Depois de uma abertura com várias peripécias (algumas ainda por contar), no dia seguinte resolvi apostar em cursos de água com menor caudal. A chuva da abertura tinha posto os rios de grande e médio caudal com correntes muito fortes e era quase impossível por a colher ou o peixe artificial a funcionar. Perante este cenário, resolvi apostar nos afluentes do Lima e entre os quais surgiu logo a Ribeira de Portuzelo.
Segundo informação que me foi transmitida no ano passado, a ribeira teria recuperado de um sério problema de poluição e já deveria ter uma população saudável de trutas. Com este pressuposto, resolvi então passar por lá e pescar durante uma hora e meia, no troço entre o açude da foz e a ponte de pedra para montante da estrada nacional. Trata-se de um troço com vários açudes e com uma corrente lenta sustentada, tendo potencial para albergar trutas de bom tamanho.
Como estava a pescar para montante, os primeiros lançamentos com uma colher Mepps Aglia nº2 surgiram na saída do açude da foz. A corrente que saía da ribeira era considerável, mas a colher conseguia funcionar bem, desde que os lançamentos saíssem para montante. Palmilhei o açude durante 15 minutos e não tirei nenhuma truta. Apenas vi uma pequena marisca a seguir a colher e a dar a volta para trás aos meus pés.
Terminado este primeiro açude, avancei para o de cima. Primeiro lançamento para montante e para a outra margem do açude. A corrente era bastante forte. A colher começou a rodar e rapidamente avançou para o muro, quando estava a entrar no muro sinto um puxão na linha, cravo instintivamente, e vejo uma truta a saltar fora de água e cair pela queda de água abaixo. Levanto logo a cana e tento controlá-la na forte corrente para jusante do açude. Ela continua a tentar fugir para a margem, mas com força (uma vez que estava com 0,18) consigo segurá-la e ponho-a ao meu alcance. Uma linda truta de Portuzelo com 25 centímetros e com umas cores e pintas impressionantes.
Depois desta captura animei para realizar o troço para montante. Estava claramente à espera de encontrar bons exemplares, mas as esperanças foram goradas. Durante mais de uma hora, palmilhei uma zona de corrente lenta espectacular, uma saída de um ribeiro e umas correntes promissoras, sem qualquer resultado. O caudal da ribeira começou a descer lentamente e eu antecipei que fosse uma boa altura para as tirar. Meu engano!! É que nem se viam e o mais estranho de tudo era que as margens nem estavam assim tão calcadas no local onde andei.
Perante este cenário, fiquei um pouco desanimado com a pescaria na ribeira de Portuzelo. As trutas podiam até estar inactivas, mas não ver nenhuma em zonas de primeira qualidade, deixou-me um pouco apreensivo sobre a densidade piscícola da zona. Enfim, espero que tenha sido apenas um mau dia de pesca e que os meus receios não se confirmem. Se calhar mais tarde na temporada, posso ter uma ideia mais clara sobre o que se está a passar na ribeira de Portuzelo. Se tudo correr bem, espero lá passar em finais de Abril ou princípios de Maio e aí voltamos a falar 🙂



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Balanço morno da abertura. As ribeiras na Beira Litoral começam a dar, desde quarta feira estão dentro das margens. Ainda é um bocado precipitado para tirar conclusões mas parece que não houve impacto significativo na população de peixe em relação com os incendios do verão, a população até parece mais saudável, consistente com a boa desova do inverno de 2012, e dos altos caudais do inverno atual, as trutas têm boas medidas, superiores a outras temporadas, são mais compridas. Em relação com o Baixo Alfusqueiro como ponto positivo os grandes caudais do inverno facilitaram a subida ao rio desde o Vouga de lampreias marinhas para desova, o que permite ter a esperança de que algum dia possa remontar algum outro tipo de peixe…; e as grandes cheias dificultaram aparentemente a pesca furtiva durante o inverno. Como ponto negativo existe uma população de corvos marinhos estabilizada sedentária presente já na zona entre o rio livre e a zona de reserva reprodutiva (o primeiro que vi voar confundi-o com um pato do gordo que estava), continuaremos mal então, é um paradoxo que a quem esta a beneficiar a proibição de pesca na zona de reserva seja aos passarocos.
Esses passarinhos comigo não brincam muito, no tempo da caça coço-lhes as costas ehehe
Confere. Avistei varios corvos marinhos (cormorans) a voar bem rente a um rio do centro. Não são os piores caçadores de trutas mas que ajudam ajudam. É dar-lhes coça como diz o Mota.
Já vi que não te falta chumbo! 🙂 🙂
Realmente, acho que já está na hora de corrigir a densidade de corvos marinhos no nosso país. É pena que quem tem que gerir estas coisas, ande preocupado apenas em olhar para o umbigo e fazer passagem de modelos de norte a sul do país com slogan ambientalista.
Enfim, com gente desta, só sobra mesmo a ilegalidade!! Cada vez mais me sinto com menos força para condenar práticas ilegais no sector da caça e da pesca … começo a não perceber muito bem de que lado está a razão!
Abraço,