A poluição no rio Paiva.

A poluição no rio Paiva.

Há cerca de um ano, fui convidado para uma pescaria às trutas na aldeia da Paradinha, alguns quilómetros a montante da ponte de Alvarenga. Tratava-se de uma pescaria light que incluia uma primeira parte de pesca activa e uma segunda parte de “grande” piquenique e visita à aldeia da Paradinha. Esta expedição ocorreu algures em meados de Junho e envolvia cerca de seis pescadores, com metade a apostar no isco natural e a outra metade a apostar na amostra. Neste cenário, o meu plano era bater o rio Paiva à amostra para jusante da foz do rio Paivô, procurando capitalizar o potencial truteiro deste último rio.

Já há mais de 12 anos que não ia ao Paiva e ainda me lembrava de histórias impressionantes de grandes trutas capturadas nos poços de Alvarenga. Muitas foram as histórias de grandes pescarias que ouvi na loja de pesca – Amadeu Carneiro – em que alguns pescadores da velha guarda enchiam a boca com o nome de um grande rio: o Paiva. Portanto, a motivação para esta jornada era substancial.

A motivação era de tal maneira que o desânimo foi brutal quando entrei ao rio Paiva e apreciei a qualidade das suas águas. As águas estavam escuras e apresentavam muita espuma em zona de forte corrente ou queda de água. A proliferação de algas verdes era muito intensa e demonstrava um claro excesso de nutrientes dentro do rio. Tudo aquilo que encontrei fazia parte da lista de horrores que afectam a maioria dos nossos rios e os condenam à infertilidade em termos piscicolas.

Não era rio para trutas! A poluição já tinha realizado os seus estragos de forma evidente. Algures para montante, deveriam existir situações de poluição impune que de forma clara roubaram a este rio o título de mais limpo da Europa. Apesar de não termos visualizado nenhuma descarga directa, nem nenhum efluente cheio de quimicos, não há a mínima dúvida que algo de muito mau se está a passar neste rio.

 A pescaria ficou logo marcada por este facto. Nem tive vontade de entrar ao rio e começar a pescar. Só depois de ser aliciado pelos meus colegas é que me decidi a fazer uma horita de pesca. O rio Paiva não prometia nada e só vi barbos e bogas. Só mesmo o Paivô é que permitiu a captura de uma bela truta. Sem as águas oxigenadas do Paivô, penso que não existiria qualquer hipótese de capturar qualquer exemplar de truta no Paiva.

Apesar de não considerar que a poluição no rio Paiva tenha atingido níveis dramáticos, também acho que são necessárias medidas para evitar que a situação chegue a esse ponto. O que eu sei é que rápidamente perdi a vontade de pescar quando me deparei com um espectáculo que considero impróprio para um rio que deveria ter águas cristalinas. Neste momento, não nos podemos dar ao luxo de continuar a poluir uma das massas de água mais emblemáticas para a pesca à truta em Portugal. Penso que faz todo o sentido começar a realizar um levantamento de todas as fontes de poluição que afectam o Paiva, de modo a poderem-se tomar medidas efectivas para a resolução deste problema.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.