Num poço da Central de France – Rio Coura

Num poço da Central de France – Rio Coura




Depois de um dia cheio de peripécias e já um pouco cansado, resolvi terminar a faina em mais um buraco mítico do Rio Coura. Desta vez, ia bater um dos poços na zona da Central de France, onde eu sei que costumam estar bons exemplares. Esta é uma zona com margens bastante elevadas e águas cristalinas, e como tal os lançamentos obrigam a cuidados extremos para que possamos evitar o olhar aguçado das trutas.

Como a central de France não estava a debitar, resolvi focalizar a minha atenção de forma quase exclusiva nos poços maiores. Ainda tentei ver se via alguma truta nas zonas com menos água, mas de nada valeu, pois elas estavam bem escondidas. Assim sendo, de nada valia passar muito tempo por ali. 15 a 20 minutos iriam ser mais do que suficientes.

Armado com a minha cana de 1,2 metros e equipamento de light spinning, comecei a lançar desde longe, tentando cobrir o máximo de área possível. A recuperação tinha que ser lenta para deixar a Mepps Aglia nº 1 profundizar o suficiente, atendendo à altura das margens.

Os primeiros 7 a 8 lançamentos não deram em nada. A altura das margens e o pequeno tamanho da cana estavam a dificultar a recuperação do isco, especialmente porque do meu lado não faltavam silvas. Entretanto, fui avançando ligeiramente para montante e vi peixe a mexer à tona da água junto da outra margem. Com montes de flores das austrálias sobre a água, achei que a truta ia topar a movimentação da linha e portanto as minhas hipóteses eram quase nulas. De qualquer forma, decidi tentar.

Lancei para a outra margem e comecei a recuperar lentamente. Não visualizei nada de inicio, mas quando a amostra chega a meio do rio, vejo uma sombra a movimentar-se lentamente e a por-se mesmo atrás do isco. Aumento a velocidade de recuperação, a truta ganha gás e abre a boca. Cravo com força e ela fica bem presa. Começa a luta. A truta salta fora de água e arranca para jusante, eu seguro-a como posso e ela inverte o sentido. Como não era muito grande, não tive grande dificuldade em começar a cansá-la. O problema ia ser passá-la pelas silvas e fazê-la subir a margem com um fio 0,12. Lá a encostei a uma ponta de silva dentro de água, deixei-a acalmar e depois com um puxão forte e seco, fiz-la voar directamente para os meus pés. Não havia outra hipótese!! A truta era muito bonita, media cerca de 19cm e foi devolvida rapidamente à água.

Depois desta captura, ainda insisti durante mais 10 minutos na zona, mas sem resultados. As restantes trutas deviam estar assustadas pela situação anterior e eu também já devia ser o décimo pescador a passar por ali naquele dia. Assim, e sem muitas hesitações, resolvi dar o dia por terminado naquela zona.

É sempre um daqueles locais que merece uma visita só para ver alguma acção. Desta vez, tinhamos tido sorte 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.