Devons – Amostras com história

Devons – Amostras com história

Pouco conhecidas em Portugal, as amostras  “Devon” são referências importantes na pesca à truta anglo-saxónica. Apesar de alguma perda de notoriedade no momento actual, estas amostras têm uma longa tradição na pesca da truta e do salmão. Os relatos mais antigos referentes a estas amostras vêm do século XIX e sugerem que naqueles tempos a maioria destes iscos eram fabricados em casa por alguns pescadores mais especializados. Só mais tarde, no principio do século XX, é que começaram a surgir os primeiros produtores especializados destes iscos. Um deles, a Allcock, surgiu nessa altura e até hoje mantém-se como uma referência na produção destas amostras.

O devon é um isco simples que baseia o seu poder atractivo numa forte capacidade rotativa. A sua estrutura assenta num eixo principal sobre o qual assenta uma estrutura de madeira, plástico ou metal com duas abas laterais desniveladas que são responsáveis pela rotação. Nas versões mais antigas, o eixo estava acoplado ao resto da estrutura e como tal a rotatividade imposta pela recuperação da amostra transmitia-se rápidamente à linha. Esta situação tendia a causar uma forte torção da linha e como tal diminuia a sua resistência. Para solucionar este problema, os pescadores de então utilizavam dois tipos de devons em sequência: um que rodava para a esquerda e depois outro que rodava para a direita.

Nas versões mais modernas, o eixo aparece desligado da estrutura ou então tem um destorcedor na sua parte terminal (de ligação à linha). Isto permite uma redução significativa do impacto da rotação sobre a linha de pesca. Mesmo assim, o devon tem vindo a cair em desuso, devido à concorrência imposta por amostras pretensamente mais eficazes como são os peixes artificiais ou as colheres.

Para o spinning, os devons são iscos aconselháveis para zonas de correntes, nomeadamente nas versões afundantes. No entanto, alguns pescadores acreditam que estas amostras são mais eficazes para o corrico. Para este tipo de pesca, aconselham-se sobretudo os devons flutuantes montados com um destorcedor triplo ao qual estará ligado um peso que assegura a profundização do isco. Quer o devon, quer o peso devem ter um linha de ligação ao destorcedor com uma distância de segurança que não suscite dúvidas às trutas.

Esta amostra pela sua história merece a nossa atenção. É claramente mais uma opção para as nossas caixas de pesca e pode fazer a diferença em dias especiais. Possivelmente, alguns de nós até podem ser especialistas nestas amostras :). Se tal for o caso, não se esqueçam de deixar aqui as vossas contribuições. Eu tenho um destes na minha cesta e ainda não o pus a nadar. Na próxima época, vai para a ponta da linha 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.