Seca nos nossos rios em Dezembro de 2013

Seca nos nossos rios em Dezembro de 2013

Recentemente, e na sequência de mais uma deslocação para terras do Interior à caça, tive oportunidade de verificar aquilo que já há muito sabemos ou suspeitamos. Até este momento, e no que diz respeito a pluviosidade e condições dos caudais dos rios truteiros, este será um dos piores Outonos que temos vindo a viver nos últimos anos.

Depois de umas chuvadas em Outubro, temos vindo a atravessar dias de bastante frio com muita pouca chuva. Com isto, apenas se repôs a água necessária para manter os níveis do Verão. Esta situação tem-se traduzido em caudais bastante reduzidos dos rios, que para além de porem em causa as condições de pesca para a próxima época, estão a tornar a desova das trutas mais complicada. Efectivamente, já estamos em pleno período de desovas em algumas massas de água, e as actuais condições não permitem que as trutas subam os rios e possam aceder aos seus locais favoritos de desova.

As fotos que se encontram neste post e tiradas esta semana no Rio Alfusqueiro em Campia confirmam o actual estado de seca. Na foto de capa é mesmo visível que existem grandes porções de areal a descoberto no centro do rio. Por sua vez, na foto abaixo, é notória a fraca corrente que se encontra abaixo do açude. No global, uma situação impensável para esta altura do ano.

Rio Alfusqueiro corrente Campia Dezembro 2013

Bem sei que o Rio Alfusqueiro pode não ser o exemplo mais correcto para expressar a gravidade desta situação, devido à existência de uma mini-hídrica a montante, no entanto, parece-nos que a situação nos outros rios também é preocupante.

Posto isto, importa saber o que irão as autoridades e o ministério fazer se esta situação se mantiver por mais tempo. Existem já alguns prognósticos de pluviosidade para breve, mas possivelmente poderão já não ser suficientes para colmatar os danos causados. Neste contexto, convinha que alguém no Ministério que tutela estes assuntos começasse a planear uma estratégia para responder a um eventual cenário de seca grave no próximo ano. Desde logo, o controlo dos caudais mínimos e uma maior monitorização da utilização de água deverão ser medidas no topo da lista. A proibição da pesca e de outras actividades serão soluções de último recurso, se a situação piorar para níveis dramáticos.

Acho que convinha ir pensando sobre estas coisas de forma atempada, porque a tendência é clara. Já estamos fartos da política das “calças na mão” que acaba por levar sempre a péssimos resultados com mortandades de trutas ou outras situações piores. Não podemos nos dar ao luxo de deixar a coisa andar desgovernada, porque já não temos trutas suficientes para muitos erros de gestão de palmatória. Já foram cometidos erros demais!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.