De volta às trutas do Âncora

De volta às trutas do Âncora




Dia 14 de Abril de 2012. Depois de alguns dias de chuva intensa, e perante um fim de semana de pesca às trutas com potencial, estava na altura de decidir qual a massa de água a pescar. O relógio do carro já marcava 10 horas e as minhas opções não eram muitas. A chuva ainda continuava a cair, por vezes com alguma intensidade, e eu a fazer contas à pressão de pesca na maioria dos rios a norte do Cávado. Certamente que os pescadores de spinning mais afoitos já tinham feito a primeira passagem nalguns dos troços mais promissores. Os outros, com medo da chuva, possivelmente estavam à espera da primeira aberta a sério para entrar.

Bem, meti-me à estrada e resolvi fazer a EN. 13 até Vila Praia de Âncora. Com a densidade de trutas que lá tinha visto da última vez, podia fazer sentido voltar ao ataque. Tudo iria depender do caudal, da cor da água e da pressão piscatória. Cheguei por volta das 11h30 (claramente tarde), preparei-me e em menos de 10 minutos já estava a pescar. Escolhi o equipamento de spinning médio para a pesca com peixe artificial (rapala CD-3 RT); cana de 1,8 metros e linha 0,18 da Fendreel.

Infelizmente, o rio não apresentava um panorama muito promissor. A chuva não tinha sido suficiente para por o rio no seu máximo. O caudal estava ligeiramente acima do normal e a cor ligeiramente turva. Podia ser que rendesse, mas não iam ser condições de primeira água.

Desta vez, resolvi pescar de jusante para montante, arrancando desde o último açude do rio Âncora. Os primeiros lançamentos foram feitos logo na zona do açude e em 5 tentativas, vi o primeiro peixe a subir e a dar uma troçada no isco. Era bicho pequeno e não tinha ficado. Um bom sinal. Com este bom presságio, resolvi atacar a zona exposta à maré. Ainda fiz o percurso da última vez, mas as pegadas que vi, não deixavam dúvidas. Já ali tinha passado alguém no mesmo dia ou no dia anterior, e nem vi sinais de trutas. Deviam estar bem assustadas!!

Enfim, um pouco desanimado, resolvi atacar para montante, trabalhando a zona entre as duas pontes. Voltei aos lançamentos largos e colocados, e em menos de 15 minutos, num lançamento cruzado para montante, tiro a primeira truta. A truta estava por entre duas árvores, mesmo no meio da corrente e atacou o rapala de forma feroz. Ainda deu a luta do costume, mas o seu pequeno tamanho (cerca de 15 cm), não dificultou a captura. Em menos de 20 segundos, foi devolvida à água … mais um lindo exemplar do Âncora … Nunca me canso da beleza destas trutas 🙂

Depois desta primeira captura, avancei mais para montante, procurando concentrar a minha atenção nas zonas com mais corrente. Entretanto, a chuva demorava em aparecer e o céu começou a tornar-se gradualmente mais claro. Isto deu azo a que eu começasse a ver os primeiros carros a parar de mansinho na zona da ponte da EN. 13. A concorrência estava a querer chegar-se.

Enfim, não me preocupei muito, porque já não estava muito longe do final do troço livre. Lá apertei a marcha e comecei a ver mais umas trutas atrás do rapala. Num canto apertado cercado por várias árvores, cheguei mesmo a ver uma truta de cerca de 35 cm a dar as voltas do costume ao rapala, mas mantendo-se sempre à distância de segurança. Ah, bicho fino!! Ainda tentei um novo lançamento para o mesmo sitio, mas não houve segunda vez.

Já no final do troço, e perto de uma entrada de água, vejo algumas trutas a fugir perto de uma corrente de seixo. Perante isto, lanço para a cabeça da corrente, começo a recuperar e vejo uma sombra a arrancar com uma rapidez brutal e atacar o rapala como um raio. Nem deu hipótese. Cravei com força e a truta saltou fora de água de imediato. Tentei segurá-la, pois não sabia como estava cravada. Ela arrancou para montante e eu comecei a puxá-la para baixo, procurando evitar que se metesse nos arbustos da margem. Felizmente, ela voltou para o centro do rio e com calma, coloquei-a ao meu alcance. Depois de a ter cansado e verificado a posição dos triplos, levantei-a a peso e deitei-lhe a mão. Mais um lindo exemplar de 23 cm. Pura beleza 🙂

Terminada a captura e perante o aproximar da hora do almoço, avancei até ao limite da concessão de pesca desportiva. Ainda fiz o último cotovelo a milímetro, mas apenas vi uma truta de bom tamanho na minha margem e mesmo debaixo dos meus pés. Essa já me tinha visto e só se queria certificar que o rapala era de brincar. Estava feito o dia por ali!

Mais uma vez, o Âncora proporcionou alguns bons momentos de pesca num dia com potencial. A chuva não tinha sido suficiente para por as trutas em actividade máxima, mas alguma coisa tinha mexido. Estava na altura de visitar outras paragens, à procura de melhor sorte.

Não me vou esquecer do Âncora, caso chova mesmo a sério 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.