Os pescadores politicamente correctos!

Os pescadores politicamente correctos!




Este é claramente um post de opinião e alerta que visa chamar a atenção para uma realidade que nos afecta a todos. Desde há cerca de 10 anos para cá, começou a surgir na pesca à truta um grupo de pseudo-pescadores que pretende tomar este desporto de assalto e instalar-se como uma elite através de uma politica de terra queimada. Falo de meia dúzia de fundamentalistas que se acobertam sob o slogan de pesca sem morte para instalar o conflito entre pescadores de trutas. Estes não são os verdadeiros pescadores de trutas sem morte! São uma raça com pouco tempo de vida, desenraizada das nossas tradições mais ancestrais e sem cultura democrática. É, no fundo, um grupo de elitistas que se considera politicamente correcto por cavalgar uma variante da pesca à truta que está na moda. Para estes individuos,  só eles têm direito de existir, só eles protegem as trutas e se não fossem eles já não existiriam trutas em Portugal. Esquecem-se que antes deles, muitos já praticavam esta arte milenar com morte, mas sempre de forma equilibrada, assegurando a manutenção da espécie. De facto, se perguntarem a estes “artistas” se existem trutas nos nossos rios, vão claramente dizer que estão em extinção ou que já estão extintas. Como esta classe representa claramente um dos tentáculos de movimentos ambientalistas radicais que procuram minar o nosso desporto, era muito esperar que percebessem algo de pesca em rios não protegidos e com trutas bravas. Para quem fez um curso de pesca intensivo no programa de “Novas Oportunidades” e está habituado a pescar em zonas concessionadas ou viveiros de trutas, os nossos rios são desafios impossiveis de compreender. Ainda bem!

A politica de dividir para reinar deste tipo de gente tem que acabar. Os inimigos dos pescadores de trutas não são outros pescadores, mas sim a poluição, a ignorância, a politica selvagem de construção e gestão de barragens, a falta de legislação apropriada e a inexistente fiscalização. Independentemente de pescarem com ou sem morte todos os pescadores de trutas devem unir-se à volta de designios comuns que procurem preservar as nossas trutas. Virar-nos uns contra os outros é uma perspectiva infeliz daqueles que nos procuram retirar força e acabar com este desporto. E não se iludam meus caros. Se a pesca com morte terminar, passados poucos anos há-de lhes seguir a pesca sem morte. Apesar da pesca sem morte ser mais aceitável, não deixa de ter impactos negativos sobre as trutas: nomeadamente em termos de stress (tempo de luta superior à pesca com morte), mortalidade (anzóis cravados em zonas sensiveis e trutas que partem as linhas), etc. 

No Trutas.PT defendemos todo o tipo de pesca às trutas, com ou sem morte. Apesar de a nossa vertente ser claramente a pesca com morte, acolhemos com amizade quem pensa de forma diferente. Numa democracia saudável, todos devem ter o seu espaço e respeitar o espaço dos outros. Funcionamos sem hipocrisias. No entanto, deixamos um alerta claro: se pertencerem à seita dos fundamentalistas da pesca sem morte, por favor, não visitem este site nem aproveitem os conselhos e informações que nele estão disponiveis. Isto não é para vocês! Não sejam hipócritas e remetam-se à vossa ignorãncia e aos vossos espaços online! Nós agradecemos!

Finalmente, um último conselho para quem gosta de ser intolerante. Atenção aos pescadores locais nos rios que visitam. Nada de atitudes irresponsáveis e ignorantes que visem hostilizar essas pessoas. Muitas delas não têm formação e algumas pescam de forma ilegal. Portanto, oq  que elas precisam é de ser encaminhadas no bom sentido. Precisam de um discurso civilizado e de cidadania que procure alterar comportamentos e formar futuras atitudes de pesca mais pró-conservacionistas. Atitudes violentas ou irresponsáveis são totalmente contraproducentes e prejudicam-nos a todos. Um pescador local hostilizado pode trazer consequências graves para o nosso desporto. Primeiro, gerando violência gratuita contra todos os pescadores indiscriminadamente, riscando carros, furando pneus e mesmo pondo alguns a descer o rio na horizontal (e aqui fica a nota – alguns deles andam sozinhos, mas bem armados!). Segundo, um pescador local que está farto dos pescadores de trutas pode limpar todo um troço de um rio truteiro em pouco tempo, com lixivia, redes, bombas, etc. Portanto, meus caros, nada de atitudes elitistas e menos tolerantes. Há que procurar integrar e não hostilizar aqueles que mais perto estão das trutas e que mais podem fazer por elas.

Fica este apontamento que penso ser importante para alertar algumas consciências menos iluminadas para este tipo de questões. Todos os pescadores de trutas estão no mesmo barco e está na hora de começarmos a formar uma plataforma comum que proteja os nossos interesses junto da Administração Central. A pesca à truta em Portugal ainda está a anos luz daquilo que se faz de melhor em outros países da Europa. Está na altura de mudar! Para isso, precisamos de estar unidos. Conflitos dentro da nossa classe só servem os interesses dos nossos inimigos.

 Tenho dito e estarei atento!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.