Abertura na Ribeira de Covas e no Beça.

Abertura na Ribeira de Covas e no Beça.

Dia 1 de Março de 2010, destino Alto Tâmega, com a forte esperança de que as chuvas do fim de semana não se prolongassem para segunda-feira. Às 7h30, marcou-se o encontro da  equipa de pesca na povoação de Cerva para discutir qual a melhor estratégia a adoptar. Alguns notáveis da politica e da vida empresarial entre nós, mas todos iguais quando chega a altura de enfrentar mais um desafio atrás das dificeis e ariscas trutas :). Os seis pescadores presentes cobriam todas as vertentes de pesca à truta, desde a old school (pesca com iscos naturais), passando pela amostra até à new school (pesca à mosca sem morte). 

A chuva dos últimos dias fazia-se sentir por todo lado com muita água a escorrer pela estrada e com os pequenos rios de montanha a apresentar correntes impressionantes. O plano inicial de avançar para o Tâmega foi imediatamente posto de parte, pois o rio estava a correr fora das margens com correntes rapidissimas nas cascalheiras e portanto a pesca seria práticamente impossivel. Para piorar as coisas, a chuva continuava a cair de forma intermitente e a temperatura não evoluía favoravelmente. No global, o veredito de todos os pescadores apontava, e com razão, para a pesca à minhoca. 

Perante este cenário, resolvemos começar por tentar a nossa sorte nos ribeiros do Alto Barroso; ribeira de Gondiães e ribeiro de Covas no topo da lista. Entre os dois, decidimo-nos pelo ribeiro de Covas, pelo seu maior caudal, e deslocámo-nos para o local, chegando por volta das 9 horas a um parque de merendas localizado na margem esquerda. Isto não sem antes ter tido oportunidade de ver neve fresca na beira da estrada e nos pontos mais elevados do Alto Barroso. Mau sinal! O aspecto do ribeiro, como se pode ver pelas fotos, não era nada auspicioso, apresentando fortes correntes e poucos açudes. Para piorar ainda mais as coisas, verificamos que começava a chover com alguma intensidade. Enfim, as condições estavam muito más para o spinning. Dois de nós ainda tentaram o spinning pesado com rapalas, salmos, vibrax e ondulantes, mas nada. As trutas nem mexiam. Passado 1  hora, tinha-se tirado uma truta de 27 cm à minhoca e mais nada. Nem picadelas decentes! 

Perante este primeiro resultado desolador, decidimos tentar a nossa sorte na mini-hidrica do Beça que ficava a menos de 20 km. Com algumas peripécias, lá nos deslocamos até à mini-hidrica onde chegamos por volta das 11 horas. Visualizamos vários pescadores ao isco natural nas margens, em regime feirante, de cana ao fundo, fevera a assar e conversa em voz alta. Já tinham tirado algumas trutitas. Com menos corrente, pareceu-nos que tinhamos melhores condições para o spinning. Muito bem! Aproveitamos para trabalhar a margem esquerda para montante durante duas horas. Utilizamos sobretudo salmos, rapala x-rap e mepps (nos bancos de areia), mas nem toque de truta. Apesar de já terem passado por ali alguns pescadores, nada fazia antecipar uma prestação tão reduzida das nossas amostras, até porque estavamos, nalguns casos, a rapar o chão. Nada havia a fazer

Enfim, a pescaria estava tão negra, que resolvemos repor forças no restaurante “O Caçador” na Carreira da Lebre. Aí sim, pescou-se um bom bife mal passado de carne Barrosã, enquanto se planeava a jornada da tarde. Depois de muita discussão, resolvemos dividir a equipa em três, com dois sectores a apostar claramente na minhoca, enquanto que o último iria apostar na amostra no alto Beça. Eu ficava nesse último grupo com o Sr. Eng. José Pintalhão, grande companheiro e fiel amigo das andanças da pesca à amostra e responsável pela foto de grupo neste post.  Com o sol a querer aparecer e os caudais a tender para a descida, pareceu razoável esperar que as trutas alterassem o seu comportamento. Decidimos então entrar a pescar para montante numa boa sequência de açudes, isto num local onde já estavam mais de 10 carros estacionados. Para quem conhece o Beça, sabe que isto é o pão nosso em dia de abertura! O nosso último trunfo era tentar oferecer às trutas uma amostra diferente; a X-rap no modelo 6 cm com cor RT. Passado 3 horas de acção nem uma truta visualizei e pareceu-me só ter levado um toque no final de uma corrente. Relativamente ao isco, irrepreensível. Lançamentos razoáveis, acção extremamente viva e imitação perfeita de um peixe ferido. Trabalhou de forma espectacular, com as penas brancas na ponta do último triplo a dar-lhe um “pique” final, especialmente quando se para a recuperação do isco. Só a reportar uma falha: os tiplos parecem-me muito pequenos para a boca das trutas. Passei por vários pescadores de amostra e todos reportavam cestos vazios e toques inexistentes. As trutas não mexiam atrás da amostra. Estava ditada a nossa sentença.

Mais uma vez, cumpriu-se a tradição! Bons momentos disfrutados em excelente companhia! A nível de pesca propriamente dita, esta abertura foi bastante fraca para a amostra e sobretudo em rios de montanha, onde a influência da neve se fazia ainda sentir. Nem um toque e, pior do que isso, nem uma truta atrás da amostra. Só a minhoca funcionou, mas eu mantive-me firme na amostra até ao final. O erro do artista purista! O grupo pescou 16 trutas com minhoca todas com medida, tendo o melhor exemplar medido 27 cm. Alguns amigos também nos ligaram e reportaram 25 trutas á minhoca nos ribeiros da Serra da Estrela. No meu caso, pesquei o dia inteiro e só perdi uma amostra! Sobretudo fiquei bastante feliz com as condições dos rios que são um bom prenúncio para quando os dias aquecerem. Melhores dias hão-de vir!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.