Tarde de emoções na Barragem dos Pisões

Tarde de emoções na Barragem dos Pisões

Depois de uma abertura em grande na Barragem de Sezelhe, especialmente em termos do número de capturas, resolvemos rumar a águas mais difíceis. Sabíamos que Pisões costumava ter alguns bons exemplares de trutas arco-íris e que normalmente o dia da abertura é a melhor altura para as tentar ao spinning. Nesse dia costumam estar pouco picadas e ainda abrem a boca. No entanto, tínhamos uma grande incógnita; não sabíamos qual a densidade de pesca a que as trutas tinham sido submetidas durante a manhã.

Não perdemos muito tempo depois do almoço e arrumamos as nossas coisas rapidamente. Eu, o Ricardo, o Ivo e o Tiago íamos tentar a nossa sorte durante a tarde na Barragem dos Pisões. A ideia era pescar o troço entre a saída da conduta de Sezelhe e o viveiro de trutas. Chegamos ao local por volta das 15 horas. Vento frio, céu extremamente nublado, ameaças de trovoada ao longe e alguns poucos pescadores a pescar ao fundo. Pareceu-nos o cenário ideal.

Pegamos no material e começamos a avançar para a margem. Iríamos atacar logo na saída da conduta de Sezelhe. Mantivemos os iscos que trazíamos de Sezelhe, sobretudo eu, e começamos a lançar. Não abdiquei de pescar light com 0,12 e com um rapala CD-3 RT, porque antecipei que as trutas já poderiam estar picadas e como tal não devia facilitar as coisas. Bem, os primeiros 20 minutos passaram sem novidade. Lançamento atrás de lançamento e nem toque.

Perante a falta de acção na saída da conduta, resolvemos avançar para montante. Nesse percurso deparamos com o primeiro pescador ao fundo. Já tinha capturado a primeira arco-íris do dia. Uma linda truta de kilo com um aspecto imponente. Ficamos logo de olhos em bico … Um bicho daqueles preso nas nossas canas e capturado ao spinning devia dar uma boa luta!!

E não tardou muito a comprovar a força das arco-íris. Avancei 20 metros para montante do pescador ao fundo, numa zona com fundo de pedra. Lancei o rapala para longe, comecei a recuperar e de repente sinto um forte puxão na linha. A cana verga toda e o carreto começa a dar fio. Tento controlar, afrouxo ainda mais o carreto por causa do 0,12, e a luta continua intensa. A truta leva fio de forma contínua. De repente, para!! Levanto a cana outra vez e ela arranca novamente. Mais uma corrida, o resto dos pescadores aproxima-se de mim e quando estou para começar a levantar a truta do fundo … ela para … a cana endireita-se e nada. Recupero o rapala … a truta tinha-se descravado. Fiquei totalmente cego. Uma boa truta com kilo ou mais e tinha-se desprendido.

O Ricardo entusiasmado com aquela acção, lança para o mesmo local com uma colher e tem uma cravadela. Mais uma vez, corridas fortes e cana vergada, mas desta vez o fio era mais grosso e como tal a truta foi trabalhada com mais força. Ainda tivemos 5 minutos para a tirar da água, porque ela bem que puxava com uma força brutal para o fundo. Finalmente, lá a conseguimos segurar. Um lindo troféu de Pisões com cerca de um kilo.

Com esta captura, a nossa motivação disparou exponencialmente. Tínhamos que pescar a barragem com o máximo de cuidado. Lá fomos então calcorreando caminho. Eu mudei para X-Rap, depois para colher pesada e depois voltei à Mepps Aglia nº1 com 0,12. Tanto andei que voltei ao mesmo.

Durante 1h30, pouco aconteceu, a não ser a trovoada ao longe e as rajadas de vento frio. Já estávamos quase a desanimar quando chegamos à primeira ponta daquela margem, onde estava uma pequena ilha, virada aos viveiros. Começamos a lançar intensivamente. Primeiro, eu e o Ricardo, depois o Tiago e finalmente o Ivo juntaram-se a nós. Lancei de forma cuidada em vários locais e depois o Tiago resolveu pescar num sítio onde eu tinha estado. Quase simultaneamente, num pequena baía junto à ilha, realizo um lançamento para a frente, começo a recuperar e arranca uma truta endiabrada com a amostra na boca. Passado 10 segundos, a cana do Tiago equipada com uma colher de maiores dimensões também se verga. Tinham entrado as duas quase ao mesmo tempo. Lá começou a luta. Tentei segurar a truta ao máximo, mas ela era levada do diabo. Deve ter passado vinte vezes à minha frente. Era uma linda arco-íris com cerca de 700 gramas, mas tinha uma força inusitada, sempre com a cabeça para baixo e sempre a puxar para o fundo. Bem tentei controlar … mas o 0,12 estava sempre no limite. Resolvi deixá-la cansar-se … e quando estava a ter resultados, ela solta-se do anzol. Fiquei completamente maluco. A segunda a fugir e tudo por causa do cuidado com a linha!! Do outro lado, o Tiago também estava com sérios problemas. A truta era muito maior do que a minha e ele não a conseguia controlar … em menos de 1 minuto também lhe fugiu .. Uma desgraça nunca vem só ..

De qualquer forma, o Tiago rapidamente corrigiu a mão. Mais dois lançamentos para o mesmo local onde lhe fugiu aquela truta e entrou logo outra. Mais uma truta imponente de kilo e mais uma luta difícil. Foram quase 10 minutos de luta e se não fosse a ajuda do Ricardo, a truta não tinha saído. Mas desta vez correu bem e facturou-se mais uma truta arco-íris de kilo.

No meio de tudo isto, só faltava o Ivo ter sorte e não tardou muito. Em menos de 15 minutos, vi-o levantar uma truta arco-íris também de kilo e num local onde eu já tinha estado a lançar. Se calhar a colher mais pesada tinha feito a diferença.

Com todos animados, só me faltava a mim safar a grade. Resolvi voltar ao lugar de partida e meter uma Mepps Aglia nº3 de 18 gramas com 0,18. Agora não ia facilitar. Num lançamento cruzado no mesmo local onde tive a primeira picadela, consegui cravar uma truta. A truta não deu muita luta e eu também não facilitei. Ainda pensei que poderia ser um lúcio-perca, mas no final revelou-se uma truta fário de 30 centímetros. Um lindo bicho com o estômago cheio de minhocas e que nem tinha grande vontade de lutar.

Truta 30 cm Barragem dos Pisões 2013

Com esta captura, e com o aproximar da noite, fechamos o tasco em Pisões. Tínhamos repartido a sorte e emoções não faltaram. Foi claramente uma experiência inesquecível e vontade não falta de a reeditar. Mais tarde, viemos a saber que as capturas tinham sido numerosas, quer desde a margem, quer desde os barcos, com números a chegarem às duas dezenas. Para nós, sobraram quatro trutitas que fizeram as delícias de um dia bem passado … 🙂 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.