Rio Côa – Barragem do Sabugal.

Rio Côa – Barragem do Sabugal.

No passado Sábado, dia 10 de Julho de 2010, resolvi voltar ao rio Côa. Depois de muito reflectir, resolvi visitar a zona imediatamente a jusante da concessão de pesca desportiva dos Quadrazais. Esta é uma zona que apresenta alguma influência da Barragem do Sabugal e como tal tem um enorme potencial para o desenvolvimento de bons exemplares de trutas comuns. É claramente um local para tentar a captura de um bom troféu e vários são os pescadores de trutas que por lá param, ano atrás de ano. Alguns são meus conhecidos e tendem a apostar sempre nos finais de tarde. Não falhando à regra, passei por lá no ano passado, mas sem grandes resultados em termos práticos. Apesar do nível da barragem estar baixo e ter tido acesso a algumas correntes, não consegui mexer nenhuma truta decente. A concorrência também não ajudou, porque nesse dia de sol encontrei pelo menos 15 pescadores na mesma zona.

Como é costume por estas bandas, o dia começou tarde, lá por volta das 8h30. Passei por Espanha para meter gasóleo e ás 9h30 comecei a trilhar caminho para a zona dos Quadrazais. Ainda parei por alturas de Alfaiates para verificar o estado da ribeira (promissor, apesar da muita folhagem que já cobre as águas) e depois continuei a percorrer kilometros à procura do caminho de terra que me iria levar ao lugar de pesca. Finalmente, encontrei a placa da Associação de Caça e Pesca de Quadrazais. Meti-me ao caminho e após 3 ou 4 kilómetros estava na zona de acção.

O panorama não era o mais animador. A Barragem do Sabugal estava no máximo de carga e portanto não existia nenhuma corrente abaixo do limite da concessão de pesca desportiva dos Quadrazais. Apenas água muita parada. num dia com muito sol e muito calor. Parecia impossivel! Nesta altura do ano já esperava que a Barragem estivesse abaixo do seu nível máximo, mas pelos vistos deviam estar a armazenar água para fazer face às necessidades do Verão. Mesmo antes de arrancar, comecei a fazer contas à vida … Vi que já estava um pescador às bogas na saída de um pequeno afluente e resolvi preparar o equipamento mais pesado: cana de 1,8 metros, linha 0,18 e um X-Rap cor truta de 6 cm. Iria tentar a minha sorte às trutas e aos achigãs, pois sabia que estes últimos também abundavam por ali.

A beleza da zona era assombrosa e mais para montante deveriam existir outras condições de pesca, mas ali onde me encontrava era pura barragem. Nada podia fazer! Tinha que pescar para jusante da concessão de pesca desportiva.  A água estava relativamente clara e na margem onde me encontrava (direita) não existia muita cobertura vegetal, nem muita lenha morta dentro de água. Viam-se muitos alevins nas margens e especialmente muitos achigãs em tamanho pequeno. Era impressionante a densidade de peixes, especialmente em zonas com menor profundidade.

Com o calor intenso, as poucas vertentes rochosas mais profundas eram os locais mais promissores para capturar algum exemplar mais interessante. Em duas horas de pesca intensiva e depois de bater cerca de 1 km, apenas consegui capturar um achigã sem grande tamanho (ver foto abaixo).  A captura ocorreu numa vertente rochosa mais profunda. Não creio que o insucesso da pescaria se devesse à falta de exemplares. Claramente que o dia não era o melhor e provavelmente nem a margem … do outro lado parecia-me que a cobertura vegetal era mais generosa para os achigãs.

Com o céu limpo, muito calor e águas com pouca profundidade, era quase impossível mexer qualquer truta. De facto, não vi nenhuma. Para mim, as poucas que deveriam estar na zona, estariam certamente abaixo dos 20 metros de profundidade, alguras nas vertentes mais inclinadas que delimitam o antigo leito do rio Côa, portanto bem no meio da barragem.

A impressão com que fiquei é que este ano já não vale a pena passar por este local atrás de trutas. Talvez para o ano …

Já no que diz respeito aos achigãs, a conversa é outra … 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.