No Rio Homem … às trutas

No Rio Homem … às trutas




Dia 11 de Junho de 2011. Depois de várias tentativas para marcar uma pescaria em conjunto, finalmente os três blogueiros das trutas nacionais (Trutas e Serras Blogspot, Ninja Matrix e Trutas.PT) decidiram-se e resolveram passar da teoria à prática. O encontro seria no Restaurante Ponte do Neiva (local de eleição do nosso amigo João Dias) e ali iríamos decidir sobre o rumo a tomar, sabendo sempre que nestas coisas há que contar muito com o factor “S” – Sorte. Desde logo, as opções à partida eram várias e incluíam locais como o Minho, Mouro, Coura, Vez, Homem, etc.

Reunimo-nos às 8 horas no restaurante e em pouco mais de 3 minutos estávamos preparados para arrancar. A decisão foi enviesada pelo meu fraco conhecimento do Rio Homem, especialmente no seu troço superior, e portanto resolvemos ir para lá. Formamos duas equipas de dois pescadores que se dividiram por dois carros, já que o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Campia e produtor de um excelente mel regional (Sr. António Ferreira) também se juntou a nós para estas lides. O João Dias e o Miguel Pereira iriam pescar à mosca seca, já que o Miguel está-se a iniciar nestas andanças e queria aprender com quem sabe, enquanto que eu e Sr. António Ferreira iríamos pescar à amostra. Enfim, tínhamos todos os ingredientes para desfrutar de uma boa jornada, já que mesmo que não houvessem trutas, iria certamente existir uma forte troca de experiências e muito convívio.

Avançamos rapidamente para a estrada e chegamos ao nosso local de destino por volta das 9h00. O dia estava claro, com uma temperatura razoável e algum vento fraco. Entramos no rio Homem, já a caminho do parque do Gerês, e numa ponte onde se vislumbra um bom açude para montante. Ali vimos que concorrência não faltava, até porque um carro de matricula espanhola já estava parado na margem. Imaginamos logo que o pescador se deveria ter deslocado para montante, portanto sobrava o troço para jusante. O acesso para jusante era facilitado por um caminho que seguia ao longo do rio durante cerca de um quilómetro, portanto pareceu razoável considerar que podíamos seguir pelo caminho até ao seu fim e depois começaríamos a pescar para montante até à ponte. Como o troço tinha um tamanho reduzido, achamos, desde logo, que só dois pescadores iriam ficar por ali (eu e o Sr. António Ferreira), enquanto que a equipa da pesca à mosca, iria para uma praia fluvial a jusante.

As nossas primeiras impressões do rio foram bastante boas. O rio apresentava água extremamente límpida, sem rastos de poluição e ainda tinha uma corrente considerável para esta época do ano. Relativamente às trutas , não visualizamos nenhuma desde o cimo da ponte, mas resolvemos avançar logo para jusante para tirar a prova dos nove. Seguimos então pelo caminho e já no final do mesmo, deparamos com um carro de um pescador. Felizmente, verificamos que o pescador estava a pescar para jusante, isto apesar de também andar à amostra.

Começamos então a pescar para montante, fazendo turnos ao longo da margem direita. Com a água extremamente límpida e o céu claro, as condições estavam bastante difíceis. Viam-se alguns peixes a mosquear ligeiramente, mas os lançamentos não estavam a produzir efeito. Pesquei com rapala CD-3 RT e colheres Mepps Aglia nº 1, procurando sempre distanciar-me o máximo possível do rio e lançar para os lugares mais difíceis.

As margens estavam bastante calcadas e as trutas que se viam eram todas de pequeno tamanho, mas mesmo essas não se atiravam à colher. Compreendemos logo que estávamos perante uma zona onde a pressão de pesca era bastante elevada e onde muito poucos eram aqueles que respeitavam o tamanho mínimo das trutas. Durante o quilómetro que tivemos que bater, nem um toque tivemos. Todas as correntes e poços foram alvo de um tratamento bastante meticuloso, mas sem resultados. Eu e o Sr. António Ferreira, bem tentamos lançar em zonas mais complicadas … elas não queriam mesmo nada.

Com a vontade de pescar a esmorecer rapidamente, chegamos à ponte. Faltava só bater dois bons açudes que se encontravam à nossa frente. Certamente que o nosso amigo espanhol já tinha passado por ali, mas podia ser que tivesse deixado alguma coisa 🙂 Lá avançamos para a queda de água do açude e depois de mais de trinta lançamentos, consigo ter um toque na minha margem, lançando mesmo para o canto da queda de água. A truta, pelo toque, devia ter mais do que a medida, mas não cravou. Nem sequer a cheguei a ver 🙂

Ainda subi ao açude para ver o que se passava e realizei alguns lançamentos, Foi com espanto que vi mais de 8 trutas encostadas ao muro. Todas sem a medida e todas a milhas da colher! Com isto fiquei arrumado. Depois de conferenciar brevemente com o Sr. António Ferreira e com os nossos outros parceiros de pesca (por telemóvel), resolvemos finalizar a nossa expedição naquele local. Já era meio dia e estava na altura de restaurar forças.

No global, fiquei bem impressionado com o Rio Homem naquele local. Apesar da excessiva pressão de pesca que se nota no comportamento das trutas e na inexistência de exemplares com tamanho mínimo, acredito que em dias de chuva forte e com incrementos de caudal, se podem realizar pescarias memoráveis por ali. O dia que escolhemos não era certamente o melhor, mas vamos voltar brevemente e quando as condições forem melhores.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.