Troféu na Ribeira de Alfaiates …

Troféu na Ribeira de Alfaiates …


Domingo, dia 16 de Maio de 2010. Muito sol, algum vento e os primeiros índicios de calor a sério a surgirem no ambiente. De manhã estive atarefado com alguns trabalhos que era preciso terminar e reservei a tarde para uma visita à Ribeira de Alfaiates, num troço a jusante da concessão de pesca desportiva. Sabia que este era troço muito batido e como tal as minhas expectativas não eram muito altas. Interessava sobretudo passar um óptimo final de tarde de Domingo atrás de umas belas trutas.

Saí de Figueira de Castelo Rodrigo por volta das 14 horas, paragem em Espanha para abastecer, e cheguei ao local por volta das 15h20. Tive que deixar o carro na estrada de asfalto, peguei no material de light spinning e comecei a trilhar um caminho de terra que ia dar directamente à Ribeira. Demorei cerca de 30 minutos a chegar às suas margens. Quando cheguei, notei que a ribeira corria com um caudal razoável e que as águas estavam com uma tonalidade cor de chá. A cobertura vegetal nas margens era bastante intensa e apercebi-me que dentro de água existiam várias algas, algumas com um nível de crescimento impressionante.

Resolvi começar a pescar na margem esquerda para jusante, tentando evitar que a minha sombra aparecesse na água. Não me interessava bater todas as correntes. Interessavam-se sobretudo os poços e as correntes profundas que eram zonas onde poderiam estar trutas de bom tamanho. Os lançamentos deviam sair para a margem oposta, realizando depois uma trajectória em U.  

Seguindo esta estratégia, comecei a pescar com alguma calma. O tempo estava muito quente para grandes esforços e as trutas deviam estar acobertadas nas zonas mais profundas e com maior densidade vegetal. Os primeiros lançamentos foram totalmente infrutiferos. Viam-se pequenos alevins atrás da colher, mas nada de especial. Também visualizei alguns bons exemplares de bogas e barbos que deviam ter subido do Côa para a desova. Trutas, nem vê-las 🙂 

E assim passei duas horas. Alegremente pescando e desfrutando do cantar do cuco e de outras aves canoras que andavam a tratar dos respectivos ninhos. Também vi uma boa perdiz em cima de um muro a cantar, mas, mal me viu a dirigir-me para ela, logo levantou vôo. Trutas é que nada! Já estava a ficar sem motivação.

Finalmente, cheguei a uma pequena ponte de pedra sobre a ribeira que também funcionava como um pequeno açude. Era a minha última esperança, pois já não tinha muito ânimo para continuar. Na margem esquerda para jusante, existia uma linda corrrente coberta de vegetação com uma razoável profundidade e em formato de cotovelo. Pareceu-me o local ideal para uma boa truta estar em repouso à espera do alimento, pois o maior fluxo de corrente que saía da ponte ia precisamente naquele sentido. Sem pensar muito, resolvi realizar um lançamento directamente para jusante a cair na dobra do cotovelo da corrente, exactamente onde a cobertura vegetal era mais intensa. A colher cai, dou tensão à linha e vejo uma boca branca a abrir e a fechar-se sobre a amostra. Cabeçada forte na água, tentativa de enrolamento e cana de metro totalmente dobrada, tinha grande truta presa e estava a 1,5 metros de altura. Seguiu-se uma luta titânica em que tentei simultaneamente segurar a truta nas suas investidas e procurar um local para lhe colocar o camaroeiro. Verifiquei que a colher estava bem presa no lado direito da mandibula, mas pensei que o fio não aguentasse, tal era a força que a truta fazia, jogando com a corrente a seu favor. Enfim, foram 3 minutos de alguma confusão em que tentei cansar a truta. Com calma, lá fui tentando manter a boca da mesma fora de água e ela começou a perder força. Perante isto, desloquei-me um pouco para um pilar da ponte com menos água e saltei para a base desse pilar. Fixei os pés, tirei o camaroeiro e fui tentando, à contra corrente, trazer a truta para dentro do camaroeiro. Só a 6ª tentativa é que consegui! Que alivio, já estava com a adrenalina completamente ao máximo! 

Estava na altura de desfrutar da bonita truta que tinha acabado de me sair em sorte! Era um troféu lindissimo com lindas pintas negras e extremamente pesado, devido ao seu enorme lombo. Com apenas 50 cm, tinha um peso de 1,3 kg.  O local onde vivia tinha-lhe certamente permitido acumular peso rápidamente e sem muito dispêndio de energia. Que troféu excepcional …

Esta memorável captura deixou-me extremamente feliz. Numa jornada de pesca em condições bastante dificeis, considerei que aquele feito tinha sido excepcional e portanto não valia a pena continuar. Com a temporada já avançada, retirar um exemplar destes é mais do que suficiente para marcar um excelente dia de pesca. Eu tinha tido mais um nesta época e não convinha exagerar 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.