A caminho da Ribeira de São João …

A caminho da Ribeira de São João …




Após uma primeira investida para jusante da Central de France, estava na altura de mudar de plano estratégico. Eram 12 horas, o céu estava nublado, com um vento moderado e existiam alguns prenúncios de leves chuviscos. Com várias opções em mente, recordei-me da boa experiência vivida há alguns dias atrás, à saída da Ribeira de São João. A linda truta capturada já no rio Coura, em condições bastante dificeis, poderia ser um sinal para fazer uma investida mais a sério num troço de cerca de 1km, a jusante da foz da ribeira. Resolvi arriscar!

Quando cheguei ao local, parei o carro na beira da estrada e dei a primeira vista de olhos ao rio. O panorama era maravilhoso! Águas claras e extremamente limpidas (ver foto abaixo), poços com boa profundidade e correntes de vários tipos e forças. No global, o caudal era médio, permitindo um razoável trabalhar da amostra dentro de água, sobretudo a favor da corrente. Os únicos problemas que encontramos foram: a grande inclinação das margens, a espessura e densidade de vegetação e a acumulação de lenha morta em áreas especificas. Este tipo de obstáculos obrigou a alguma perícia e cuidado na acção de pesca.

Resolvemos atacar o local com o material de light spinning. Desta vez iria pescar para montante tentando bater com mais intensidade as correntes mais profundas. Esperava encontrar trutas de bom tamanho estacionadas a meia água e em acção de alimentação normal. Portanto, com a enorme claridade convinha abordá-las pelas costas, apostando em lançamentos o mais longo possiveis. Assim começou a pescaria!

No primeiro poço e num lançamento cruzado, tirei a primeira truta da zona. Um pequeno exemplar que foi prontamente devolvido à água. Entretanto, fui avançando e foram-se sucedendo as capturas de pequenos exemplares. Viam-se trutas com o tamanho mínimo e outras de bom tamanho, mas pareciam estar cansadas. Seguiam a colher por mera curiosidade!

Depois dos primeiros 200 metros de pesca e após 4 capturas. Resolvi forçar os lançamentos ao máximo em termos de distância. Havia que tentar apanhar as trutas de surpresa. A estratégia começou a dar frutos. Num lançamento mais longo para a saída de uma corrente com profundidade média, entra a primeira truta de tamanho razoável. Deu uma luta razoável, mas o local era relativamente limpo e portanto a captura não ofereceu grande dificuldade. Era truta para 25 cm (foto abaixo). A aproximação à foz da ribeira de São João estava a dar os primeiros frutos.

Animado por esta captura, continuei a insistir nos lançamentos longos. Entretanto, cheguei a uma longa corrente profunda com mais de 70 metros. Local ideal para albergar um bom exemplar. Os primeiros lançamentos no término da corrente não produziram qualquer resultados. Visualizei umas ou duas trutas com a medida a seguir a colher. Passados os primeiros 15 metros, entro numa zona mais limpa no centro do rio que me permite um lançamento de cerca de 30 metros. Lanço e a amostra cai mesmo no centro do rio. Mal cai a amostra, vejo um raio a mexer-se da minha margem em direcção á colher. Tinha que ser uma truta e de bom tamanho. No entanto, nem toque na amostra. Estranho! Fui recolhendo lentamente, a colher fez os primeiros 10 metros e de repente sinto um puxão forte na linha. A truta tinha vindo a acompanhar a amostra e só após algum tempo é que se decidiu a morder. Mas que mordidela! Engoliu a amostra toda. Tinhamos luta cerrada! De facto, não podia correr o risco de perder este belo exemplar. Com calma fui trabalhando o peixe durante 1 minuto e quando já apresentava os primeiros sinais de cansaço, meti-lhe o camaroeiro por trás. Que beleza de truta, acastanhada e com grande pintas negras (ver foto capa). Um lindo troféu, já quase a chegar ao meu destino!

Com esta captura, decidi dar esta pequena expedição por terminada. Já eram 14h30 e estava na altura do almoço. Tinha ainda que fazer um bocado de alpinismo e de caminho a pé para chegar ao carro. Tinha excedido as minhas expectativas naquele pequeno troço-surpresa.

Apesar de já ter tido a minha boa dose de emoções para este dia, ainda subsistia ânimo para tentar mais um local. Uma área onde o potencial para as mariscas é maior: o troço do Coura perto da foz. Estava na altura de ver o que por lá andava, numa altura de principio de vazante. Mas isso é outra história!

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.