Rio Vez com caudal forte … e algumas trutas!

Rio Vez com caudal forte … e algumas trutas!


Depois de uma semana intensa de chuva, resolvi rumar à zona de Ponte de Barca para ver se era possível fazer uma jornada de pesca às trutas, ou no Rio Lima, ou na Barragem de Touvedo. Sabia que as probabilidades eram muito diminutas e à medida que fui fazendo caminho e observando as correntes do Rio Lima através do IC, comecei a perder a esperança. Não me parecia que fosse possível lançar a colher com sucesso no Lima, nem que a Barragem de Touvedo estivesse a nível aceitável para se poder calcorrear as margens.

Enquanto ia a matutar nestes assuntos passo por cima do Rio Vez e vejo uma corrente forte e sustentada na zona mais parada. Decidi-me logo!! Ia parar o carro e bater aquele troço do Vez. Conhecedor do bom tamanho e das excentricidades das trutas que por ali habitam, considerei que estavam as condições ideais para poder ter sucesso na captura de algum troféu. Correntes com força e alguma cor na água eram aspectos bastante interessantes, o que era preciso era que o caudal não descesse muito rapidamente. Mas para isso era preciso alguma chuva … Mesmo que a chuva não viesse, eu tinha sempre 3 a 4 horas de pesca razoável.

Perante as condições que vi, comecei com material de spinning normal; cana de 1,8 metros, fio 0,18 e amostra X-Rap 6 cm RT. Resolvi, numa primeira fase, bater só os açudes para jusante, e depois iria então para montante à procura das águas mais lentas e correntes mais sustentadas.

Na deslocação para jusante, nada mexeu e nem vi sinal de truta. Explorei os recantos mais fundos e as zonas de maior intensidade de entrada de água, mas o peixe não estava ali. Normalmente, nestas alturas, as trutas do Vez sobem dos poços para as correntes e simultaneamente algumas trutas mariscas e salmões empreendem a sua viagem para montante. Determinados açudes tornam-se locais privilegiados para albergar estes bons exemplares, mas não naquele dia. Ainda mudei de isco e insisti nas zonas onde em anos anteriores tinha tido sorte, mas nada. No final, reparei nalgumas pegadas do dia anterior, e ainda pensei que quem por ali tinha passado poderia ter condicionado a pesca, mas muitas vezes isso é um engano, porque com estas condições o peixe tende a manter-se firme nas suas posturas.

Rio Vez com forte caudal em Março 2013

Enfim, como para jusante não deu nada, fiz o caminho de volta ao ponto de partida e resolvi trilhar a margem esquerda para montante. Iria abordar as correntes mais lentas, e tentar mexer algum exemplar que estivesse mais escondido debaixo das margens. Algo que não me espanta no Vez, pois no ano passado vi uma truta de kilo mesmo encostada à margem e metida num emaranhado de algas, a cerca de 30 centímetros da superfície.

Com a chuva a não aparecer a sério, comecei a notar uma quebra no caudal e como tal fui experimentado iscos mais leves, desde a Mepps Aglia ao rapala CD-3 RT. Os resultados não foram animadores, pois apenas vi algumas trutitas muito pequenas atrás da amostra e como tal resolvi voltar de novo ao X-Rap. Ia ser daquelas sessões onde iria tirar uma boa truta ou nada.

Lá fui palmilhando o centro do rio o mais possível. Não se viam trutas. À medida que fui avançando, a corrente começou a apertar e entrei numa zona mais rápida e de menor profundidade. Nesta zona, os remoinhos e a maior profundidade estavam do meu lado. Na minha margem existia uma forte cobertura vegetal e as raízes entravam pela água a dentro. Era local para algumas trutas estarem protegidas e à espera de alimento.

Entro num destes sítios, lanço para montante, controlo a recuperação do rapala, deixo-o ir um pouco para jusante e quando ele vem a entrar na minha margem e já a chegar aos meus pés, vejo uma sombra castanha a persegui-lo, mas sem ter tempo para o abocanhar. Era uma boa truta. Sabendo que ela ainda não tinha provado os anzóis, lancei na perpendicular e deixei o rapala derivar mais. Quando entrou na minha margem, dou dois toques de cana e sinto uma puxão na linha. Cravo instintivamente e começa uma boa luta do outro lado. A truta sentiu-se ferrada e tentou logo meter-se na margem, eu, pelo meu lado, avancei mais para dentro do rio e puxei-a mais para o centro. Com a corrente a seu favor, a truta foi tentando saltar fora de água e enrolar a linha, mas sem resultado. Depois de cerca de 1 minuto, e já cansada, deitei-lhe a mão e coloquei-a em zona limpa. Já estava do lado de cá! Uma linda truta de 27 centímetros do Vez (foto de capa).

Depois desta captura, ainda tinha mais um pouco de corrente para bater para montante. Adoptei exactamente a mesma técnica que anteriormente. Mais uma vez numa zona de buraco, repito a rotina e quando a amostra entra na minha margem, outro toque, eu cravo e a truta começa a saltar fora de água. Era uma truta maior do que a anterior, com cerca de 30 centímetros. Lá a tentei segurar, e colocar-lhe a cabeça fora de água. Ela deu duas cabeçadas e eu consegui-a segurar, mas à terceira, ela descrava-se dos anzóis e foge. Já pouco faltava para lhe deitar as mãos! Enfim … tinha sido mais fina do que eu 🙂

Depois desta peripécia, ainda bati mais meia hora num açude para montante, mas sem resultados práticos. O caudal estava a diminuir substancialmente e ainda não se conseguia mudar de margem. Com a vegetação a tornar-se intransponível, resolvi colocar um ponto final naquela incursão. As condições de pesca eram as ideais, eu tinha insistido com um bom isco para trutas de bom tamanho e a resposta foi a que se viu. Passadas 4 horas de pesca, tinha que rumar a outras paragens. O Vez deu um ar da sua graça, mas algo falhou para esta se tornar numa jornada memorável. A falta de grandes trutas foi um aspecto importante, mas elas andam por lá!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.