No último açude do Rio Âncora

No último açude do Rio Âncora




Já no final de mais uma pescaria às trutas na zona do Minho em pleno Julho, resolvi realizar uma visita rápida ao rio Âncora na zona livre para jusante da concessão de pesca desportiva. Este troço, apesar de ser livre, costuma ter sempre bons exemplares que colocam um desafio bastante interessante até para os pescadores mais experimentados. Consciente deste facto, achei que valia a pena dar uma volta no local.

Cheguei eram 16 horas e resolvi fazer uma horita de pesca. Peguei na cana de 1,8 metros, fio 0,12 e colher Mepps Aglia nº1. Olhei para o rio e verifiquei que a corrente já era bastante reduzida, e portanto as trutas estariam muito mais atentas a movimentos suspeitos. A ajudar à festa, estava um sol de primeira qualidade. Neste cenário, restava-me a possibilidade de tentar lançar o mais longe possível da margem.

Os primeiros lançamentos surgiram encostados à ponte do caminho de ferro. Vi as primeiras trutas de muito pequeno tamanho a mexer, mas nada que me desse vontade de capturar. Depois de dois ou três lançamentos para montante do muro do açude, resolvi lançar para jusante. Aí a coisa mudou de figura!! Em quatro lançamentos, tive três toques valentes com as trutas a morder na amostra e a cuspi-la no ar. Numa das situações, a amostra caiu em cima de uma árvore e vi-me à nora para a conseguir recuperar.

A maré estava tão baixa que para jusante do muro do açude se podia caminhar facilmente. Resolvi aproveitar e avancei pela margem esquerda. Logo na primeira zona e junto à entrada de água para o moinho, capturo a primeira e única truta. Ela estava mesmo na entrada do moinho. Lancei a cerca de 20 metros mesmo para o moinho e ela entrou logo. Como tinha um tamanho bastante reduzido, não ofereceu grande resistência e acabou rapidamente nas minhas mãos.

Truta 14 cm Rio Âncora Julho 2013

Depois de libertar esta truta, mantive a marcha para jusante até não poder avançar mais. Vi mais algumas trutas de pequeno tamanho e tive mais 3 toques. Ainda pensei que pudessem andar por ali algumas mariscas de bom tamanho, mas o único peixe que vi com bom lombo foram algumas tainhas.

Rapidamente cheguei ao final da zona onde se podia passar e então resolvi inverter o meu andamento para montante. Achei que valeria a pena bater o troço para montante até à ponte da estrada nacional. Bati a zona com o máximo de precisão possível, mas estive fortemente limitado pela enorme concentração de folhagem na superfície da água. Erra muito difícil lançar e conseguir evitar tocar nas folhas durante a recuperação. Isto denunciava a nossa presença às trutas, que apenas seguiam o isco e depois fugiam espavoridas quando viam as folhas a mexer.

Apesar deste inconveniente, ainda consegui levar dois toques e mexi duas ou três trutas de bom tamanho. As trutas estavam nitidamente a caçar de emboscada nas zonas de sombras e muito próximo da margem. Estava um ambiente mais propício para o pessoal do gafanhoto do que para os adeptos do spinning. A situação pareceu-me de tal forma difícil que resolvi retirar-me mal cheguei à ponte.

Esta terá sido a minha última visita deste ano ao Âncora, mas fiquei satisfeito por ainda ter visto uma razoável densidade de trutas. As condições para a pesca ao spinning já são bastante difíceis, pois o rio apresenta muito pouca corrente e pouca profundidade. Acho que está na altura de as deixar descansar até ao próximo ano!!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.