Cuidados na preparação dos nós de pesca

Cuidados na preparação dos nós de pesca




Apesar de já ter escrito alguns artigos sobre nós de pesca, ainda existem alguns utilizadores do nosso site que me relatam problemas ao nível da performance das linhas nos pontos onde os nós são dados. O que eu lhes digo é que muitas vezes o problema não está no nó, mas sim na linha de pesca ou na forma menos cuidada que utilizaram para preparar o nó. Isto soa muito vago para a maioria, até porque a única evidência que têm ao nível da ruptura (durante um lançamento, na recuperação ou no combate com um peixe) foi que rebentou pelo nó. Portanto, a verdadeira razão pela qual a linha rebentou naquele ponto fica para sempre no segredo dos deuses! Isso do nó, só por si, é muitas vezes desculpa. Há que procurar a verdadeira causa nos procedimentos que levam à concretização desse nó.

Um nó tem um valor que é determinado por dois factores: a qualidade da linha de pesca e os cuidados utilizados na sua concepção. E ao primeiro nível surge logo o primeiro mito, pois para alguns pescadores as linhas de pesca novas são garantia de bons nós e como tal não necessitam de quaisquer cuidados ao nível da realização dos mesmos.

Errado :).

Todas as linhas têm que obedecer a uma sequência de cuidados na preparação dos nós. A única diferença é que as linhas novas têm menos desgaste e como tal podem oferecer maior segurança ao nível dos terminais utilizados para a realização do nó. De qualquer forma, aconselho sempre um corte na parte terminal das linhas novas que acabaram de ser enroladas no carreto, pelo menos meio metro. Normalmente, estes segmentos de que falo estiveram na parte final do enrolamento das bobinas e como tal têm maior desgaste e alguns cortes.

Assim, e para todas as linhas de pesca os passos que se aconselham são os seguintes:

1 – Verificação da resistência e desgaste dos últimos 2 a 3 metros de linha que antecedem o local onde se vai realizar o nó de pesca. A verificação deve ser realizada a olho e com o passar dos dedos à procura de rugosidades. Ao mínimo sinal, deve-se cortar o segmento em causa.

2 – Mesmo que não exista sinal de perigo, depois da verificação anterior, deve-se sempre cortar um segmento de pelo menos meio metro. Isto deve ocorrer em todas as linhas (novas e usadas) e torna-se crucial para linhas que rebentaram na ponta durante uma sessão de pesca.

3 – Depois de encontar um bom segmento para a realização do nó, deve-se humedecer ligeiramente a linha de pesca para permitir que a mesma tenha menor atrito durante a realização do nó.

4 – Com a linha humedecida devem-se seguir na íntegra todos os passos necessários à realização dos nós. Os atalhos ou versões diferentes são sempre contra producentes e só causam problemas. Os passos para a realização dos melhores nós de pesca estão disponiveis neste site, em vários artigos acompanhados de versões animadas.

5 – Quando o nó estiver quase pronto, deve ser humedecido com mais veemência de modo a ser fechado. No fecho do nó é aplicada mais força e como tal o nível de atrito e desgaste na linha tende a ser superior. A humidade na linha reduz drásticamente o impacto negativo destas situações.

6 – O nó deve ser sempre fechado com força, pois caso contrário pode tender a desfazer-se durante a acção de pesca.

7 – Finalmente, o nó deve ser analisado com olhos e mãos à procura de pontos de ruptura, torções e outros problemas. Se existirem dúvidas, o nó deve ser rápidamente eliminado e deve-se começar outro.

8 – Se não existirem dúvidas, mesmo assim deve-se testar a resistência do nó antes de iniciar a sessão de pesca. Só depois deste teste é que o nó está pronto para ser utilizado.

Apesar dos passos acima serem relativamente banais, eles são fundamentais para garantir a boa qualidade dos nós de pesca. Se os seguirem como eu faço, vão-se começar a aperceber que muitas vezes os problemas que eram atribuidos aos nós são muitas vezes problemas das linhas de pesca. E uma coisa é certa, vão certamente ter melhores performances ao nível da resistência na sessão de pesca 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.