O Rio Mouro após uma semana de chuva…

O Rio Mouro após uma semana de chuva…




Depois de um Sábado no Gerês, estava na altura de voltar a planicie à procura das boas trutas. Desta vez, o alvo foi a bacia hidrográfica do Minho, nomeadamente um dos seus grandes bastiões: o Rio Mouro. Já meu conhecido doutras andanças, este rio figura nas minhas memórias pela visualização de duas boas trutas de kilo à saída de uma corrente profunda. Essa imagem é o melhor reflexo daquilo que mais me atrai no Mouro: a possibilidade de capturar grandes troféus.

Com as chuvas fortes da semana passada, o meu instinto foi realizando as contas ao Rio Mouro. Estava na altura de bater um bom par de açudes onde eu sabia que possivelmente algumas boas trutas poderiam estar escondidas. O lugar estava escolhido. Ia começar na Ponte do Curto e iria bater o rio em dois segmentos: primeiro para jusante, até à zona de protecção de desova e depois para montante. O tempo estava relativamente nublado com algumas abertas e o rio apresentava boas correntes.

A pescaria ao spinning arrancou com uma combinação X-rap de 6 cm versus rapala cd-5 Gold. Apesar da má performance dos anzóis do cd-5 no dia anterior, resolvi voltar a dar-lhe uma nova oportunidade, pois as águas estavam relativamente claras para amostras grandes. No primeiro açude, levei um pequeno toque no rapala numa zona calma. Vi a truta a dar de lado no rapala, mas não cravou. À medida que fui avançando, não senti mais nada. Isto até chegar a uma corrente com uma profundidade média de 1,5 a 2 metros. Aí começaram os toques e as capturas.

As trutas davam toques ligeiros após alguns lançamentos e só depois é que entravam a sério. Parece que não estavam habituadas ao rapala. Em 20 minutos tirei 3 trutas; uma de 25 cm, outra de 26 e uma de 21 cm (esta última prontamente devolvida à àgua). Entraram com força quando o rapala cd-5 passava pelo meio do rio e deram uma luta excelente. Mas isto náo foi nada comparado com os 10 toques que tive. Mais uma vez os anzóis estavam a deixar os seus créditos por mãos alheias.

Depois deste primeiro troço bem sucedido, avancei para uma corrente profunda numa área com margens bem delineadas e com árvores frondosas. Era claramente o sítio para boas trutas. Lancei a primeira vez, nada. Segunda vez, o rapala leva uma pancada seca muito bem definida. Terceira vez, nada. Quarta vez, entra uma truta espectacular ao centro do rio marcando a sua presença com um salto fora de água. Perante isto cravei energicamente e começou o combate. Vi logo que estava perante um bom exemplar. Cabeceando e tentar forçar a fuga a favor da corrente, a truta foi uma adversária fabulosa e só se rendeu passado dois minutos. Um excelente exemplar de 37 cm com grandes pintas negras (ver foto). Claramente uma grande truta de zonas arborizadas. O dia estava feito 🙂 O Mouro tinha colaborado!

Animado por esta captura, voltei a lançar para o mesmo sitio e levei uma pancada formidável na amostra (tipo tronco) nos primeiros 3 metros de recuperação. Devia ser um monstro muito superior aquele que capturei. A truta que capturei andava bem acompanhada, mas a companhia era mais mafiosa e não queria nada comigo. Ainda tentei 7 ou 8 lançamentos, mas nada!

Depois destas emoções fortes, resolvi recuperar à Ponte do Curto para pescar para montante. Numa área mais batida pelos pescadores e com menos água, a pesca tornou-se mais dificil. Tirei mais 3 trutas sem medida em correntes com alguma profundidade. Foi o suficiente para me fazer chegar à hora do almoço, numa altura em que comecei a visualizar vários pescadores na minha proximidade.

Com excelentes emoções vividas, estava mais do que satisfeito e resolvi fazer-me à estrada. O rio Mouro tinha dado o seu melhor e pouco mais havia a dizer. Ficou só a saudade e a vontade de voltar a pesca no Mouro, assim que possível.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.