Dia de spinning na Barragem dos Pisões.

Dia de spinning na Barragem dos Pisões.




Com a chegada da semana da Páscoa, surgiu a possibilidade de aproveitar alguns dias para me aventurar atrás das bravas trutas. As previsões de um fim de semana de chuva e temperaturas amenas fazia antever boas condições para poder tentar bons exemplares. Depois de ponderar várias opções, resolvi visitar a Barragem dos Pisões, esperando que a chuva pudesse por as trutas a mexer, encaminhando-as no sentido das linhas de água e aliviando-as do stress da pesca intensiva que deviam ter tido desde a abertura. Certamente que as nossas amigas já deviam ter visto quase todo o tipo de iscos e portanto tudo o que pudesse fazer a diferença e pô-las em estado de menor alerta era bemvindo.

Depois de um arranque tardio do Porto e de fortes chuvadas na estrada, cheguei aos Pisões por volta da 8 horas. O dia estava muito encoberto com ameaços de chuvisco, mas nada de especial. Atravessei o muro da barragem e procurei a saída da primeira linha de água na margem esquerda. Apesar de já lá estarem dois pescadores ao fundo era ali que ia iniciar a faina. Cana de 1,8 metros, linha 0,18 da Fendreel e X-Rap de 8 cm cor RT.

Não tardou muito para sairem os primeiros lançamentos. Como resposta, vi dois pequenos achigãs no primeiro poço à saída da linha de água, mas não quiseram nada com o isco. A partir daquele momento, arranquei para uma sessão de spinning de 4 horas. Fui trocando de amostra (Mepps Aglia Longcast e Storm), mas as condições estavam muito dificeis. O tempo prometia, mas a chuva não caia. Ao mesmo tempo, não se via nem sinal de truta. O vento era moderado de sul e parecia obvio que as trutas conseguissem ver os pescadores desde longe. Ainda falei com os outros pescadores que estavam ao TroutBait e ninguem tinha nada para contar. No final deste período de 4 horas, apenas ficou para relatar a visão de um achigã de cerca de 1 kilo. Passou por mim a rir-se … ainda lhe lancei o X-Rap para cima ,,, mas era para esquecer! O que ele queria era mudar de poiso 🙂

Com uma manhã sem nada para contar, resolvi avançar um pouco mais para montante à procura de uma zona mais cavada onde o vento estava a provocar ondulação. Depois de comer dois bocados de bola de carne, voltei á acção, desta vez por mais 3 horas. Fiz cerca de 1 km de margem, ligando mais uma saída de água com um cabo onde batia uma boa ondulação. Trutas? Nem vê-las! Mais uma vez, visualizei dois achigãs … Um andou a brincar comigo e ainda palitou os dentes com o X-Rap, mas não o consegui cravar. Tinha para aí meio kilo. O outro ainda o cravei e tinha cerca de 1 kilo … saltou duas vezes fora de água e à terceira cuspiu o X-Rap … não ficou bem cravado. Enfim, tinha que o soltar de uma maneira ou outra, portanto o serviço foi feito pelo peixe 🙂

Com este andamento manhoso, começou a esmorecer a vontade de continuar a pescar. Como última alternativa, ponderei avançar para os lados do viveiro. A aproximação de uma trovoada e de alguns pingos de chuva pareciam indicativos de que as coisas podiam mudar. Resolvi entrar a jusante do viveiro e bater a área para montante até à saída de duas linhas de água que costumam ser muito batidas pelos pescadores da zona.

Fui batendo a zona com alguma calma, procurando cobrir zonas descuradas por alguns dos pescadores. Os lançamentos laterais, paralelos à margem, foram o meus favoritos, tentando tirar as trutas que estivessem emboscadas próximo da margem. Fui avançando e cheguei a uma reentrância mais pronunciada da margem, onde se encontrava uma pequena baía. Lancei para a zona menos profunda, dois toques de X-Rap e vejo um bom vulto a seguir o rapala e a enroscar … mas a não abrir a boca. Era truta! Volto a lançar, mas para a entrada da baía onde a profundidade era maior … a truta devia-se ter mexido para lá. Mais uma recuperação e quando a truta está a chegar á margem parece-me ter tido um toque. Bem … volto a lançar para o mesmo sitio … recuperação, vejo um vulto, paro … a truta aproxima-se do X-Rap, abre a boca e eu cravo com força. A truta sente-se presa e começa a saltar de forma endiabrada. Nem lhe dei hipótese … levantei-a a peso para cima de umas pedras … Que lindo peixe … uma bonita truta comum de 27 cm da Barragem de Pisões … magra mas poderosa e com uma tez esverdeada. Um bonito exemplar a salvar o dia, depois de 8 horas de pesca  🙂

Com esta captura animei e resolvi bater com muita calma os últimos metros até à zona próxima do viveiro. A primeira parte desse esforço foi infrutifero. Mais uma vez, visualizei um cardume de pequenos achigãs, mas andavam só a passear. No final do troço, cheguei ás entradas das linhas de água e aqui tive duas boas novidades (ambas sem resultados). Na primeira e depois de um lançamento para perto de uma pedra e junto á margem,  levo um bom toque de uma truta que deveria ter cerca de 25 cm. Estava mesmo por cima dela e vi a cena na íntegra. Atacou com força, sentiu o aço, mas não se cravou. Não consegui distinguir se era comum ou arco-iris, mas era claramente uma truta. A segunda novidade surgiu já com uma chuva forte a entrar … localizado perto da segunda linha de água, lancei no sentido do viveiro e quando vinha a recuperar o isco perto de um grande bloco de pedra, sinto um toque e vejo uma truta a saltar e a desprender-se. Era uma truta arco-iris de perto de 25 cm que foi á vida!

Enfim, mais uma visita a Pisões para matar saudades. Depois de 8 horas de pesca seguidas, as melhores emoções ficaram para o final quando as trutas que se encontravam perto do viveiro se dignaram mexer. Atendendo á pressão de pesca, até que o resultado não foi nada mau, no entanto eu tinha grandes expectativas devido sobretudo às boas condições meteorológicas. Bem .. fica para próxima … Oportunidades não hão-de faltar para voltar a visitar este baluarte da pesca às trutas em Portugal.

Para quem quiser ter uma visão mais colorida, detalhada e emocionada da captura da truta, pode sempre ver o video abaixo do YouTube:

Voltaremos em breve 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.