Lima e Coura ao salmo em 2009.

Lima e Coura ao salmo em 2009.

Segundo Sábado do mês de Março de 2009, dia de visitar o rio Lima a montante de Ponte de Lima. Depois de uma abertura menos conseguida a montante de Ponte de Barca, caracterizada por muitos pescadores e poucas trutas, estava na altura de explorar uma célebre sequência de correntes e poços com várias profundidades. Este local era considerado desde logo como bastante promissor, por que na temporada anterior tinham sido visualizados bons exemplares de farios e mariscas. Cheguei ao rio já tarde, por volta das 7h30, mas não vi sinais de pescadores nas redondezas. Decidi apostar nos rapalas CD-3 Gold, porque o caudal do rio estava a níveis normais para a época, possivelmente pelo facto da Barragem de Touvedo não estar a debitar. Os primeiros lançamentos em águas baixas de 2 açudes nada produziram. Não se via nem aspecto de trutas no rio.

Entretanto, passado uma hora e meia, cheguei a um poço mais fundo com uma corrente considerável. Depois de alguns lançamentos, comecei a achar que precisava de mudar de amostra. Enquanto pensava no que fazer, apareceu um pescador profissional para recolher as armadilhas das lampreias e começamos a conversar sobre amostras e pescarias. Contou-me que tinha realizado uma péssima abertura na concessão desportiva do Vez (poucas trutas e quase tudo de viveiro) e que gostava imenso dos rapalas jointed na versão floating. Depois a conversa evolui para os salmões do Lima e aí ele referiu que em Janeiro desse mesmo ano vários pescadores tinham visualizado bons salmões a desovar nos açudes. Enfim, enquanto a conversa decorria foi-me surgindo a vontade experimentar os salmos que tinha comprado na semana anterior. Mostrei-lhe os bichos e ele não ficou muito entusiasmado. Continuava na onda do rapala jointed, chegando mesmo a dar-me um para eu lançar. Lá lancei, mas nada! As trutas deviam estar amarradas ao fundo e era lá que tinha que por o isco. 

Tudo isto pareceu-me bom sinal para mudar de táctica. Toca a amarrar um salmo de cor truta e a lançar! Ao primeiro lançamento para o meio de uma corrente profunda, por entre duas arvores e em situação quase impossivel de recuperar a linha, pica logo uma truta de 30 cm. Do tipo voador, esta truta saltava continuamente com o salmo na boca, não perdendo sequer tempo para tocar na água. Depois de a conseguir manobrar por entre as árvores, lá foi para o cesto. O amigalhaço que viu o feito, ficou literalmente boquiaberto. Quis observar bem a amostra e perguntou-me onde é que a comprei. Depois disto, pegou no carro e foi-se embora (talvez para comprar uma igual:), digo eu).

Já sozinho, resolvi insistir numa corrente mais a montante, onde tinha visto no ano passado duas trutas comuns de 500 gramas e de 1 kg. Fiz vários lançamentos, mas nada. Entretanto, o caudal de água começou a subir devido à abertura da comporta de Touvedo. Com águas mais frias, as perspectivas de picadelas diminuiram. Só depois de muito insistir é que tirei uma truta de 23 cm. Também com o salmo. Tendo terminado com os troços de rio onde existiam correntes profundas, pensei em mudar de rio, sobretudo, porque o caudal já estava muito elevado para poder trabalhar a amostra convenientemente. Voltei para o carro e toca a almoçar para recuperar forças.

Depois de muito reflectir sobre o próximo paradeiro, decidi-me pelo Coura no troço a montante da Barragem de Covas. Conhecido pelas suas boas correntes com alguma profundidade, pareceu-me ser o local ideal para por os salmos a nadar, até porque os pescadores da zona abusam da colher nesse troço. Meu dito, meu feito. Mal cheguei começou a festa. Ao segundo lançamento já tinha cravado a primeira truta. Depois foi sempre a andar! Em 2h30 pesquei mais 4 trutas todas com tamanhos entre os 23 e os 26 cm. Era pura beleza. Lançamentos na diagonal ou para jusante e recuperações lentas, deixando a corrente por o isco a trabalhar. O salmo entrava na água à contra corrente, afundava e as trutas atacavam com uma força brutal. Foram momentos espectaculares, pois muitas delas tinham que ser trabalhadas e tiradas em zonas dificeis com muita cobertura vegetal. Enfim, para quê palavras? As imagens falam por si. Uma pescaria inesquecivel que terminou por volta das 15h30.

No final da pescaria, foi possivel retirar duas conclusões. Primeiro, muitas vezes os dias imediatamente a seguir à abertura são muito mais produtivos do que a própria abertura. Segundo, a amostra salmo provou o seu estatuto de isco de topo para a pesca à truta, tirando trutas que mais nenhuma conseguia mexer.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.