Com o aproximar da próxima temporada de pesca à truta de 2014, vão-se intensificando as acções de repovoamento de trutas. Desta vez, a acção de repovoamento realizou-se no concelho de Vieira do Minho e foi realizada pelos Serviços Florestais em colaboração com a Câmara Municipal.
Segundo notícia que nos chegou, a acção não visou o repovoamento de nenhum curso de água específico, mas sim a melhoria genérica das densidades populacionais dos vários cursos de água do concelho. De acordo com as fontes competentes, esta foi uma iniciativa que visou apenas aumentar o stock populacional para satisfazer os interesses dos pescadores na temporada que se avizinha.
Síntese da notícia pode ser encontrada abaixo no site da Câmara Municipal de Vieira do Minho:
Mais uma vez, e à semelhança do que já tenho feito em posts anteriores, questiono-me sobre a legitimidade científica e visão estratégica desta acção de repovoamento e sobre os seus impactos nas massas de água em que ocorreu. Isto porque estamos a entrar em plena força na altura de desova das trutas indígenas e os cursos de água apresentam caudais relativamente reduzidos para esta época do ano.
Assim, parece-me bastante estranho que perante este conjunto de condições se possa realizar um repovoamento eficaz nesta altura do ano. Está-se a aumentar a pressão piscícola sobre um habitat aquático em stress por falta de água e ainda por cima, estão-se a introduzir elementos estranhos no normal processo de desova das trutas. Se o repovoamento visava apenas criar massa crítica para satisfazer os pescadores da zona, penso que poderia ter sido muito bem realizado uma semana antes da abertura. Se a intenção era preservar a população truteira das massas de água em causa, penso que foi um erro com consequências imprevisíveis no médio e longo prazo.
Mais uma vez, espero que tenham utilizado o património genético específico de cada massa de água nas sessões de repovoamento, porque caso contrário o problema ainda é mais grave.
Enfim, fica mais este apontamento sobre esta problemática do repovoamento que para mim se está também a tornar uma técnica demasiado recorrente. Ao contrário do que muita gente pensa, os repovoamentos são mais uma fonte de problemas do que de soluções. Em Portugal, usa-se e abusa-se do repovoamento porque é a técnica mais fácil de repor stocks. Todas as outras (eliminação da poluição, preservação de locais de desova, reparação de açudes, controlo da pressão de pesca) são mais trabalhosas e menos populares, mas são claramente as mais eficazes no médio e longo prazo.



_
.
.

You must be logged in to post a comment.