Grandes emoções no Ribeiro do Outeiro.

Grandes emoções no Ribeiro do Outeiro.




Com uma semana de pesca intensa, chegou o dia de Carnaval e as opções de ataque eram muito reduzidas. Na minha cabeça, eram poucos os locais onde ainda poderiam existir possibilidades de tirar algumas trutas. Os grandes rios tinham sido todos batidos até mais não, portanto era altura de começar a pensar em pequenos ribeiros e amostras light. Nestas massas de água, certamente que só os minhoqueiros tinham tentado a sua sorte e como tal havia potencial para pôr a amostra a mexer. No entanto, nestes locais só o light spinning poderia dar frutos … havia que arriscar.

E o arriscar foi direitinho para os ribeiros afluentes do Lima. Na bacia hidrográfica do Lima para jusante de Ponte de Lima não faltam pequenos ribeiros com boas trutas. O dificil é escolher 🙂

Comecei por volta nas 8h30 num pequeno ribeiro perto da Ponte de Lanheses. Já era um pouco tarde e portanto pensei que possivelmente alguém já estaria por lá. Comecei junto à foz e visualizei logo um pescador ao spinning com amostra pesada, tentando a sua sorte no Lima, que estava nas primeiros minutos da vazante. Não me parecia que tivesse passado pelo ribeiro. Fui fazendo os primeiros lançamentos e vi algumas trutas a mexer. Pareciam um pouco assustadas e só tive um toque valente num lançamento à fisga para montante. Não estava a correr bem e a explicação estava por perto. De facto, mais à frente vi um pescador à minhoca. Por muito que se tentasse ocultar, não conseguia fugir ao olho das trutas e como tal elas já nem queriam nada com a colher. Desisti imediatamente daquele ribeiro e fiz-me à vida. Novo destino: ribeiro do Outeiro.

Este trata-se de um pequeno ribeiro que passa pela localidade do Outeiro e que apresenta sempre água corrente. Tem muitas correntes e alguns pequenos poços com alguma profundidade. E trutas? Trutas não faltam … pois este é um daqueles ribeiros localizado na varzea do Lima e como tal tem sempre muitos nutrientes e muita alimentação animal para a truta.

Devido ao seu tamanho e à cobertura das margens, a única forma de pescar aqui é à fisga. Cana de 1,2 metros, fio 0,12 e amostras Mepps nº1. Comecei a bater para montante e os lançamentos foram-se sucedendo tentando apanhar as trutas nas correntes mais fundas ou à cabeça de algum pequeno poço. Numa primeira curva do ribeiro, consigo meter a amostra por entre umas silvas que pousavam sobre a água e tiro a primeira truta. Sem tamanho, mas linda!! Voltou para a água!

Muito bem … sem pescadores e com a primeira truta capturada, a pescaria animou rápidamente. Ainda fui para montante até ao açude do Outeiro, onde estavam 3 trutas a mosquear. Com dois lançamentos, capturei a segunda. Também sem medida, mas mais negra do que a primeira. Depois da captura, prossegui um pouco mais até a ponte da EN, mas verifiquei que era dificil passar pelas margens. Sem hesitar, voltei para trás e resolvi fazer o troço para jusante.

Logo, perto do sitio onde comecei, lancei à fisga para montante … duas voltas de manivela e outra pequena truta crava-se quando a colher estava a deixar a água. Mais uma beleza que devolvi prontamente! Continuei para jusante e fui vendo truta atrás de truta a mexer dentro do ribeiro. Verdadeiramente impressionante a densidade deste curso de água! A maioria sem o tamanho, mas de qualquer forma bastante ariscas, pois a maioria fugia ao mínimo sinal de perigo.

O tempo foi passando e as trutas foram mexendo até chegar a uma corrente mais funda. Consigo descer da margem para perto do caudal do ribeiro e lanço para montante. Três voltas de manivela e entra uma boa truta. Consigo cravá-la e tento puxá-la para mim. Ela bem tenta fugir e enrodilhar o fio nuns ramalhos, mas consigo deitar-lhe a mão. Era uma pura beleza de 22 cm.

Fiquei bastante satisfeito com esta captura. Apenas com duas horas de pesca, esta última truta tinha sido o ponto final de uma visita a este ribeiro fenomenal para a fisga. Tinha ainda que visitar um lugar especial, antes de ir comer uma lampreiada em grande no Restaurante das Mós (tradição anual), portanto não podia facilitar. Assim, a visita ao ribeiro do Outeiro, valeu pelo treino, pela excelente paisagem e pelas bravas e numerosas trutas que vi. Que continuem lá por muitos e bons anos 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.