Às trutas do Côa em Roque Amador.

Às trutas do Côa em Roque Amador.

Fim de samana com céu claro no mês de Maio de 2011. Claramente uma boa altura para voltar ao Rio Côa à procura de grandes exemplares. Depois de um dia de grandes trovoadas e grandes emoções (que ainda estão para ser contadas :)), pensei que ainda tivesse sobrado alguma possibilidade interessante nos sítios mais batidos. Um destes sítios era claramente o troço para jusante da ponte da povoação de Roque Amador.

Quem conhece bem a zona, sabe que a concessão de pesca desportiva do Sabugal começa para montante desta ponte e como tal, há sempre a possibilidade de que alguns bons exemplares tenham sobrado na zona livre. Como me despertei relativamente tarde, achei que só valia a pena realizar uma pesca ligeira nos açudes com mais água, insistindo de forma mais pronunciada nas correntes que os alimentavam. Cheguei então ao local muito perto das 10 horas e apontei a saída para perto das 13 horas. Ainda queria tratar de alguns trabalhos que precisava de fazer durante a tarde.

Peguei na cana de 1,2 metros, fio 0,12 da Fendreel e Mepps Aglia nº1 pintas negras e mal comecei a andar no sentido do rio, vi logo um carro de matricula espanhola. Bem … começaram logo as dúvidas … pescador à minhoca? Ao spinning? Teria ido para a concessão? Estava no livre??

Era escusado pensar muito! Toca a entrar junto à ponte pela margem esquerda e logo sai o primeiro lançamento na corrente. Começo a recuperar e logo sinto uma cravadela. A truta dá dois saltos, tenta fugir, mas rapidamente é encaminhada para as minhas mãos. Era o primeiro exemplar logo ao primeiro lançamento. Media 23 cm, mas era claramente uma das típicas trutas do Rio Côa. Uma beleza.

Esta captura, logo ao primeiro lançamento, foi um sinal extremamente positivo e marcou um excelente inicio de jornada. O meu parceiro de concorrência, mesmo que tivesse passado por ali, deveria estar à minhoca, para deixar fugir aquela truta. Enfim, com estas ideias na cabeça, comecei então a marcha lenta para jusante, fixando-me nos açudes e nas correntes mais fundas. Com o rio a ganhar mais profundidade, resolvi abandonar a colher e meter o peixe artificial: rapala CD-3 RT e simultaneamente mudei a linha para o 0,18.

O que se segue é verdadeiramente indescritível pelo lado negativo. Bati três a quatro grandes açudes de forma quase milimétrica durante 3 horas. Tirei duas bogas ao rapala e levei mais um ou dois toques de bogas. Só as bogas é que estavam activas e mordiam nas correntes e nas zonas paradas. O calor e a proximidade da reprodução deviam estar a ajudar a este tipo de comportamento. Mas também só vi bogas!

Escalos, barbos e trutas … não vi nem um! Fiquei bastante surpreendido com o comportamento do peixe e sobretudo com a cor escura e meio esbranquiçada da água. Mesmo com pressão de pesca, havia ali qualquer coisa que não estava nada bem. Já mais que uma vez me tenho referido relativamente à qualidade das águas para jusante do Sabugal e cada vez tenho mais a certeza de que são precisas análises periódicas, realizadas por entidades independentes, que certifiquem que a mesma permite a manutenção da vida aquática e sobretudo das espécies mais frágeis, como a truta. Só quando o rio começa a apanhar alguns afluentes para jusante é que a qualidade da água começa a melhorar e isso não faz sentido. Porque é que este rio não tem um controlo mais apertado sobre a poluição? Não percebo!

Mesmo assim, e com alguma tristeza pelo panorama piscícola e das águas, só posso dizer que passei umas horas de qualidade. Desfrutei de uma paisagem belíssima nos campos da zona e encontrei o nosso pescador espanhol a pescar à minhoca com bóia. Vale lá … não me enganei! E sempre tirei uma trutita … logo ao primeiro lançamento. Tudo correu bem … o que é preciso é pensarmos sempre pela positiva para desfrutar de um bom Domingo de pesca 🙂

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.