Rio Rabagão – nova concessão de pesca

Rio Rabagão – nova concessão de pesca




Ainda este ano, eu e o Ricardo estivemos a pescar no rio Rabagão entre a Barragem dos Pisões e a Barragem de Venda Nova. Tiramos algumas trutitas de pequeno tamanho, mas ficamos sobretudo deslumbrados com a excelente qualidade da água, da paisagem e do património genético truteiro que habita aquelas águas. Na altura, e em post publicado aqui, tinha referido a necessidade de proibir a pesca em determinadas zonas do troço onde andamos por serem locais preferenciais de desova para as trutas de Venda Nova.

Agora é com surpresa que verificamos que praticamente toda a extensão do rio Rabagão entre a Barragem de Pisões e Venda Nova foi concessionada à Montes Perdidos – Associação de Caçadores e Pescadores do Alto Cávado e Rabagão. A concessão foi concedida por 10 anos, tem uma extensão de 7,77 km e o montante da taxa anual devida pela concessão é de 32,59 euros!! Um montante ridículo que nos faz pensar sobre a incompetência de quem gere estas coisas, já foi alertado para estas questões e continua a fazer a mesma burrice.

Truta 18 cm Rio Rabagão 2013 Rio Rabagão   nova concessão de pesca

Para conhecerem mais sobre este despacho, podem consultá-lo abaixo:


Portanto para o ano já sabem! A pesca livre neste troço do Rabagão terminou e portanto só uma meia dúzia é que vai poder desfrutar da possibilidade de tirar umas boas trutas nestas águas. Mais uma vez, o local de obtenção das licenças deve ser no fim do mundo e o telemóvel não funciona e o email é para esquecer. Resta-nos as saudades de poder ter pescado neste local de forma livre e tudo isto por meia dúzia de trocos! 32 euros! 32 euros/ano!!

Chega de brincar com os pescadores desportivos!! 32 euros por anos para privar todos os outros de pescar em águas de primeira qualidade que eram livres, é um insulto e um roubo grave de património público, especialmente quando temos um governo sem dinheiro que nada mais faz do que nos ir ao bolso todos os anos com aumentos de impostos para manter estas ineficiências e estes compadrios.

Quem quer ter o luxo de restringir a pesca, indivíduo ou associação, tem que começar a pagar valores justos de mercado. E não me venham com tretas de associativismos e socialismos e outras tangas. Isso sempre foi um argumento para manter feudos de alguns, que já existem na caça e agora vão também passar para a pesca desportiva. Tudo isto é completamente inadmissível e só me faz pensar que é preciso por moralidade nestas coisas. Também me faz pensar que este Secretário de Estado e estas ministra estão a fazer um péssimo trabalho nesta área e por mim, podem arrumar as botas rapidamente. E estou à vontade para dizer isto, porque tenho uma ideologia de direita.

Precisamos de gente séria, conhecedora destas problemáticas e com a autonomia partidária para fazer o que é preciso, sem olhar a interesses feudais. Está na altura de termos uma nova lei geral da pesca, uma nova lei específica para salmonídeos e taxas de mercado sérias para quem quer excluir os outros de pescar. Esta gente que está no poleiro neste momento não vai fazer nada!! Primeiro, porque têm medo, e segundo porque não sabem nada do assunto. Assim, sendo façam o favor de sair! Chega de incompetência encoberta por uma bonita retórica oca e inconsequente que anda preocupada com o número de cães e gatos que posso ter! Estamos fartos de palradores e precisamos de fazedores. Enquanto estiverem os palradores no lugar dos fazedores, não há futuro para este país.

Fica aqui o desabafo, já tardio, mas ainda a tempo de evitar um futuro cada vez mais negro. A tendência está aí e está-se a instalar de forma bastante rápida. Em poucos mais de 10 anos, devemos ter quase 90% das águas truteiras concessionadas a preços de banana e com menos pesca, menos trutas e mais ração. Ainda vamos a tempo de introduzir seriedade neste processo, senão vale mais começar a pensar em pescar às trutas noutros países ou então arrumar as canas!!

pixel Rio Rabagão   nova concessão de pesca


Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.