a vontade de pescar no Minho em Março. Aliás, porque vim a saber que muita gente não quis saber e pescou na mesma desde o dia 15 de Fevereiro. Fiscalização?? Viste-a?? Só neste país!!

O local de pesca escolhido localiza-se na proximidade de Valença e é caracterizado por uma série de canais e por margens bastante cobertas com vegetação. Trata-se de um lugar onde o pessoal do corrico não consegue pescar perto das margens, deixando assim espaço para que algumas trutas estejam exclusivamente ao alcance do spinning apeado. Cheguei ao local por volta das 7h30 e encontrei o rio bastante calmo (barragem espanhola fechada) e ligeiramente encoberto por uma leve neblina matinal. Nem um pescador ou carro à vista, logo podia pescar tranquilamente.

O dia foi escolhido de forma intencional, pois interessava-me pescar na vazante, de modo a aceder a locais de pesca inacessiveis com a maré alta. Como o rio na proximidade de Valença é afectado pelas marés, convém planear a jornada de pesca tendo em atenção este aspecto. Portanto, margens íngremes e com enorme cobertura vegetal normalmente só são pescáveis durante 1 a 2 horas e nas proximidades do máximo da vazante. Preparei-me para o ataque com uma Mepps Aglia e com o carreto cheio para maximizar a distância dos lançamentos. No Minho, lançar mais longe é muitas vezes crucial para pescar mais trutas.

Na fase inicial da pescaria, concentrei-me numa zona de seixos e algas no caudal principal do rio, onde eu sabia que as trutas iriam procurar protecção durante a maré vaza. Avançando para jusante, tirei duas trutas fario de cerca de 22/24 cm. Tive mais duas mordidelas, mas nada de grande tamanho. Com o rio ainda apresentando algum caudal, este tempo foi essencialmente de espera para que a maré vazasse o suficiente, antes de avançar para os lugares mais dificeis. Quando a maré baixou para os níveis ideais, arranquei para um caudal do rio junto a um ilhéu onde as margens eram bastante ingremes e cheias de vegetação. Na água, havia também alguma madeira morta. Claramente o local para boas trutas, e quando lá cheguei vi logo algumas a fugir nas correntes com pouca água. Portanto, os primeiros lançamentos foram ineficazes, pois as trutas estavam assustadas, umas porque me viram, outras porque viram a correria das amigas. À medida que fui avançando para zonas de maior cobertura vegetal, tive uma primeira picadela de uma truta razoável que se descravou. Mais tarde, entrei numa zona bastante íngreme onde se encontrava um poço de cerca de 4 metros de profundidade, ladeado por duas árvores caídas sobre a água. Lancei para o meio, para um pequeno corredor de água. Quando a amostra vem a chegar aos primeiros ramos das árvores, a água explode com uma cauda a bater e o carreto a começar a dar fio. Temi logo que aquela truta era para perder! O sitio era bastante complicado para a trazer para a margem e ela demonstrava uma força incrivel. Enfim, foram 3 minutos de pura adrenalina para a conseguir cansar e ao mesmo evitar que ela se enrodilhasse nos ramos que estavam na água. Só ao fim deste tempo é que consegui meter o peixe de kg no camaroeiro. Claramente, uma truta sapeira com aspecto bulldog (ver foto). Daquelas que comem todas as rãs e sapos da área.

Motivado com este trofeu, avancei para uma zona ainda mais dificil para ver se conseguia mexer alguma marisca, mas nada. Satisfeito com a pescaria, resolvi terminar a jornada por volta das 14 horas, até porque a maré estava a subir e não convém facilitar. O troféu valeu pelo dia de pesca e havia que deixar mais para o próximo ano. 

Não se esqueçam que precisam de licença de pesca apeada válida para a capitania de Caminha para pescar no Minho. Para mais informações sobre pesca no rio Minho, ver: http://www.trutas.com.pt/rio-minho.html



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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.