Manhã de boas trutas no Ceira.

Manhã de boas trutas no Ceira.




Sábado, dia 8 de Maio de 2010. Na sequência de convite do Prof. Arlindo Cunha para ir à Expocaça em Santarém no dia 9 e pernoitar na sua casa de Tábua, resolvi logo marcar uma expedição a dois rios miticos da Serra da Estrela: o Ceira e o Alva. Ainda tentei convencer o anfitrião e amigos a acompanharem-me, mas mais uma vez os afazeres profissionais e agrícolas impediram o Prof. Arlindo Cunha e os irmãos Pintalhão de se juntarem a mim. Portanto, tinha o cenário preparado para mais uma incursão a solo em rios de águas límpidas e paisagens verdadeiramente impressionantes.

O tempo previsto para o fim de semana era prometedor. Períodos de chuva e céu fortemente nublado eram as condições ideais para capturar boas trutas em Maio. No entanto, na manhã de Sábado pouca foi a chuva que apanhei a caminho de Góis. Como tal, comecei a ter algum receio relativamente ao comportamento das trutas. Sem grande chuva, as águas possivelmente estariam limpas e as trutas deveriam estar escondidas nas margens e não no centro dos rios. Não fazia muito sentido trocar o material de light spinning por um material mais pesado. Tinha que testar as águas.

Cheguei à zona de Góis por volta da 8 horas e resolvi procurar um troço livre por entre as concessões de pesca desportiva que existem no Ceira. Avançando para montante, cheguei á povoação de Cabreira. Daí para jusante existia um troço livre que merecia a pena ser explorado. A dificuldade das margens parecia prometer boas pescarias. Peguei na cana e fiz-me ao rio. Logo na primeira queda de água, realizo um lançamento para montante que me sai perfeito e que me permite uma recuperação no sentido da corrente. A colher começa a chegar a um tufo de erva e entra uma boa truta de 24 cm. Pica com força e começa a tentar a arrastar a linha para o tufo. Com calma, consigo controlá-la e rápidamente a ponho a jeito de lhe deitar a mão. Tinha realizado a minha primeira captura (foto capa). Uma bonita truta do Ceira. O dia não podia ter começado melhor! Talvez o baixo grau de luminosidade existente na atmosfera e a ameaça de chuva estivessem a funcionar!

Ainda realizei mais alguns lançamentos na queda de água, mas a truta devia ser única. Resolvi então avançar para a cabeça de uma corrente que terminava num poço de dimensões e profundidade considerável. Devido à dureza das margens, só conseguia lançar para jusante. Apesar de não ser a melhor posição para trabalhar a amostra, lá teria que ser. Lançamento para jusante longo (cerca de 30 metros) e recuperação super lenta para deixar a colher afundar o mais possível. Quando a amostra se começou a aproximar de um estreitamento da margem, onde a corrente ganhava velocidade, sinto um forte puxão na linha e vejo uma boa truta de 26 cm a saltar fora de água. Que beleza! Com calma, fui trabalhando-a à contra corrente procurando cansá-la. Já com ela próxima da margem, tive que a içar a peso. Algo que fiz com algum cuidado para evitar que a linha 0,12 cedesse à última hora. Dez minutos de pesca e já contava 2 trutas capturadas. Excelente!

Finalizada esta captura, tive que realizar um pouco de alpinismo para entrar ao próximo troço. Com margens de xisto molhado, todos os passos tinham que ser medidos para evitar uma queda que se poderia traduzir num pé torcido ou pior. Passados 10 minutos, lá consegui voltar ao rio mesmo na ponta de um açude. Olhando para montante, vislumbrei um peixe a mosquear junto a uma árvore morta que se encontrava dentro de água. O lugar ideal para uma truta! Será que era truta? Lancei para montante encostado á margem onde me encontrava, procurando colocar a colher entre a margem e a árvore morta. O lançamento saiu bem e após 10 metros de recuperação sinto um forte toque na linha e vejo uma truta a enrolar dentro de água. Que lindo peixe. Mal se sentiu bem presa, tentou arrancar para a árvore morta tentando enrolar o fio à volta dos ramos. Lá a consegui parar e com calma fui trabalhando-a para jusante. Quando ela já apresentava alguns sinais de cansaço, tirei o camaroeiro e coloquei-a a jeito. Mais uma bela truta capturada, apresentando um lindo contraste de pintas pretas e vermelhas (foto abaixo).

Enfim, o dia não podia estar a correr melhor e para ajudar começou a chover com alguma intensidade. A chuva trouxe alguma melhoria às condições de pesca, mas também tornou mais dificil a minha deslocação ao longo das margens. Fui-me deslocando para jusante com algum custo e durante as seguintes 2 a 3 horas, vi-me e desejei-me para encontrar boas posições para lançar a amostra. As trutas também parecia que tinham deixado de existir, pois só visualizei alguns exemplares pequenos atrás da amostra. Isto até chegar a uma pequena corrente com cerca de 0,5 metro de profundidade que ia desembocar num poço bastante grande. Com a chuva que já tinha caído, as boas trutas já tinham tido tempo de se deslocar para a cabeceira das correntes. Lançamento cruzado de 15 metros, ligeiramente para montante. A colher passa pelo primeiro tufo de ervas e de repente sinto um forte puxão e a linha começa a deslocar-se para jusante.  Tinha cravado uma boa truta. Comecei a trabalhá-la, tentando seguir a sua deslocação ao longo da margem. Ela sentindo-se encurralada começou a saltar fora de água e eu tentei sempre manter a tensão da linha uniforme. Com calma, consegui encostá-la à margem e após uma das suas últimas investidas, arrastei-a lentamente para um pequeno areal onde a coloquei em segurança.  Que bela truta de 29 cm (foto abaixo). E numa zona de baixa profundidade!

Finalizada a captura, ainda pesquei o poço a jusante, mas nem movimento. A única boa truta que lá se encontrava tinha avançado para a corrente, onde foi capturada. Perante isto, ainda tentei insistir mais para a jusante, mas cheguei a uma zona de terreno bastante duro. As margens molhadas e bastante inclinadas começaram a fazer-me pensar duas vezes se valia a pena continuar. Considerando que já tinha tirado uns bons exemplares representativos das bravas trutas do rio Ceira, decidi que estava na altura de ir para outros destinos. O Ceira tinha cumprido a sua promessa de me proporcionar excelentes emoções 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.