Atrás das trutas de Riba Mouro …

Atrás das trutas de Riba Mouro …




Dia 2 de Abril de 2011. Depois de uma jornada em grande nas barragens do Gerês, pensei em voltar ao Minho para ver se existiam boas condições para trabalhar alguns poços para montante de Monção. Acordei já um pouco tarde, por volta de 8h30, e só cheguei ao rio Minho por volta das 10 horas. O panorama era verdadeiramente desolador … correntes fortissimas, o que significa que as comportas da Barragem Espanhola estavam bem abertas. Não havia nada a fazer. Ainda pensei bater um ou outro redemoinho com amostras muito pesadas, mas achei que era perda de tempo, pois só com muita sorte é que conseguiria passar o isco em frente às trutas.

Perante isto, impunha-se uma mudança de trajectória. Enquanto andava a pensar no que fazer, vejo que as nuvens começam a escurecer o céu e surge uma chuva ligeira. Bem … não valia a pena perder muito mais tempo na estrada. Olhei para o mapa e o rio mais perto era o Mouro. Apesar de já lá ter estado na semana passado e ter tirado um bom salmão, achei que valia a pena voltar. No entanto, não ia voltar ao mesmo lugar! Em vez disso, ia tentar a minha sorte alguns kilometros mais para montante.

Segui então no caminho de Tangil, não sem antes ter visto um pescador ao spinning a passear pela estrada. Não era muito bom sinal, mas de qualquer forma devia haver espaço para todos. Depois de cerca de 20 minutos de estrada, lá cheguei a uma zona mais escarpada logo a seguir Tangil e a caminho de Riba Mouro. Era ali que ia tentar a minha sorte.

Preparei a minha cana de light spinning, fio 0,12 da Fendreel e Rapala CD-3 RT. Procurei uma entrada junto á estrada e fui direitinho ao final de um grande açude. Realizei os primeiros lançamentos e vi as primeiras trutas a seguir a amostra. Notei que estavam um pouco picadas e se mantinham á distância. Bati bem a zona mais calma do açude e de um momento para o outro vejo chegar um pescador á minhoca. Bem …. apesar de não afectar muito o meu estilo de pesca, a presença de outro pescador iria sempre espantar algumas trutas, pois as margens do Mouro são altas e as águas limpidas.

Perante esta situação, avancei para montante. Fui trabalhando cerca de 150 metros de rio com corrente lenta e profunda nalguns locais, mas nem sinal de truta. O local era excelente para dar um bom exemplar, mas nem movimento. Só mesmo no pico da corrente, e depois de avistar um pescador à minhoca do outro lado, é que tirei a minha primeira truta com cerca de 10 cm. Atacou ao rapala quando o mesmo vinha ser recuperado no sentido descendente.

Com esta captura, animei e entrei num troço muito mais escarpado e duro, onde não se viam sinais recentes de pescador. Era lugar de bons poços e correntes entalados entre grandes pedras escorregadias, devido aos chuviscos que iam caindo. Nesta secção a minha sorte mudou. Deixei de pescar com Rapala e meti a Mepps Aglia nº 1 dourada. Rápidamente as trutas começaram a sair. Em 400 metros de rio, tirei 7 trutas, todas elas sem a medida, e levei o dobro de picadelas.

As trutas eram de uma beleza impressionante, como se pode observar na foto abaixo:

Tive pena de não apanhar nenhuma com a medida e estranhei claramente o facto de não se ver nenhum aspecto de truta grande. A zona tinha um alto potencial, mas provavelmente a pressão de pesca já tinha feito das suas naquele local. Perante aquele cenário, só num dia de chuva a sério é que me pareceu que seria possível ver trutas maiores.

No entanto, e apesar deste facto, não posso esconder a grande sensação de felicidade com esta pescaria que durou cerca de 3 horas. A limpidez das águas do Mouro, a braveza das pequenas trutas e o terreno quase impossível de andar colocaram-me mais um desafio que me deu todo o gosto superar. Foram claramente momentos maravilhosos que só terminaram quando cheguei à ponte da estrada nacional.

Este é um excelente tipo de jornada para nos pormos em contacto com a natureza. Não há nada como o Rio Mouro 🙂

Comentários Facebook - Trutas.PT
Related Posts with Thumbnails


Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.