Num ribeiro de planicie do Lima.

Num ribeiro de planicie do Lima.

Com a manhã de Domingo a meio e tendo marcado encontro com alguns companheiros para comer uma lampreia no Restaurante das Mós, resolvi fazer uma breve visita a um ribeiro de planície do Lima, na zona de Lanheses (não muito longe do Restaurante).  Estes ribeiros caracterizam-se por fundos negros, forte cobertura vegetal, margens altas e elevada densidade de nutrientes. Apesar do seu reduzido caudal, os ribeiros de planicie da bacia do Lima têm sempre excelentes surpresas a nível truteiro, especialmente em anos de cheias. Com estas perspectivas, impunha-se uma breve visita, sobretudo para avaliar as condições em termos de caudal e população piscicola. Como já tinha capturado uma boa truta no rio Neiva, o dia já estava ganho e podia-me dar ao luxo de entrar numa onda mais turistica :).

Cheguei ao local por volta das 11 horas. Parei o carro junto à ponte do ribeiro e planeei batê-lo em duas sequências: primeiro para montante, até encontrar as primeiras águas estagnadas, e depois para jusante, até à afluência com o rio Lima. Para ter a máxima efectividade na pescaria, mantive o equipamento que trazia do Neiva: cana de 1 metro, fio 0,12 e amostra Mepps Aglia nº1. Estava no cenário ideal para o light spinning, pois o ribeiro apresentava margens bastante encobertas pela vegetação, um baixo caudal nas correntes e águas extremamente limpidas. Como se isto não bastasse, o céu limpo e o pouco vento que se faziam sentir não permitiam grandes descuidos com a sombra do pescador ou com pegadas em lenha seca. Interessava adoptar uma técnica que não assustasse as trutas e que maximizasse as hipóteses de captura.

O primeiro lançamento foi realizado sobre a ponte para montante e traduziu-se imediatamente no primeiro toque de truta pequena. Não tinha ficado! Fui batendo para montante, e sobretudo nos pequenos poços e zonas mais calmas,  comecei a visualizar as primeiras boas trutas de 23 e 25 cm. No entanto, as trutas pareciam que estavam letárgicas, seguiam a colher, davam-lhe pequenos toques com a boca, mas pareciam aborrecidas. Estavam claramente a enervar-me :). Parecia que me estavam a gozar de propósito :)!

Os primeiros 45 minutos foram suficientes para bater os melhores locais para montante. As trutas estavam lá, eram de bom tamanho, mas morder a sério, nada! Ainda hoje não percebi porquê! Perante este panorama, resolvi voltar ao lugar de partida e iniciar a pescaria para jusante. Não me agradava pescar a contra corrente, mas tinha que ser. Normalmente, as trutas gostam de iscos que lhe são colocados da forma mais natural possível, mas como esta estratégia não resultou no troço anterior, resolvi variar.

O que se seguiu foi um show de trutas. Vi trutas de todos os tamanhos com uma densidade média de 1 truta por cada 5 metros de ribeiro. Cerca de metade das trutas que vi tinham o tamanho mínimo legal. Impressionante, estava maravilhado com a densidade de trutas! Relativamente à pesca própriamente dita, estava a perder o factor surpresa, devido à altura das margens, cerca de 2 metros em média. As trutas viam a minha silhueta ou sentiam os meus passos muito antes de eu poder lançar. Poucas foram as que consegui pôr atrás da amostra e isso só aconteceu em zonas especificas com menos vegetação, onde consegui realizar lançamentos mais longos.

Com este estado de coisas, fui-me aproximando da foz do ribeiro. Práticamente no último troço, visualizo uma corrente lenta mais funda que terminava num tronco de árvore. Lancei a colher e ela cai mesmo encostada ao tronco. Começa a recuperar a contra corrente, a colher faz os primeiros 2 metros e de repente dá-se uma explosão dentro de água e vejo uma truta a saltar. Uma boa truta! Estava a dois metros de altura, cana de metro, fio 0,12 e muita vegetação na minha margem.  Mais uma situação dificil. Tive que combater a truta com muita calma. Cansei-a com a cabeça fora de água e fui me pondo a jeito para a levantar do ribeiro. Entretanto, enrodilhou-se numas silvas secas! Lá tive que me deslocar para tentar tirar a linha do silvado. Com calma consegui, pus a truta no meu direito e com calma levantei-a de uma só vez para a margem. Era uma linda truta de 25 cm, com uma beleza inigualável, tirada num bom afluente de planicie do Lima.

Depois desta captura, ainda fiz os últimos 20 metros até ao rio Lima, mas sem sucesso. Apenas vi uns bons barbos na foz, que possivelmente devem-se estar a preparar para a desova. Faltavam 15 minutos para a lampreiada e estava na altura de fazer o caminho de volta. O dia de pesca estava feito e foi fechado com chave de ouro neste pequeno ribeiro do Lima.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.