20 minutos num açude do Âncora.

20 minutos num açude do Âncora.

Depois de uma boa pescaria no Rio Mouro e com o rumo marcado para a cidade do Porto, resolvi realizar uma paragem estratégica num açude do Âncora que normalmente tem boas trutas. Este açude está localizado num dos poucos locais onde se pode praticar o spinning e que ainda não faz parte da concessão de pesca desportiva do Rio Âncora.

Quem conhece as trutas do Âncora sabe que elas são extremamente desconfiadas durante toda a época e que muitos são os dias em que as capturas são quase inexistentes. Mas às vezes lá acontecem uns milagres, especialmente quando surgem semanas de boas chuvadas, como foi o caso da semana passada.

O plano era muito simples: entrar ao açude, começar a pescar junto ao muro e depois realizar lançamentos sucessivos ao longo da margem direita, avançando para montante numa extensão de 150 metros. Isto até alcançar o pico da corrente que entrava no açude. Com este cenário, tinhamos pesca no máximo para 20 minutos. O que era mais do que suficiente para matar saudades do Rio Âncora :).

A amostra que estava na cana era a rapala CD-5 Gold que vinha do Rio Mouro e portanto nem pensei em mudá-la. Como já eram 5 horas da tarde, de certeza que as trutas já tinham visto algumas colheres e portanto havia que lhes dar algo de diferente. Talvez as trutas do Âncora estivessem em sintonia com as do Mouro!

O tempo na zona do Âncora estava um pouco instável com sol entremeado por alguns nuvens, que ainda produziram algum chuvisco pontual. Com esta situação, comecei a pescar. Os primeiros lançamentos foram claramente infrutiferos, pois não se via nenhum feitio de truta. Há medida que o céu foi encobrindo e surgiram uns leves ameaços de chuva, comecei a entrada na saída da corrente. Primeiro lançamento, vejo o rapala a evoluir com calma, a nadar perfeitamente, e de repente quando já está quase aos meus pés e a sair fora de água, arranca uma truta da margem, quase debaixo dos meus pés e ataca com uma força descomunal. Foi daqueles sustos impróprios para cardiacos! A adrenalina dispara e só dá mesmo tempo para o instinto reagir. Apesar de estar a levar a linha ao limite, puxei a truta imediatamente para fora de água colocando-a num local seguro. Tinha tirado uma daquelas belezas do Âncora com 25 cm (foto na capa). Com tez escura e grandes pintas negras, era um bom exemplar daqueles que normalmente se alimentam por entre as raízes das árvores que povoam as margens do rio. Valeu a pena!

Animado por esta captura, ainda fiz mais 10 minutos de pesca e consegui tirar mais uma truta de 22 cm. Esta truta cravou ao centro do rio e deu também uma boa luta, procurando correr rápidamente para os ramalhos da margem onde eu me encontrava. Lá a consegui segurar e puxá-la para o camaroeiro. Quando lhe fui pegar, verifiquei que se apresentava um pouco pegajosa. Quando fui para lhe tirar o rapala da boca é que me consegui aperceber de que estava a comer uma lesma. De facto, a lesma já estava meia digerida e portanto dava-lhe aquele aspecto pegajoso. Este facto vem confirmar algumas das práticas de pesca mais antigas do Âncora. Quem conhece este rio, sabe que muitos pescadores utilizam a lesma como isco natural e com boas razões, pois efectivamente as trutas adoram este petisco.

A segunda truta picou já na fase terminal do troço e estava terminada a pesca. Ainda podia ter tentado mais um ou dois sitios, mas dei-me por satisfeito. Depois da pescaria do Mouro, já não havia alento para mais. As trutas tinham cumprido, as amostras tiveram uma prestação razoável e eu tinha disfrutido de mais uma grande experiência na natureza e num dos rios mais emblemáticos do Minho: o Âncora.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.