Fim de tarde no Rio Zêzere com o Mota

Fim de tarde no Rio Zêzere com o Mota

Já há muito tempo que esta história está para sair, porque também já foi há algum tempo que visitei o Mota nos seus domínios de pesca. Desde o início da temporada que as pescarias para o lado da Serra da Estrela, especialmente na bacia hidrográfica do Zêzere, têm sido marcadas por dois tipos de dias; dias de boas pescarias ou dias em que as trutas nem sequer se mexem. O Mota tem estado sempre atento a estas nuances e não tem perdido pitada, especialmente nos dias em que elas querem morder.

Assim, e já com um excelente palmarés de bons exemplares capturados no início do mês Março, resolvi fazer-lhe uma visita rápida para pescarmos em conjunto durante uma tarde. O meu objectivo era pelo menos tentar ver ou capturar alguma das boas trutas que ele guarda em troços muito específicos de algumas linhas de água. Como ele diz e bem, o importante é ter algumas boas trutas marcadas para não se andar a perder tempo desnecessariamente.

Depois de uma viagem rápida desde o Porto, cheguei à Covilhã eram 15h30. Iríamos pescar o final de tarde num troço que o Mota reserva para as alturas em que as águas aquecem um pouco mais, especialmente se ainda houver neve na Serra da Estrela. Se tudo corresse bem, a pescaria não deveria demorar mais de duas horas e meia.

Para atacar o sítio em questão, escolhi material de heavy spinning, com linha 0,18, cana 1,8 metros e amostra nº3 cobre. O céu estava limpo, a temperatura apresentava-se nos 20 graus centígrados e só o vento é que era ligeiramente forte, estragando a precisão de alguns lançamentos.

Começamos a pescar numa zona de poços, entremeados com algumas correntes. O Mota ofereceu-me um poço, enquanto avançou para a cabeça de uma corrente equipado com uma Mepps Aglia nº2. Durante 15 minutos batemos a zona ao milímetro. Eu não tive um toque, nem vi nenhuma truta, mas o Mota fez uma primeira truta de 31 centímetros na corrente. Um lindo exemplar e um primeiro sinal que elas estavam por ali.

Depois desta captura, avançamos para novo poço e nova corrente. Lançando cada um à vez, palmilhamos o local sem resultado. O Mota ainda me disse que tinha tido um bom toque no meio da corrente, mas eu nem vi sinal de truta. Já me cheirava a destino … pescaria com o Mota!!

Deixando este poço, avançamos para o seguinte e mais do mesmo. Desta vez, a única diferença era que nem toque nem sinal de truta para ambos. O caso estava a tornar-se complicado e a confiança começava a faltar, porque os locais eram altamente promissores.

Depois de bater a cabeça da corrente que dava entrada neste poço, resolvi pescar a saída do poço seguinte. A água começava a afunilar na margem oposta à medida que ia ganhando velocidade, antes de entrar na corrente. O Mota avisa-me logo; “Costuma estar aí uma truta! O ano passado tirei aí uma!!”.

Primeiro lançamento, nada. A colher fez o percurso programado, mas nada de truta. Segundo lançamento exactamente no mesmo sítio, começo a recuperar e quando a amostra dobra no centro do rio, antes de entrar na corrente, vejo uma boa truta a dobrar e a abocanhar a amostra. A cana dobrou-se e a truta começou a aplicar pressão para jusante. Lá a tentei segurar como pude e o Mota colocou-se em modo da alerta. Com a truta ainda irrequieta, puxei-a para mim e encostei-a para umas algas próximas da minha margem. Entretanto, o Mota sacou do camaroeiro e meteu-a lá dentro. Já cá cantava uma linda truta de 34 centímetros. Um bicho lindo!!

Truta 34 cm Rio Zêzere Março 2015

Até parecia mentira! Tínhamos passado por uma série sítios muito melhores para albergar aquele tipo de trutas e elas estavam exactamente onde eu pensava que não estariam. Só mesmo o Mota para me ir dizendo o contrário e evitar que eu deixasse ficar para trás …

Mota no Rio Zêzere Março 2015

Depois desta captura, ainda batemos mais 3 poços, usando exactamente a mesma estratégia aplicada nas sequências anteriores. Eu vi mais uma truta do mesmo tamanho que capturei, ela deu dois toques na amostra, mas não a consegui capturar. Também estava em plena corrente e numa zona com pouca água, que eu em princípio não valorizaria muito. Por sua vez, o Mota teve um bom toque numa saída de uma corrente para um poço com alguma profundidade. Segundo ele, era bicho grande, mas não tinha conseguido cravar.

Enfim, prosseguindo em amena cavaqueira, lá terminamos a faina por volta das 18h00. As trutas não estavam a morder como nos parecia razoável e tirar dois exemplares tinha sido bastante bom. No final, ficou a sensação de um dia muito bem passado em companhia do Mota. As trutas não quiseram colaborar de forma intensa, mas elas mais tarde ou mais cedo têm que mexer … e nesses dias o Mota não lhes perdoa 🙂 aliás como se tem visto no Facebook dele 🙂

P.S.: Ainda estou à espera da história da truta de 2,8 kg deste ano … ou andas com medo dos fundamentalistas??!! 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.