As lindas trutas de um Ribeiro de Lanheses

As lindas trutas de um Ribeiro de Lanheses

Mais um dia de pesca cinzento, com alguma chuva a ameaçar. Depois de pensar bem sobre alguns locais onde poderia me divertir a tentar tirar umas trutas, resolvi avançar para a bacia hidrográfica do Lima. Estava na altura de voltar a revisitar um excelente ribeiro que corre na zona de Lanheses e que costuma albergar uma boa densidade de trutas. Apesar de as trutas não serem de grande tamanho, a elevação e cobertura vegetal das margens criam um desafio interessante e permitem que se passem uns bons momentos.

Cheguei ao local por volta das 9 horas da manhã e verifiquei com satisfação que a zona não apresentava rastos de passagem recente de pescador. Equipei-me com material de light spinning e preparei-me para mais uma jornada em grande. Iria pescar de jusante para montante e desde da confluência do ribeiro com o Rio Lima.

Os primeiros lançamentos surgiram logo na foz do ribeiro. Lancei para a esquerda, para a direita, tentei atacar mesmo um bocado do rio Lima, mas sem sucesso. Viam-se alguns peixes a mosquear e ainda me pareceu sentir um toque, mas nada que me fizesse suspeitar de que poderia ter alguma sorte por ali. Sem resultados práticos, comecei a avançar para montante e a entrar numa zona mais fechada, onde existem alguns poços de bom tamanho, alimentados pelas marés.

Mesmo à entrada de um desses poços, realizo um lançamento de fisga para montante, começo a recuperar e quando a colher vem a meio caminho, sinto um toque e tenho uma truta presa. Era uma truta de pequeno tamanho, mas com um aspecto bastante belo. Não deu muita luta e rapidamente foi devolvida ao seu meio natural.

Depois desta captura, ainda lancei mais três vezes no mesmo local e vi algumas trutas do mesmo tamanho a seguir a amostra. No entanto, só seguiram!!

À medida que fui avançando para montante, comecei a notar que o crescimento da vegetação estava no seu auge e que relativamente a anos anteriores, existiam muitos locais que estavam totalmente fora do alcance dos pescadores. Aliás só depois de andar mais de 150 metros é que voltei a encontrar mais um buraco para pescar. Era um buraco bem razoável que permitia deslocar alguns metros dentro do ribeiro, mas não trouxe grandes novidades. Certamente que, antes de mim, já muita gente tinha passado por ali.

Passaram-se 20 minutos sem novidades e fui lentamente avançando para montante. Voltei a entrar noutra zona mais limpa. Andei alguns metros para montante, lançamento a procurar o centro do ribeiro, recuperação e mais uma truta a atacar a amostra. Consigo cravar e rapidamente a coloco ao alcance da minha mão, pois apresentava uma pequena dimensão. Já era a segunda truta do dia 🙂

Animado por mais esta captura, fui trabalhando a margem direita até chegar a um poço razoável, já muito perto da EN para Ponte de Lima. Lançamento para montante, para a entrada do poço, começo a recuperar, e quando a amostra entra na zona mais funda, mais um toque e desta vez, cravo com força e deparo-me com uma truta de tamanho mais razoável (18 cm). Lá a a deixei lutar, porque estava numa situação difícil, e quando notei algum cansaço da parte da minha oponente, coloquei-a ao alcance da minha mão. Mais um lindo exemplar a ser devolvido de imediato.

Entretanto, o tempo quis melhorar e pareceu-me que tínhamos chuva no horizonte. Fui avançando ainda mais para montante até chegar a um zona bastante calcada pelos pescadores. Tratava-se um corrente lenta e profunda com cerca de 10 metros. Lancei a primeira vez, e não vi qualquer peixe. Lancei a segunda vez, exactamente para o mesmo local, e quando a colher vinha a meio caminho, sinto um toque forte e vejo uma truta a afundar. Levanto a cana e começo a trabalhar o peixe. A truta tenta fugir para os ramos da margem, mas mantenho-a sempre com tensão máxima. Foi-se cansando e quando vi que estava com a cabeça fora de água, levantei-a e deitei-lhe a mão. Com 21 centímetros e umas cores espectaculares, era um troféu de primeira qualidade para aquela massa de água.

Depois desta captura, o tempo começou a ficar mais calmo e deixei de ver trutas com a densidade que tinha observado até então. Ainda calcorreei algumas centenas de metros para montante, mas senti que estava a perder tempo. Algo me dizia que por ali, as trutas estavam mais picadas. Perante isto, comecei logo a pensar em cenários alternativos que envolviam mudar de local e, portanto, não tardou muito a que fizesse o caminho de volta ao carro.

No global, gostei de rever este ribeiro da zona de Lanheses e de constatar que no seu troço mais baixo existe uma boa densidade de trutas. Isto é um claro sinal de que a população se tem mantido estável e esperemos que assim continue nos próximos tempos. Aliás, como podem ver pelas fotos, estamos a falar de exemplares de trutas com umas cores belíssimas e de grande pureza genética. Pena que não tenhamos mais massas de água assim por esse país fora 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.