As primeiras trutas do Rio Coura

As primeiras trutas do Rio Coura

Meados do mês de Março e surge a oportunidade para a primeira visita a sério ao Rio Coura. Depois de uma abertura em que a passagem pelo Coura se revelou extremamente infrutífera, estava na altura de voltar a este grande rio para ver se as trutas ainda estavam por lá e qual a sua densidade. O dia estava com algum sol, boa temperatura e algum vento. Não eram as condições ideais para tirar algumas trutas, mas podia ser que elas quisessem colaborar.

O meu primeiro vislumbre do Rio Coura ocorreu mal passei por Vilar de Mouros. Com a maré em cima e alguma força de corrente a observar-se na água, percebi logo que a Central de France devia estar a funcionar. Perante isto, não faria muito sentir pescar no troço baixo do Coura. Mesmo assim, e para tirar as teimas resolvi fazer alguns lançamentos na saída da conduta da Central. Para tal, equipei a minha cana com linha 0,12 e uma Mepps Aglia nº1.

Primeiro lançamento para a corrente forte e nada. Segundo lançamento para a saída da conduta e nada. Terceiro lançamento para a lateral esquerda mais calma, começo a recuperar e sinto um toque. Quarto lançamento para o mesmo local, consigo cravar uma boa truta que salta imediatamente fora de água. Lá a tento segurar como posso a mais de 3 metros de altura e trago-a para fora da corrente. Para evitar perdê-la, desço a margem (que este ano está muito mais limpa) e agarro-a com calma à terceira tentativa. Mais uma linda truta do Coura. A primeira do ano!!

Truta 25 cm Rio Coura Março 2014

Depois desta captura, ainda insisti um pouco mais no local e nas redondezas, sem resultados práticos. Levei um pequeno toque na corrente, mas de resto apenas vi pequenas trutas a mexerem-se muito lentamente. Sintoma da passagem de vários pescadores na zona (pelas pegadas que se viam na margem) e de alguma passividade ainda natural nas trutas nesta altura do ano.

Com cerca de meia hora de pesca no local, resolvi avançar para montante. Ainda parei algum tempo para pescar na Ribeira de São João (post já publicado) e depois avancei para a zona de Covas.

Aí deparei-me com condições bastante favoráveis; barragem cheia e alguma corrente sustentada que vinha de montante. Resolvi entrar no último açude, junto ao parque de merendas e realizar alguns lançamentos com o material que trazia de início. Nada mexeu, mas as condições pareciam-me boas … Resolvi meter o fio 0,18 e o rapala X-Rap de 6 centímetros RT.

Comecei a avançar lentamente para montante e a lançar nas zonas mais propícias. O rapala a funcionar bem, mas as trutas nem vê-las nos primeiros quinze minutos. Por contraste, pegadas nas margens não faltavam …

Fui avançando até que cheguei a uma zona de árvores que me costuma ser bastante rentável. Lançamento para a outra margem, por entre uma zona com bastantes árvores, e vejo um primeiro lombo a mexer-se. Não consigo perceber o tamanho. Volto a lançar e nada. Volto a lançar e acerto ligeiramente mais para montante. Começo a recuperar, sinto uma pancada na linha, cravo instintivamente e vejo uma truta com mais de 35 centímetros a saltar mais de meio metro fora de água e a cuspir o rapala. Até fiquei cego das ideias! Começava mal a festa e o dia não estava para falhanços! Aquela era uma linda truta que já não voltava a picar! Azar puro!!

De qualquer forma, e mesmo assim, voltei a insistir no mesmo sítio e ainda tive outro toque … Começava a surgir actividade …

Depois deste local, avancei mais para montante e cheguei a uma zona com mais corrente. Lançamentos para a outra margem e visualizo duas pequenas trutas a seguir o rapala. Consigo ter um toque, mas nada especial. Concentrei-me na zona mais calma para montante da corrente. Lançamento para montante, começo a recuperar, sinto um toque e vejo uma boa truta de 26 centímetros atrás do rapala. Mais uma que já me tinha visto …

Ainda não totalmente desmoralizado, sigo para o spot seguinte. Consigo meter o X-Rap por entre as árvores, começo a recuperar e sinto um puxão. Cravo com força e a truta salta fora de água. Esta não me ia fugir. Aplico força máxima para a trazer para jusante … ela bem arranca para montante, mas sem grande convicção. Não a podia perder!! Levanto-a no ar e para o lado de cá. Outra bonita truta do Coura.

Truta 24 cm Rio Coura Março 2014 X-Rap

Depois da captura, pensei que a minha sorte mudasse, mas em vez disso piorou. Até Covas, foi sempre a lançar, a trabalhar bem o rapala, a ver boas trutas a brincar com ele e dar toques, mas a não cravarem. Ao princípio até fiquei satisfeito pelo facto de ver boas trutas na zona, no entanto a partir de determinada altura a frustração de não capturar nada começou a impor-se … As trutas estavam no dia delas e conseguiam controlar o impulso no último segundo … Ainda fui mesmo até à ponte de Covas, mas já foi só por descargo de consciência. Com o sol da tarde a picar … dei-me por vencido!!

No global, gostei de voltar ao Coura e verificar que as trutas ainda lá andam e mais manhosas do que nunca. Certamente que os melhores dias deste rio ainda estão para vir, mas aquilo que vi em Março deixa-me bastante optimista relativamente ao resto da temporada … Agora só falta lá voltar … para ver se tenho mais sorte … 🙂 🙂

Related Posts with Thumbnails




Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.