Não é novidade para ninguém que estamos a atravessar um dos Invernos mais secos de sempre. Em algumas regiões do país, as reservas das albufeiras e os caudais dos rios já estão nos níveis típicos do Verão e como tal começam a surgir as primeiras vozes a alertar para uma possível situação complicada a vários níveis, incluindo ao nível da fauna piscícola. Com níveis muito abaixo do normal, os peixes poderão estar muito mais concentrados e vulneráveis à acção dos pescadores.
Olhando para os principais sites de referência em termos de meteorologia, já verifiquei que nos próximos tempos as promessas de chuva não se vão concretizar. Ou seja, vamos chegar ao dia da abertura da pesca às trutas com condições ainda mais dramáticas do que aquelas que se verificam neste momento nas principais massas de água do nosso país. Perante este cenário, a pergunta torna-se óbvia: Será que faz sentido abrir a pesca desportiva à truta em todo o território nacional com este tipo de condições?? Ou será que devemos adiar a abertura em determinadas zonas, ou mesmo a nível geral, esperando que caiam as primeiras chuvas dignas desse nome?
Atendendo aos reduzidos caudais dos rios, sou levado a pensar que as trutas estarão muito concentradas em áreas especificas dos rios (poços e açudes) e poderão estar muito mais vulneráveis aos nossos iscos, sobretudo naturais, já que após a época da desova ainda não tiveram a oportunidade de ter algumas chuvadas de jeito que levassem uma quantidade de alimento considerável para o leito do rio. Neste tipo de cenários, será que a pesca não será um contra-senso, aumentando o stress junto de uma população de trutas já fragilizada e sendo especialmente pródiga em capturas nos primeiros dias? Não sei se será assim efectivamente, mas o que me parece é que temos ponderar se a nossa acção de pesca é mais desportiva ou predatória. Como eu a entendo, uma actividade desportiva deve ser aquela onde o nosso oponente deve ser confrontado nas suas melhores condições, de forma a termos um desafio digno desse nome. Neste momento, não me parece que estejam reunidas as condições para que isso aconteça e aqui fica este alerta!
Aliás, a própria lei tende a ser clara neste tipo de questões e diz o seguinte no artigo 42º do Decreto de Lei 44 623 de 1962 (Regulamento de Pesca em Águas Interiores):
“Artigo 42.º É proibido pescar e apanhar peixe nas zonas aquáticas cujo nível de água tenha descido até um limite que afecte a segurança da sua fauna aquícola, salvo em casos excepcionais superiormente autorizados”
A lei na íntegra segue abaixo:
Agora o que se deve fazer?
O ideal seria uma tomada de posição da Autoridade Florestal Nacional relativamente a esta matéria, aplicando uma alteração excepcional à data da abertura da pesca às trutas em todo o território nacional, ficando a mesma condicionada a decisão extraordinária determinada pela retoma dos níveis mínimos aceitáveis dos caudais para a prática desta actividade. Como isto não vai acontecer, o melhor mesmo é esperar que sejam os pescadores, devidamente organizados ou de forma individual, a gerir esta situação. As associações de pescadores que estão à frente de concessões de pesca desportiva devem tomar essa decisão sempre que o caudal dos lotes que estão a gerir estejam abaixo do aceitável, enquanto que os pescadores de forma individual, podem sempre reduzir o seu esforço de pesca ou as suas capturas, quando as condições forem extremamente complicadas.
Enfim, apesar de saber que o vicio aumenta a cada dia, também não posso deixar de notar que a chuva parece que não quer cair à força toda!! Perante isto, as restrições em termos de esforço de pesca podem começar a fazer todo o sentido para preservarmos as populações de trutas que ainda vão habitando no nosso país.
Sei que este ponto de vista não é consensual, mas aqui fica esta semente para mais uma discussão 🙂



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Só não é consensual para aqueles que só tem como objectivo o número de trutas que levam nos seus cestos,nos primeiros dias de pesca,muitas das quais sem medida legal,aproveitando-se do descanso do defeso.
A pesca da truta deve de ser vista como um desporto e nunca como um produto culinário ou afirmação pessoal,onde os menos escrúpulosos,não olham a meios para atingir os seus objectivos…triste e pobre mentalidade!
João Dias
Por muito que me custe e porque o vicio ja aperta tenho que admitir que deveria ser feita uma alteração á data da abertura…eu falo aqui pela minha zona em que os rios e ribeiras levam um caudal muito reduzido, o que vai proporcionar um grande numero de capturas nos primeiros dias mas com danos irreversíveis nas populações truteiras…Da minha parte, se nao houver alteração á data nao vou faltar a abertura…mas nao vou pelo numero de capturas mas sim pelo dia em si e tambem para alertar os restantes para que sejam conscientes e nao se tornem predadores…
Abraço a todos.
Realmente da maneira que isto esta os rios pouca agua levam o que torna as trutas mais vulneráveis, mas se a consiencia de cada 1 falar mais alto e não levarem o cesto cheio para “parecerem” os maiores, acho que a pesca vai ser mais animada com mais capturas mas também mais libertações . . .
Falam dos lúcios que devoram tudo, mas cada vez mais vejo mais predadores fora do que dentro de agua . . .
Libertem uma truta para que no próximo ano pesquem 2 ou 3 . . .
Boas!
Isto não está façil…ainda ha pouco falou-se aqui de propostas de alteração da lei da pesca de águas interiores, e uma delas seria o condicionamento da época de pesca devido a catástrofes naturas ( secas, incendios)…
Estão a falar de antecipação da abertura? E porque não falar e discutir o cancelamento da abertura até os caudais serem repostos?
Por muito que me custasse, e quem me conhece sabe o quanto me custava não pescar, prefiro não pescar durante esta época do que nunca mais pescar na vida, devido a individuos que vão encher o cesto de tudo o que se mexe! Porque se correntes não há….as trutas so podem estar em poços!Isto vai acontecer….pelo que a fiscalização de pescadores a pescadores vai ser fundamental!
Ainda hoje fiz uma viagem e o Parque Natural da Serra da Estrela já estava literalmente a arder….estamos no Inverno!
Abraço
Grande Miguel,
Pensei que a minha mensagem tinha sido clara … mas já vi que se calhar não passou como eu queria 🙂
O que eu defendo é um adiamento da abertura da pesca às trutas até que estejam reunidas as condições para termos sessões de pesca normais. Isso não vai ser feito por quem de direito, mas nada nos impede que tomemos essa decisão de forma individual ou colectiva, reduzindo o nosso esforço de pesca e o número de capturas que retemos. Parece-me algo razoável, mas é apenas uma ideia. Se tudo correr bem, até temos chuva mesmo no dia 1 de Março. Já há previsões meteorológicas nesse sentido. Vamos ver se se confirmam.
Abraço,
Boa noite a todos. Eu penso todo o contrário. Penso que não se deve adiar para nada a abertura, o que se deve fazer é fechar antes a temporada se não há agua, e se tem de ser em Abril, pois em Abril. E dou duas razões: Primeira, pode não haver nunca maior caudal nos rios do que agora, e então não nunca deveria haver abertura. Os donos de lojas de pesca também tem de comer, ainda podem ter de despedir empregados. O momento de maior força de compra de material é agora; estragar a abertura pode ser uma pancada muito dura para a economia de muitas pessoas, maior do que fechar a temporada antes. Sei que isto pode parecer olhar só para a curta data, mas postos a escolher preocupa-me muito mais a saúde física e social dos seres humanos do que a dos peixes. Não estamos numa altura histórica para andar com brincadeiras. É mais, a única explicação que vejo para que a data de abertura no rio Minho seja muito anterior à da abertura geral no resto do pais é pura e exclusivamente económica, não se sustenta dum ponto de vista biológico;e é algo que não se esta a questionar. Segunda: não acho para nada que sejamos nós a exterminar-mos as trutas. As trutas já se exterminaram umas às outras neste inverno. Se o rio esta limpo sempre há de ficar a semente. As águas estão super límpidas, vejo muito optimismo sobre as capturas que possa haver, vai ser muito difícil engana-las. Alias, se calhar o que há que fazer é precisamente ir apanhar as grandes antes de que comam o resto nos poços. De um ponto de vista biológico acho que as trutas de tamanho médio melhor garantem a sobrevivência da espécie. Sei que tenho teimosia contra “as velhas”, mas na minha experiência poder ser tão devastadoras num poço como os pescadores.
Boas!
Claro que entendi a tua mensagem…foi clara! eu e que me enganei…e em vez de escrever adiamento…escrevi antecipação! Efeito de quem dorme pouco! eheheheheheh
Abraço
A mensagem faz sentido, mas não diria adiar a abertura.
Mas sim pesca sem morte, ou pelo menos aplicar medidas maiores, como 35 cm para a truta fario, ex…
Boas people posto isto posso dizer que realmente tenho a concordar com tudo o que foi dito pelo Pingo Doce, acho que cancelar não faz sentido, adiar muito menos, porque o caudal pode nunca mais aumentar generosamente ao ponto de poder forçar a saída das grandes trutas dos poços. Seria uma “martelada” muito grande na economia dos vendedores e de quem vive da venda de material.
Quanto as retenções, todos nós sabemos que tem de partir da consciência de cada um, mas nem todos tem. Muita truta sem medida será capturada e nas duas próximas épocas é que vamos ter noção do que realmente aconteceu pela falta de caudal/caçadores furtivos de Trutas.
Eu até concordo com alguns argumentos que apresentas PingoDoce, mas isso das “velhas” já vi que é coisa que te persegue 🙂 Compreendo que elas comam quase tudo o que está nos poços onde habitam, mas põem uma grande quantidade de ovos e em zonas com muito menos água. Os próprios alevins e trutas mais jovens concentram-se posteriormente nessas áreas menos fundas, onde as trutas mais velhas não costumam estar e conseguem sobreviver. Assim, parece-me que um rio normal terá locais para todos os tipos e tamanhos de trutas co-habitarem, mesmo em situações de menor caudal. Enfim, acho que qualquer população animal, incluindo as de trutas, deve estar equilibrada e deve ter um determinado número de trutas velhas que não poderá, obviamente ser em excesso. Agora sem trutas “velhas” ou sobretudo de grande tamanho (que é isso que penso que queres dizer), acho que a população pode ter dificuldades em se regenerar, especialmente se estivermos a falar de fêmeas com grande capacidade reprodutora. Ainda hoje, o Neiva tem as trutas que tem devido à existência destes grande bichos. Bem me lembro (já há mais de 10 anos) de trutas com lombos entre 2 e 6 kg durante a desova na Ponte de Barroselas e mesmo em Ponte de Anhel. Nunca estas trutas depenaram o património truteiro da zona – nessa altura trutas não faltavam. Só o homem (poluição, construção sobre a linha de água e pesca furtiva) é que tem contribuído para a diminuição da densidade que existe no Neiva. Mas mesmo assim, as trutas ainda lá estão em boa quantidade e as tais velhas (com lombos de respeito) também por lá andam e não são tão poucas como parecem.
No que diz respeito aos vendedores de material de pesca, concordo com a perspectiva que apresentas, mas só em parte, ou seja no curto prazo. No médio e longo prazo, uma população de trutas não sustentável posta em causa por uma sobre-exploração em situações excepcionais, vai levar a menos pesca, menos pescadores e menos vendas no futuro. Portanto, o equilíbrio neste ponto também é fundamental, já que a interdependência é muito elevada. Se quiserem ganhar tudo hoje, podem perder amanhã. Só todos ganhamos com mais trutas, melhores trutas e uma melhor organização do sector, nem que para isso se tenham que fazer alguns sacrifícios pontuais.
Um abraço,
Pois é!nem a propósito!ainda ontem as fotografei….http://trutaseserras.blogspot.com/2012/02/rio-neiva.html
Lá está … mais uma grande truta 🙂
É quase do tamanho do calhau …
Amigo João,
Já temos novo Presidente naquela coisa que é para ser AFN+ICNB: Paula Sarmento.
Não sei se é de rir ou de chorar 🙂
Um abraço,
Mas essa senhora(Eng.)está habituada a gerir as águas da bacia hidrográfica do Alentejo e o Alqueva!….e lá não há trutas.
Esperemos que a sua experiência na gestão de massas de água sirva os interesses dos pescadores e sobretudo seja bem aconselhada para os grandes problemas que se vivem actualmente na pesca das trutas.
Quanto ao novo organismo penso que se irá chamar
-Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
Abraço,
João Dias
Boas!
Vi agora uma noticia que a Camara de Paredes de Coura, adiou a abertura 1 mes, devido ao fraco caudal do rio!
Finalmente alguem que tem juizo neste país!
Pode ser que essa nova Sr. Doutora Engenheira siga este bom exemplo!
Abraço
Pois .. claramente um exemplo a seguir.
E segundo sei, a iniciativa teve que partir dos pescadores desportivos via abaixo-assinado.
Lá está! Se não formos nós a tratar destes assuntos, não há hipótese nenhuma de termos uma gestão de jeito a nível nacional.
Um abraço,
é as velhas que eu persigo tambem eheh