Análise da mortalidade das trutas devolvidas …

Análise da mortalidade das trutas devolvidas …

Na sequência de um comentário bastante pertinente do nosso colaborador Zero-Cool, resolvemos publicar uma análise bastante completa sobre a mortalidade das trutas devolvidas à água nas sessões de pesca desportiva. Este artigo está publicado no forum Kacipesca e é da autoria de Fernando Alonso Gutiérrez.

Em traços muito genéricos, este pequeno estudo procura desmistificar alguns aspectos que ainda são aceites por alguns pescadores. Desde logo, a questão mais crucial é a crença por parte de alguns “artistas mais casmurros” de que não vale a pena devolver as trutas à água depois de serem pescadas, pois vão morrer de qualquer forma. Este, aliás, é o principal flagelo com que ainda nos deparamos nas nossas águas, já que muitos levam trutas para casa abaixo da medida com base neste pressuposto. Nada está mais errado, porque efectivamente, e em qualquer caso, a probabilidade de sobrevivência está sempre acima dos 50%. Portanto, há que devolver sempre trutas com tamanho abaixo da medida legal!!

Truta Rio Âncora -15 cm presa na linha

Quanto às técnicas de pesca, a pesca com mosca lidera os ratings de menor mortalidade, sendo a mosca seca a melhor técnica de todas para se pescar sem morte. No lado contrário, temos a pesca com isco natural que acaba por gerar uma mortalidade de aproximadamente 30%. Algo que nos parece razoável, atendendo ao facto de a truta engolir mais o isco e ter que ser manuseada mais tempo fora de água. Surpreendeu-nos, no entanto, pela positiva, o facto de as colheres e os peixes artificiais terem rácios de mortalidade muito próximos da pesca com mosca artificial (tabela 2 do artigo abaixo). Isto comprova que pescar com estes iscos artificiais não significa realizar uma pesca depredatória, como infelizmente alguma gente mais fundamentalista parece fazer crer. A diferença entre mosca artificial e outros iscos artificiais não nos parece de todo muito significativa.

Já no que respeita ao tipo de anzóis usados, a coisa muda de figura. Os anzóis sem morte têm resultados muito surpreendentes em todas as técnicas de pesca e sobretudo na pesca com iscos naturais. A redução na mortalidade é de cerca de 50% nos iscos artificiais, mas atinge os 75% nos iscos naturais, passando de 33,5% para 8,4%. Isto é claramente um sinal bastante interessante e que poderá ter todo o interesse em termos legislativos. Não me admirava nada, que por uma questão conservacionista, se começasse a pensar na obrigatoriedade do uso de anzóis sem morte para todas as formas de pesca e sobretudo para a pesca com iscos naturais. Isto poderia ser fundamental para preservar as trutas mais pequenas e de menor tamanho, que acabam por ser as mais vulneráveis na hora da devolução.

Para quem quiser ler este artigo na íntegra, o mesmo segue abaixo:

No global, penso que este é um primeiro estudo que precisa de ser ratificado com outros dados de outras massas de água. De qualquer forma, os resultados que aqui são reportados não parecem estar muito longe da realidade efectiva da pesca desportiva à truta. Portanto, acho que devemos ler e reflectir sobre aquilo que andamos fazer durante as nossas jornadas de pesca.

Para já, e para mim, um ponto é crucial, a devolução de trutas com tamanho inferior à medida legal é obrigatória por lei, mesmo quando pescadas com isco natural. Não há razão para não cumprir este preceito. Se este post servir para alterar a consciência de quem levava trutas para casa abaixo da medida, penso que já valeu a pena abordar este assunto 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.