Final de tarde às trutas no Rio Neiva

Final de tarde às trutas no Rio Neiva

Depois de uma manhã e de um inicio de tarde em cheio no Coura, eu e o Engº Zé Pintalhão resolvemos visitar o Neiva. Como tínhamos que voltar para a Maia e ainda só eram 4 horas da tarde, não havia nada a perder em tentar a nossa sorte num dos locais míticos deste grande rio. Com base no meu conhecimento da massa de água e antecipando alguma pressão de pesca, resolvi avançar para a zona de Fragoso, onde eu sei que as trutas são desconfiadas e estão bem guardadas pela densa cobertura vegetal.

As expectativas não eram muitas, mas nunca se sabe. O Neiva é um rio de surpresas e de um momento para o outro, um dia normal torna-se num dia espectacular. Comecei logo a entusiasmar o meu amigo Zé e mandei-o à frente para bater a ponte velha de Fragoso. Ali param sempre algumas trutas de muito respeito e queria que ele fosse o primeiro a bater. Mas o Zé estava com muito medo de perder amostras e denunciou a presença, aproximando-se muito do muro. Enfim, as trutas já o tinham topado há muito 🙂

Começamos a bater para montante, insistindo na Mepps Aglia nº1. Procurei sempre lançar o mais longe possível das margens, tentando os sítios mais fechados e lançando à fisga em zonas muito concretas. As trutas por ali não brincam em serviço e há que tentar ser perfeito em tudo.

Até ao primeiro açude, nada tocou no isco. Ainda vi duas trutitas pequenas a perseguir a colher, mas sem grande vontade de morder. A mesma coisa se passava com o Zé. Estávamos a pescar na margem esquerda e as nossas sombras não ajudavam mesmo nada.

Chegados às correntes antes do açude, resolvi insistir num cotovelo onde a corrente se torna mais funda antes de começar a perder força. Já ali tinha visto várias trutas de bom tamanho em anos anteriores e portanto não ia deixar passar em branco. Comecei a lançar normalmente para montante e depois comecei a forçar a precisão dos lançamentos cruzados ao limite, procurando a margem contrária. Num destes lançamentos super-precisos para a cabeça da corrente, vejo a colher a começar a rodar e sai um vulto da margem, avança e ataca a colher quando ela entra no veio principal da corrente. Que bicho!! Cravo de imediato e a truta, endiabrada, arranca para jusante procurando forçar a linha ao máximo. Aplico força máxima no 0,12 e ela vendo-se bem presa, começa a saltar fora de água … com uma força inédita, pois quase que nem pousa na água … Ah truta!! Lá a tento segurar e ela ainda não satisfeita arranca para montante … aí fiquei mais descansado, pois ia-se cansar rapidamente. Lá a fui puxando com calma e ela continuou a cabecear e a contorcer-se, mas de nada adiantou. Arrastei-a calmamente atá aos meus pés e deitei-lhe as mãos. Era mais um lindo exemplar do Neiva … Uma truta de 27cm com uma cor e umas pintas muito belas … Que truta 🙂

Animado por esta captura, avancei para o açude, onde o meu amigo Zé já estava a bater. Ainda levei um toque na corrente mesmo abaixo do açude, mas nada de jeito. Devia ser uma truta de 10cm.

Aproveitando o facto de estarmos os dois no açude, eu e o Zé conversamos um pouco e resolvemos avançar para montante para fazer o último troço do dia. A margem esquerda estava relativamente limpa e pareceu-me que me ia divertir à grande com lançamentos bastante precisos e realizados o mais longe da margem possível. E assim foi … Estava-me mesmo a dar gozo e os resultados começaram a surgir. Em pouco mais de 300 metros, tirei mais duas trutas pequenas e levei mais três toques. Já estávamos a entrar no final da tarde e notava-se alguma actividade mosqueira, mas as trutas também estavam muito atentas.

O meu amigo Zé, em vez de pescar, estava a olhar para mim. Diz ele que estava a ver se aprendia com quem sabe … e eu sempre a chateá-lo para que tirasse uma truta. A ideia era que ele se estreasse e tirasse uma trutita, não era que eu tirasse mais trutas 🙂 Enfim, depois de muito insistir com o Zé, e com as 18 horas a tocar, resolvi terminar a jornada. Mais uma vez, valeu a pena visitar o Neiva. Foi muito bom verificar que neste troço ainda temos uma população de trutas bastante saudável.

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Informação sobre o autor

Pescador de trutas desde os 18 anos. Tem uma forte dedicação ao spinning com colher e peixes artificiais, tendo pescado em Portugal, Espanha e no Reino Unido. Actualmente, pesca sobretudo na zona do Minho, Gerês e Centro do país.