Nas correntes do Rio Tâmega …

Nas correntes do Rio Tâmega …




Depois de uma primeira e curta visita ao Rio Tâmega que deixou muitas saudades, era natural que eu não perdesse muito tempo a planear uma próxima deslocação. Assim, e aproveitando um dia de chuva com alguma intensidade, resolvi visitar o rio Tâmega no mesmo local onde já tinha estado da vez anterior. A pescaria só podia acontecer de manhã, porque à tarde tinha que estar no Porto e como tal havia que escolher bem os sítios a bater.

Atendendo à primeira pescaria do Tâmega este ano, resolvi bater os troços mais acima e mais abaixo, tentando insistir nas correntes mais profundas que estivessem a montante de poços ou açudes com boas profundidades. Interessava sobretudo maximizar o potencial para capturar bons exemplares, já que a minha ideia era pescar ao heavy spinning.

Cheguei a Amarante por volta das 7 horas da manhã, e às 7h20 já estava no rio. Escolhi um açude relativamente largo para começar a faina e iria pescar até à saída de um afluente. Os primeiros lançamentos saíram nesse açude e nem toque tive. Bem insisti na parte mais funda, mas apenas consegui visualizar um achigã de mais de meio kilo a passar aos meus pés e a olhar para mim. Nada de truta.

Durante meia hora, coei água e fui avançando até à corrente. Na corrente, malhei toda a extensão do rio e só quando consegui fazer um lançamento de mais de 50 metros para um poço na outra margem, mesmo à saída da corrente, é que consegui ter o primeiro toque. Senti uma pancada forte, mal a colher caiu na água, e quando comecei a recuperar, notei uma boa truta presa do outro lado (mais de 30 centímetros), mas de repente descravou-se!! Enfim, mau presságio!!

Imediatamente após esta captura falhada, começou a chover. Lá fui andando para montante, e entrei na zona onde já tinha estado em Março. Bati toda a área, mas nem sinal de truta. Parecia impossível. Em duas horas de pesca, andei só a coar água. Só na ponta final, e mesmo junto à saída de uma linha de água no Tâmega é que tive um bom toque. A amostra já vinha a chegar aos meus pés, numa corrente de seixo pouco profunda, quando sinto uma boa pancada e não consigo cravar. Bem insisti, mas a truta tinha sentido o anzol.

Com este andamento, já eram 11h30 e a grade começava a parecer cada vez mais real, numa situação em que as condições atmosféricas até eram bastante promissoras.

Sem grande esperança de continuar para montante, voltei ao carro e resolvi ir mais para jusante, à procura de um poço de boas dimensões que tinha visto mais próximo de Amarante. Entretanto, a chuva aumentou de intensidade.

Este poço era claramente o maior de todos os que tinha visto no Tâmega e ia desembocar numa corrente relativamente rápida. Comecei a lançar na zona mais funda e lenta do poço, e depois fui-me encaminhando lentamente para a corrente. Na zona do poço, nem sinal de peixe. Parecia que as trutas estavam em dia não.

Sem grande esperança, e com o tempo a escassear, dirigi-me para a corrente. Lançamentos a procurar a outra margem e depois a concentrarem-se no centro da corrente. Num destes lançamentos para o centro da corrente, comecei a recuperar e quando a amostra vinha a meio caminho, sinto uma pancada e cravo. A truta arranca para jusante e eu levanto a cana para a segurar. Ela começa a enrolar e eu tento dar algum fio para a desenrolar. Mal se sente liberta, arranca novamente para montante. Fui-a seguindo com calma e posicionei-me numa zona de areia para a tentar encostar a mim. Quando a notei mais cansada, puxei-a para a areia e deitei-lhe a mão. Uma linda truta de 33 centímetros do Rio Tâmega. Umas pintas pretas espectaculares!!

Truta 33 cm Rio Tâmega Abril 2015

Com esta captura realizada mesmo no final da pescaria, fechei o dia. Disparei apenas mais dois lançamentos para o mesmo local, caso a truta estivesse acompanhada, mas como não estava, resolvi fechar o tasco.

Esta foi mais uma visita ao Tâmega que me permitiu conhecer mais um pouco deste rio e ter um melhor feeling para o posicionamento e densidade das trutas. O dia até estava bom, mas as trutas não pareciam estar em modo de alimentação. Vou continuar a insistir e quero ver se antes do fim da época ainda passo por lá novamente. Nunca se sabe!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.